**FONTE LUMINOSA DO TEMPLO DE FESMONE - III PARTE** - Manoel Ferreira
Sete sorrelfas compactas de idílios minúsculos espreitam, de esguelha, a
travessia das nonadas aos confins do uni-verso de desértico panorama, similar
ao Sahara, onde pervagam, vagueiam, deambulam, perambulam solitárias, desde a
passagem até à consumação eterna dos tempos, e o nada, sarcástico e sátireo,
esgasga-se com as gargalhadas e risos, pois que as nonadas intencionavam a
trans-mutação, serem nada, serem a-nunciação do In-finito - O que é isto - ser
pernóstico? O fim é dramático", diz o nada perseguindo os seus sinuosos
caminhos. O nada cena para as sorrelfas compactas, como quem diz: "Fiquem
aí assistindo a passagem das nonadas ao desértico uni-verso, desfrutem este
inestimável prazer. Não se esqueçam, contudo, de que são pequeninos grãos para a
concepção dos sonhos."
Sete pontes partidas, sobre o abismo das insurreições e heresias,
plen-ificado dos mais supremos dogmas e preceitos do absoluto e do ser,
desertas por não permitirem qualquer passagem, são imagens furtivas da real
verdade de que o outro lado do abismo só é alcançável com a fé, alçar longo
voo, asas leves à mercê dos ventos, ad-vindos das prefundas abismáticas,
projectando a planície campesina a perder de vista, desfrutando as magias da
natureza, os esplendores da terra. Aliás, é onde o nada regasta suas energias
para a continuidade de seus caminhos, sempre à sompra da Oliveira, tirando suas
pestanas desde o crepúsculo ao alvorecer.
Sete estrelas guiando os vazios da alma, seivados das ipseidades do
não-ser, por mais risível que o seja pela fertilidade da imaginação, através
das sinuosas veredas, veredas de solo árido, íngreme, empoeiradas, lugar
olvidado por Deus, milagre algum seria capaz de um arrebique artificial,
ornamento superficial, concebem de suas cintilâncias, numa atitude de benevolência,
solidariedade, compaixão para com os vazios, tentativa de livrar-lhes das
nostalgias e melancolias, tristeza profunda e abissal, no mais longínquo dos
horizontes, a mansarda da purgação, onde os vazios resgatarão o eidos do
múlti9plo, só eles podem re-colher e a-colher o múltiplo, assim
re-conciliando-se, conciliando-se com o efêmero, síntese que projecta o não-ser
aos verbos da esperança de o in-audito re-velar as iríasis da trans-cendência
da verdade à vida da vida vida.
Sete metáforas do sublime, inscritas, perscritas, proscritas,
evangelizadas e espiritualizadas de semânticas e linguísticas de versos
anti-poemáticos, trans-elevam dores e sofrimentos, por as únicas certezas e
verdades da vida serem tudo passa, tudo passa, tudo passa, o efêmero é o real,
às arribas do tempo, onde, perscrutando, re-fletindo o genesis da
con-ting-ência ec-sistencial, dores e sofrimentos são eidos para a consciência
e sabedoria, possam, então, re-fazerem-se, re-criarem-se, re-inventarem-se,
tornando as metáforas da esperança em símbolos da verdade, em efígies do
in-finito, as sin-estesias do verbo pres-ent-ificam o tecer poético do eterno.
Manoel Ferreira Neto.
(04 de fevereiro de 2016)

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