**OH, RUAS E AVENIDAS DE CURVELO!** - Manoel Ferreira
Li num ensaio crítico sobre a
vida e obra do filósofo francês, Jean-Paul Sartre, que, aos sessenta e quatro
anos, já mais que famoso, reconhecido o grande intelectual do século XX, que
ele saía pelas ruas parisienses vendendo o seu jornal de mão em mão.
Isso foi no final dos anos 80. Pensei comigo: "Isso é que é...".
Do final de setembro de 2000 ao princípio de fevereiro de 2001, eis-me pelas
ruas de Curvelo, desde as sete e meia, oito horas
da manhã até ao entardecer, por vezes até dez horas da noite, vendendo o meu
segundo livro, Opera do Silêncio, editado pela editora Armazém de Idéias. Vendi
quatrocentos e oitenta exemplares nestes meses, andando por todos os cantos e
recantos de minha terra-natal. Era o meu início, Sartre já era eterno.
Aprendi a lição.
Junho de 2008, fundei o meu Razão In-versa -
Suplemento-caderno Literário-filósofico. A partir de então, todos os meses saia
de Diamantina, onde era casado, residindo, vinha a Curvelo para comercializar a
obra entre os amigos, conhecidos, leitores de Razão Inversa. Ficava em Curvelo
por três dias, hospedado em Hotel. Pelas ruas, por todos os cantos, caderninho
na mão, oferecendo as pessoas. Por três anos e meio, mês a mês, a mesma
situação. Na quadragésima-sexta edição, dei por encerrado o Caderno, no final
de janeiro de 2012. Ainda publiquei dois cadernos, não com o título Razão
In-versa - Suplemento-caderno Literário-filosófico. Não mais publiquei os
cadernos.
Em 2014, terminou o casamento, retornei a Curvelo
para morar. Publiquei um caderno apenas em outubro desTe ano. Não mais.
Uma vez nas ruas, passe o tempo que passar,
volta-se a elas. Ontem, 01 de fevereiro, confeccionei outra obra, com trinta e
nove obras, entre textos e poesias, intitulado FONTE LUMINOSA DO TEMPLO DE
FESMIONE, mandei encardenar na Copiadora.
De novo pelas ruas da cidade, caderninho na mão,
andando por todos os cantos de Curvelo, oferecendo a obra. Quê prazer
reencontrar os amigos, os leitores, ouvindo-lhes dizer: "Isso aí... Você é
o nosso escritor... Com certeza, este livro é melhor que os outros... Seja
bem-vindo de novo às ruas vendendo o seu caderninho de Literatura."
Assim é que é... O escritor no meio dos leitores,
andando ombro a ombro com eles, participando de suas vidas. Isso de escritor de
redoma é coisa do século XIX.
Daqui a pouco, por volta de oito e meia, estarei de
novo pelas ruas de Curvelo, caderninho na mão, oferecendo as pessoas. Outras
emoções, outros sentimentos por estar de novo com os amigos, leitores nesta
jornada literária.
Manoel Ferreira Neto.
(02 de fevereiro de 2016)

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