**SOU LETRAS... VERBO DO ESPÍRITO...** GRAÇA FONTIS: PINTURA Manoel Ferreira Neto: POEMA




Sou letras
que buscam
expressar o verbo do espírito
em comunhão
com
as con-ting-ências da alma.


Letras na liberdade sonhada
de poder artificiar
o instante de outras verdades,
pro-jetando-as aos futurais
desertos
do pensamento e dos ideais
onde in-fin-itivar
o tempo
e criar outras perspectivas para o
eterno de ser,
onde gerundiar
as dialéticas
das
contra-dicções
do
nada-vazio.


Letras no deserto escaldante
que faz delirar,
visualizar semânticas
do vir-a-ser
eidos da estesia
para o con-ting-enciar
as veredas
da continuidade do tempo
à busca das miríades do ser,
que faz con-templar
à distância inestimável do horizonte
a fonte trans-lúdica
e trans-lúcida
do sublime
regado das águas cristalinas do há-de ser,
há-de ser a liberdade e a entrega às
questões do eterno.


Letras na melodia
que o coração enternece
de sentir a presença dos desejos e volos,
vontades e querências
da alma do absoluto
flanando as asas no in-finito
à busca de re-colher e a-colher
os mistérios e enigmas todos
para trans-literalizá-los
em seivas de esperanças.


Letras que se comungam
em forma de mandamentos,
...à luz de mensagens,
...ao léu de preces...
nas árvores frondosas,
onde os pássaros
repousam e trinam antes de novo vôo,
florescendo nas estradas,
ao estilo de versetos
... à luz de entre-reticências...
o que dizem de segredos,
enigmas,
bailam à valsa dos condores
que esvoaçam as verdades.


Sou letras
que buscam expressar
o verbo do espírito
em comunhão
com as con-tingências da alma.


Letras
na chama ardente das angústias,
náuseas,
medos
que a paixão do outro a re-velar-se
no tempo
aquece
à presença da lareira
das circunstâncias e situações,
o peito arfando de volúpias
e ex-tases
pela entrega completa
ao voo
no verso e uno
do verbo mergulhado no ser
temporalizando as desejâncias da verdade
in-fin-itiva que conjuga o não-ser
à mercê da liberdade de ser chave
de ouro da porta
para outros uni-versos.


Letras
que inventam
som
para o
silêncio,
ritmando nas cordas do violino a solidão,
melodiando nas cordas da harpa as falhas e faltas,
nas cordas da cítara manque-d´êtres e forclusions,
e a música da plen-itude dos sonhos
é composta,
classicamente executada pela sin-fonia
do tempo
e do vento.


Letras no sol
que brilha sobre as ondas do mar
que se dirigem livremente
às areias da praia
onde as gaivotas
estarão à espera de novos alimentos
para lhes saciar a fome antes do voo,
para o prazer dos homens
em re-colherem as conchas,
ouvir-lhes o som marítimo profundo.


Letras nas estrelas
cintilando à luz do luar,
velando os mistérios inauditos do vento e do ser,
des-velando
as místicas e míticas linguísticas
da ressonância do silêncio
e da solidão do ser.


Sou letras
que buscam expressar
o verbo do espírito em comunhão
com as con-ting-ências
da alma.


Letras na dor da saudade
em lenta á-gonia,
pórtico partido...
das conquistas
e
glórias.


Letras no sonho
mais sublime
...e razão de viver...
no tempo as con-ting-ências
e dialéticas
...!NA CONTINUIDADE DO SER!...


#RIODEJANEIRO#, 09 DE MARÇO DE 2019#

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