#A CHUVINHA FINA CONTINUA CAINDO# GRAÇA FONTIS: PINTURA Manoel Ferreira Neto: POEMA



Dedicatória:

Às poetisas e escritoras, minha Esposa e Companheira das Artes, Graça Fontis, minha Amiga, Companheira da Intelectualidade, Ana Júlia Machado, minha Amiga e Companheira do Som, Sonia Gonçalves, estimando que continuem sempre esta jornada maravilhosa das letras que produzem ao longo da Existência.

Sílaba do que digo se des-garra,
rolando pelo chão que não é de giz,
mas de grafites em pó,
gota de sangue de-(r)-ramado
que não voltará à veia.
Imagino-me numa estelar distância
no branco da lua longínqua,
nos raios fortes do sol.
Ensaio o som uni-versal de um sorriso.
Performo o cântico global
de uma sílaba do ritmo da etern-idade.

Sou voz de olhares,
ímpeto de pensamentos de ser,
liberdade, de espírito.
Sou desejos de encontro,
de sonhos e utopias do eterno
do espírito das linhas.
Sou esperança de amor, entrega,
do verbo no espírito das linhas eternas.
Sou espera,
movimento,
gota de chuva,
lufada de vento,
lua boiando na noite,
risco de estrela cadente.
Sou a mão que delineia e burila letras,
sílabas,
sons,
que desenha os símbolos com esmero.
Sou tear na madrugada
fabricando desejos plenos de espírito,
de linhas eternas.
Sou eterno prisioneiro das linhas brancas
que desejo preencher
com letras de esperanças,
dores e sofrimentos,
de verbos de fé, felicidade.
Sou a idéia de uma águia
pairando sobre um abismo.
E quando sou a idéia,
sou a águia.
Sou pernas varando o tempo.
Sol no rosto e um fardo colorido,
a hora que chega e se perde,
mas re-torna com nova força.
Sou o barro de minha terra na sola
de meus sapatos, poeira no peito deles.
Sou nos recantos e auroras
o composto de marcas sombrias.

Ando em busca da estrela que brilha na madrugada,
do sol que raia na manhã de nuvens brancas e azuis.

Caminho pisando campos,
trilhando veredas e planto em cada canto
que passo a verde esperança da flor de cactos.
Nos múltiplos úteros do chão,
apanho o cristal que germina.
As mãos unidas em concha
colhem água em qualquer fonte
e afagam o broto que nasce
nesta fixa floração.

Escuto o cantar do galo, o cão ganindo no escuro, pio de pássaro nas moitas. Descubro no boi berrando, no relincho dos cavalos, no zurro dos jegues, no coaxar dos sapos, num lobo uivando na serra, um som recente, neste tempo que varia como vento mudando o rumo quando a chuva se a-nuncia. Vou aprender no campo o ofício das mãos que lavram as letras e verbos e vão perpetuando os desejos do sublime, a vontade do eterno, a esperança do imortal.
Vou à procura da estrela que brilha na madrugada.
O poeta borda a palavra, verso a verso, alinhavando as estrofes de sonhos, utopias, quimeras e fantasias,
os ritmos de sentimentos de esperança, amor, fé, a musicalidade dos desejos e da liberdade de ser,
do ser-com-o-outro,
do ser-para-o-outro, do si-mesmo.
O escritor tece com o amor do tecelão
os fios no tear dos sonhos e das utopias,
numa inventiva criação de idéias e pensamentos.
Trabalho eu, poeta/escritor,
o sonho imortal que me faz transeunte
sem peias da livre caligrafia.
O poeta pesca a palavra da própria entranha
como se o corpo fosse o açude, e o peixe, o verso.

O escritor expele a palavra a todo sentimento
e idéia de uni-versos de liberdade,
a toda emoção e pensamentos
de horizontes de encontro com a Vida e Amor.
A palavra e o poeta germinam da mesma cova,
e, juntos,
vão no mesmo passo,
às vezes em veredas diferentes,
às vezes em caminhos mesmos,
porque um no outro se completa,
multiplica-se, esvazia-se.

#RIODEJANEIRO#, 11 DE MARÇO DE 2019#

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