**NO TEMPLO DE FESMIONE, AS ESPERANÇAS DO VERBO INFINITO** - Manoel Ferreira


De lá, neblina trans-parente, fina, cobrindo no templo a arquitetura gótica as efígies de deuses pagãos e mitos gregos que, contemplando com os linces sensíveis da alma, são afluires-a-ser que floram sentimentos in-fin-itivos de êxtases românticos, simbólicos de ex-tases na floração in-finita do eterno desejo da espiritualidade, fluem emoções versais-uni da poiésis do tempo, semântica de utopias do belo, linguística de querências do soluto-ab da alma livre das ipseidades da con-ting-ência, sign-itudes metafóricas da liberdade abismando-se na perpétua profundidade, de lá retros-elevando-se aos verbos do in-finito horizonte, de onde a érita visão poética da paisagem do esapço são espectros de luz do arco-iris que risca o celeste do alvorecer, a terra povoa-se inteira de sublimidades de brilhos e cintilâncias.
De aqui, quotidiano de todas as con-ting-ências, o tempo em-si mesmado, chovera miúdo na madrugada, ventinho frio tocando a pele de leve, no peito o coração pulsando sereno, os olhos luzindo, revelação de inspiração, nos recônditos da alma a poiésis da plen-itude pres-ent-ificada de sin-estesias do nada, poéticas poesias de nonadas alçando-se livres na travessia para o ser-verbo do universal, infin-itiv-itudes de luz res-plandecendo no horizio o vazio do espaço, ruas e avenidas solitárias - alvorecer de domingo, término do primeiro mês do ano - esperanças e sonhos das peren-itudes do sublime. Domingo de re-fletir à soleira da porta do casebre, debaixo do ipê amarelo, os futurais volos do ser-espírito do In-finito. O tempo continuará em-si mesmado, nublado, a inspiração mergulhará nos invernos interstícios da alma, a metafísica poiética do efêmero eterno se re-velará na memória divina de ex-tases do sofrimento e dor, amanhã a liberdade resplandecerá no uni-verso-verbo da consciência.
Mesmo para as verdades absolutas quaisquer definições são efêmeras, esvaecem-se num piscar de olhos, num passe mágico de uma arte ou de uma arbitrariedade solene e sublime. Viver sem definições ou conceitos é talvez o mais inteligível e aconselhável, o mais tranqüilo, ec-sistir à margem dos princípios, dogmas, tradições do bem e do mal é o mais aconselhável por assim estar aberto a novas experiências que, com certeza aprofundam a natureza e o instinto. O Livro Sagrado é testemunho divino de a vida serem mistérios, habita-lhe o ser, desde o Gênesis até o Novo Testamento, nenhuma ciência ou conhecimento superou essa verdade, sê-lo-á por todos os séculos e milênios. Seria que devêssemos os homens nos entregar por inteiro a in-vestigá-los e des-vendá-los? Ou seria que devêssemos fazer deles a pedra angular para as luzes iluminarem as nossas estradas, por vezes íngremes, por vezes não, a partir de nossas atitudes e ações, de nossas palavras em busca da verdade, em busca da sublimidade da vida e da contingência de nossos desejos de saciar as nossas fomes seculares e milenares? Nem uma coisa nem outra, tenho dito, sentindo-me, por mais inteligível que possa parecer, eufórico e charmoso. Ou seria que devêssemos cruzar os braços e lhes sermos indiferentes? É seguir nas trevas e nas sombras, putices e imbecilidades, maneíces do Zé, libertinagens e permissividades, quiçá o fim não seja o mesmo para os que se entregaram a buscar a redenção dos pecados e a ressurreição.Quem disser que os senões foram dissipados, extintos, com efeito, está absurdamente equivocado, alienado ou ensandecido, ou mesmo não se sente vida, não sente estar no mundo, não se lhe concebe um ser, um instinto, servindo a interesses e ideologias que não são os seus, apenas para receber os cumprimentos das mãos que se tocam mutuamente, os sorrisos e tapinhas no ombro, à moda, linguagem, estilo dos mineiros, alfim estão esquecidos de si mesmos, não mais atribuem qualquer valor à vida, ou tentando ludibriar a si mesmos por não terem coragem suficiente para assumir a vida, os seus limites e incapacidades, os seus problemas, dores e sofrimentos, entregarem-se à feitura do próprio destino através de lutas autênticas e peculiares.
Do além, volando o eidos da espiritualidade, o silêncio aflora as magnitudes da solidão que cria, re-cria, re-faz as pers da verdade, pectivando de sons e líricas a música da etern-itude verbalizando o genesis lipsítico do evangelho espiritualista das travessias para as verdades do tempo, assim enovela-se o in-fin-itivo infinito nas linhas trans-cendentais do verbo e do além, conjugando os temas e teáticas do perpétuo, de dimensão em dimensão rolam utopias e querências do ex-tase do sublime, a felicidade serão conquistas e glórias não de instantes efêmeros, sim do nada que se re-faz e renasce na passagem do tempo, nas paisagens místicas e míticas do trans-cend-ente. Glórias. Conquistas. Júbilos.
Do aquém, as pre-fundas do abismo re-vestidas do vazio que o vento re-colhe e a-colhe e trans-eleva no seu ser aos confins, libertando-lhe das algemas das ipseidades abissais, livre, esvoaça à soleira da eternidade na volância de ser re-colhido e afagado, carente de presença que é, desprovido de interstícios e re-cônditos do não-ser, destituído de pers e pectivas do em-si.



Manoel Ferreira da Silva Neto.
(02 de fevereiro de 2016)


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