#VERNÁCULOS DO ESPÍRITO* PINTURA: Graça Fontis PROSA POÉTICA: Manoel Ferreira Neto



Caminho entre o "não-ser" e o "ser",
versejando de sonhos
as veredas do inaudito,
Sendas do deserto,
estradas do abismo
contingencial do nada,
ao mesmo tempo
conhecendo bem os encantos,
sorrateira influência
que essa terra exerce.
A revelação dessa luz
tão resplandecente,
que se torna negra e branca,
tem qualquer coisa de sufocante, no início.


Caminho entre o "verbo"
que se estende ao longínquo,
ocultando-se, re-velando-se,
ensejando os desejos de encontro do "ser",
plen-ificado nas tábuas do Espírito da Verdade,
inscrito no Absoluto In-finito do Divino,
con-templando do que há-de vir, porvir,
a-nunciações sensíveis do sentimento de esperança,
e as "águas da con-tingência", de longe em longe
imperceptíveis e amplos movimentos
fazem alçar-se por cima da mel-ancolia,
nostalgia,
angústia,
tristeza,
medo,
insegurança,
a esperança de re-encontrar uma liberdade,
cuja lembrança,
descobrindo as rosas pequeninas,
que tão depressa se despetalam,
únicas sobreviventes da primavera,
seja a plen-itude ou a juventude
a evocarem a presença total de amor,
nem um pouco de inocência,
ou que esta ignora a mortal existência.


#RIODEJANEIRO#, 11 DE MARÇO DE 2019#

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