**GESTO DE SOLENE ADEUS** - Manoel Ferreira
Nostalgias pers de retros, éritos, pectivando idílios futurais, idílios
de prazeres, idílios de êxtases e gozos, idílios de eternas dimensões do pleno
e sublime, inolvidáveis, pres-"entes" em todos os instantes,
pres-ent-ificando de porvires as con-ting-ências de sofrimentos e dores,
desvarios, o vazio esplendido a todos os uni-versos.
Não é chegado o momento de acenar a mão, gesto de solene adeus, aos
retros, éritos, eríasis, érisis, des-velando outras semânticas e linguísticas
da ec-sistência que segue seus caminhos à luz do Nada, tendo ele o talento e o
poder de tudo deixar para trás, tornar tudo passado incólume e insofismável?
Não é tempo de criar outros vernáculos fundamentados no presente,
projectando-se ao futuro? Sempre érisis, éritos, eríasis, retros legam aquelas
sensações mais que esquisitas de que se pisa em solo árido, são eles grãos de
areia do deserto, jamais se libertará deles, até nos confins do mundo a
presença deles, infinitamente a ilusão de que o passado é a pedra de toque do
Infinito. Aliás, a sabedoria popular reza que são museus e patrimônios
históricos que amam o passado de paixão e sustentam a vida com eles.
Virar o presente às avessas, re-versas, in-versas, sentir-lhe nos
re-cônditos da inspiração, mergulhar em sua sensibilidade, nele outras
categorias estão inscritas, outras palavras com sentidos inda mais profundos se
re-velam, in-ovam-se os conceitos, re-novam-se as definições, de letras
apagadadas e ciências ocultas que são os vernáculos do passado viveram os
séculos e milênios, outros tempos, outro pincenez por onde ler a vida com mais
trans-parência, visão-[de]-mundo sob outras miríades de luz.
As numinâncias do sol de ontem esvaeceram-se. Os raios que, ilusão de
óptica, fizeram o asfalto tremer, apagaram-se. Raios e numinâncias de hoje são
outros, não há nem similaridade mais.
Abaixo o passado!... Abiaxo as linguagens e estilo do passado que
pretendem ser sementes, o des-velar dos mistérios e enigmas do vir-a-ser!...
Hurray ao Nada, eidos do presente, senda e vereda para o In-finito. O que
seriam das esperanças, sonhos, utopias, não fosse o Nada? O efêmero são
con-ting-ências, o Nada são luzes da trans-cend-ência.
Manoel Ferreira Neto.
(05 de fevereiro de 2016)

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