#O ÚLTIMO ERUDITO# GRAÇA FONTIS: PINTURA Manoel Ferreira Neto: PROSA
Esplendorosa
a metáfora da palavra inaudita que pre-nuncia, pré-a-nuncia, pré-e-nuncia o
tempo dos verbos trans-elevado ao subterrâneo do espírito à luz das memórias
subjuntivas de pretéritos de orvalhos a cobrirem o campo de centeio da estesia
eterna do sempre simples, do sempre natural, da beleza imortal, perene da vida
que se faz de querências e desejâncias de sonhos-sementes da felicidade, de
utopias-húmus da sabedoria, antropologia de lendas e mitos egrégios da cultura
que se perdeu, ovelha desgarrada no tempo-nada do silêncio sibilando as
sinuosidades de im-pretéritos mais-que-perfeitos, signo, símbolo do há-de vir
dos imperativos do conhecimento, cujo eidos é saciar a angústia da perpetuidade
junqueira do simples, perenidade camoniana do amor, o fingimento pessoano da
tabacaria do nada aberta à noite, por toda a madrugada, para receber
solenemente o andarilho solitário que, o último erudito, à parte a solidão,
traz dentro de si todos os silêncios do verbo, almeja o chocolate da
essência-para o nada húmus do eidos-de verbos do vazio, ócio, o lugar de uma
entrega não re-flexiva à mera existência. A síntese esperando, no fim do
caminho, para absorver todos os contrários, eliminando a estrutura paradoxal da
existência humana. O nada desde a eternidade até a eternidade con-templa o
vazio para nutrir a alma de fugas e má-fé do estar-no-mundo, jogado nas
con-tingências e imanências do sofrimento e dores, equilibrando-se no trapézio
das tristezas. Por que sempre acreditei que a condenação do homem a existir concebe
o vazio? Seria mister saber que deuses o condenaram e os acontecimentos que
precederam e deram origem à condenação? Re-tornando a este instante de
"ausência", saio de mim, pela primeira vez hoje, na madrugada,
elucubrei o nada que era antes de existir. O sentimento de vazio na tenra
infância concebeu a busca da existência, fora eu quem me condenara desde então
a esta busca. E por que, após longos anos, consigo agora verbalizar este
sentimento de ausência, se é que posso chamar-lhe "sentimento"?
#RIODEJANEIRO#,
18 DE MARÇO DE 2019#
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