ENSAIO-METAFÍSICO DA MESTRA E AMIGA RITA HELENA NEVES AO TEXTO //**FONTE LUMINOSA DO TEMPLO DE FESMONE**//
*FONTE LUMINOSA DO TEMPLO DE FESMONE*
(Manoel Ferreira Neto)
O poeta discorre a narrativa poética segundo o significado do número
sete, considerado por Pitágoras, um número sagrado: A soma do número três,
significando o espírito divino(Céu), somado ao número quatro, representando o
mundo (Terra).
“O número SETE é sagrado, perfeito e poderoso”, afirmou Pitágoras,
numerólogo grego.
O número sete é a primeira manifestação do homem espiritual. Deus se
manifesta no homem!
A partir do simbolismo representado pelo número SETE na sua
totalidade,significa a perfeição, a consciência, a intuição, a espiritualidade
e vontade, remetendo o Ser a um novo ciclo do entendimento da sua própria
existência. Uma renovação, ansiando às descobertas de novos sentidos
existenciais.
Universalmente, o número sete é o número da dinâmica e do movimento, e
por isso é também a chave do Apocalipse (sete igrejas, sete estrelas, sete
trombetas, sete espíritos de deus, sete trovões, sete cabeças, etc).
Ao longo do texto descrito a partir da premissa de que o número SETE
rege o universo divino e terreno, o poeta se designa um novo mito, a quem da o
nome codificado ”FESMONE” , sete letras, expressando a sua transição e
renovação espirituais, revelando a si mesmo o profundo entendimento do seu EU
espiritualizado.
“FESMONE” decodificado é: Manoel Ferreira da Silva Neto, o poeta que ora
se apresenta ao leitor como um ser mitológico que adentrou à poeira do universo
e desvelou a verdade da existência do divino, a partir de sua missão à
transparência das razões existenciais: a que veio? Vim trazer luz à humanidade!
A transcendência tem sido um constante exercício poético de FESMONE.
Trilhou, durante anos, a descobrir-se na transcendência, a partir do
exercício da metafísica, catártico... Sua trajetória consumou-se, por ora,
nessa descoberta que se insere no texto poético.
Rita helena Rita Helena Neves
*FONTE LUMINOSA DO TEMPLO DE FESMONE*
I
Sete agulhas teceram o sudário que cobre o corpo do tempo à luz do
efêmero e eterno, bailando nas bordas do vento longínquo a caminho do além.
Sete notas dedilhadas no violão deram origem ao cântico dos cânticos,
esplendendo de ritmos as versatilidades da verdade re-vestida de verbos a
conjugarem os temas do belo, projetando de enredos e melodias do absoluto
re-nascido nos interstícios do abismo habitado de vazios e solidões.
Sete faíscas riscaram o crepúsculo de nuvens escuras, iluminando a
genesis do ad-vir de estrelas e lua suspensas nos sonos de prata.
Sete vidas que são lapsos, que são riscos, que são risos, que são cortes
trazem o vento, trazem folhas caídas, roladas, tormento, silêncios presos nos
lábios desertos.
Sete sombras na calçada da rua solitária e deserta delineiam a imagem
líquida e etérea do ocaso refletido no entardecer numinoso do Dia de Finados.
Sete vultos pairam, veementes, e por mais que se clame - é noite, com
seus inúmeros silêncios.
Sete línguas recitam em palavras a verdade dos vazios e nadas,
entre-laçados nos abismos do logos e do cosmos, concebendo no tempo de sonhos e
verbos o subjuntivo do amor-templo-do-paráclito.
II
Sete mãos re-colheram no espaço celeste nuvens brancas e com elas
esculturaram a fonte luminosa do Templo de Fesmione, e com as cores vivas do
arco-íris imaginaram as águas jorrando luzes ao longo dos horizontes e
universos.
Sete lâminas de machados entre-cortaram em sete árvores da floresta
silvestre as sete imagens da plen-itude, as sete luzes que nestas imagens
incidiam re-velaram os sonhos do ser perspectivados de miríades numinosas do
in-finito.
Sete estrofes musicalizadas de desejos ritmados de esperanças, utopias
melodiadas do ser-para-o-pleno, compuseram a memória do silêncio onde toda é
vida diversifica a natureza.
Sete imagens lavradas no espelho da face, sete poemas lavrados na imagem
da pedra, sete pedras lavradas no sofrer da face, sete tempos na questão da
morte.
Sete degraus antes da soleira do infinito, sete passos neles antes de
vislumbrar no longínquo do espaço as cintilâncias da alegria e felicidade que
velarão as alamedas e ruas desertas por onde os boêmios passarão recitando
poemas da solidão.
Sete genesis, filtrando raios de uma lembrança dispersa, acendem
candeeiros nos subterrâneos por onde as tristezas e angústias passam em busca
da planície cujos caminhos trilharão passos à busca dos verbos de tempo que
compõem a felicidade.
Sete princípios adormecidos escutam a cantata onírica de meus
desenganos, velam por mim e murmuram a cantiga do orvalho sobre as pétalas de
girassóis fenecidos.
III
Sete raios de sol iluminam a manhã, o infinito aberto para todas as
emoções, Quem sabe o amor sentido possa tocar-lhe com os dedos ternamente?
Sete canções de mim próprio, dizendo de minha vida ao léu do mundo,
sobrevivendo de ilusões, fantasias, sonhos, esperanças, fé, silenciam o balir
de mil cordeiros.
Sete vezes evoco o abstrato, invoco o transcendente, faço das
perspectivas a minha raiz, faço dos ângulos o meu ser, das linhas a alma, das
entre-linhas o espírito, e a lembranças têm arestas brancas.
Sete águas re-fletindo imagens sob raios numinosos do sol, lírios brancos
à mercê de vento suave, belga pousado no arame farpado da cerca, trinando seu
canto, nuvens brancas deslizando no azul celeste, pétala perdida de rosa
vermelha sendo
levada a esmo pelo rio sem pressa de sua jornada.
Sete volúpias da alma transcendem as elegias do instante de sonho, em
mim sentindo íntimo, a alegria conjuga versos, a felicidade recita de rimas as
fantasias
do amor correspondido, do amor sentido profundo, do amor saboreado.
Sete letras acompanhadas entre-laçam sílabas em versos de carinho, vôos
profundos por espaços de entregas plenas, aléns adiante são frutos de conquista
de ternura, viagens por campos de lírios, mãos dadas em nome de sonhos futuros,
lembranças e re-cord-ações dóceis de glórias dos sentimentos e emoções
vividos e vivenciados, verdades do coração e da alma.
Sete almas re-fletidas no re-verso espelho do ser pro-jetado ao
longínquo infinito por onde nonadas eid-ificam travessias, por onde vazios
eid-eter-izam imaginárias perspectivas ab-solutas de molduras em imagens lúdicas
do jamais que presentifica a lucidez do há-de vir.
Manoel Ferreira Neto.
(30 de janeiro de 2016)

Comentários
Postar um comentário