#AFORISMO 10/DEVEM SER AINDA...# - GRAÇA FONTIS: PINTURA/Manoel Ferreira Neto: AFORISMO
Deve
ser ainda a luz a iluminar as águas, a resplandecer suas gotas e pingos, a
enaltecer sua jornada, a elevar sua passagem silenciosa, deixar-lhes à
superfície das imagens furtivas, suas perspectivas iluminadas pelas
contingências do esplendido e do mágico, do surpreendente e mítico, esplendente
e místico, seus ângulos transparentes de cores e traços distintos de
sensibilidade e espiritualidade, lançar-lhes a rede, trazendo suas
profundidades aos raios do sol, a luz da lua e das estrelas, sob a mercê das palavras,
é sonho, é utopia secular e milenar, até sorrelfa destituída de seus valores
intrínsecos, sê-lo-á por sempre, tomei essa missão em mãos, modo e estilo de
tecer a felicidade e a paz com as linhas de sentimentos e volúpias que me
habitam, os seus traços pincelados de vivenciais enredos-ensaios de sangue nas
veias do sensível e do eterno desejo das flores do paraíso celestial levam, de
modo simples e espontâneo, às raias e ao assento do Olimpo divino dos deuses?!
Devem
ser ainda as chamas a acender as volúpias, deixá-las livres para a
transcendência do que se me a-nunciou bem íntimo, sin-tonia e sin-cronia fortes
entre mim e elas, entre os nossos seres de diferenças insofismáveis, sentindo
forte e presente em mim paixão indescritível, amor inestimável pela imagem, por
suas perspectivas presentes e distantes, por seus ângulos reais e longínquos,
embora paixão e amor nesse nível, excesso, não me dão qualquer valor, ao
contrário, tiram-me qualquer possibilidade de o encontrar, torná-lo realidade?
Deve ainda ser a lareira a elevar-me os sentimentos, sentir suas chamas dentro
em mim, inspirando-me a tecer letras, idéias, pensamentos outros,
experienciando outros uni-versos de sentidos, outras sensações presentes se
a-nunciando, iluminando algumas trevas que posso sentir, sombras que posso
vislumbrar, mergulhar-me nelas, assim conhecendo um pouco do que escondem, em
linguagem e estilo metafóricos e filosóficos, espirituais? Por inter-médio
deles, é que prazeres e saltitâncias mil se manifestam no peito, o coração
pulsa acelerado. Sinto-me assim, são esses os questionamentos que me faço,
propondo-me a dizer o que me surge, o que aparece nas bordas deles, como sou
capaz, é-me dado fazê-lo. Isto porque, pensando e sentindo bem, é tarefa árdua
atingir esse objetivo, há o que transcende as palavras, há o que de muito
profundo não posso atingir, porém é dar as devidas asas às buscas.
Devem
ainda as águas que me iluminarão o silêncio e o som, a harmonia de suas forças
que me preservarão da dispersão a vida. Sigo as minhas veredas, sem jamais
aberrar. Conduzo os meus passos em busca das verdades que me habitam, desejando
a Verdade, desejando o Ser, permitindo que as águas se harmonizem em mim,
amparando-me, protegendo-me em tempos de fortuna, felicidade, alegria, prazeres,
volúpias e êxtases, nas horas de dores, sofrimentos, infortúnios, angústias e
tristezas. Talvez entre em contradição, devido ao estilo que sou eu, mas, em
verdade, não preciso de erudição para tecer os sentimentos e emoções que me
habitam, sei com eles criar valores que não servem apenas a mim, aos interesses
que alimento no sítio mais profundo de meu coração, mas a quem deseja e tem
necessidades de encontro com a plen-itude da Vida.
A
paixão é o sentido oculto que traduz a loucura e a vida sem conflito com o
amor. A vida, ao estilo do belo e do sublime, é exótica e mística em qualquer
passagem da estação da loucura, ainda que os homens percam a razão do sonho e o
significado da paixão.
Divina
dedicação da vida com o místico, e do místico com o exótico, e do exótico com o
erotismo apaixonado dos loucos!
(**RIO
DE JANEIRO**, 06 DE JULHO DE 2017)

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