**DE CORAÇÃO** - Manoel Ferreira
Em quaisquer lugares outros, em quaisquer situações outras que trilhamos
ou trilharmos nossos passos, de início, inevitavelmente, trilhamos, trilharemos
nas trevas. A vida nos dá forças para convivermos nestas trevas, as forças
dadas, nossos sonhos e projetos, nossas esperanças e desejos vão a-nunciando
poucochinadamente miríades de luz ao longe no horizonte até que se tornem luzes
reais e verdadeiras. A máxima latina diz que "a natureza não dá
saltos" - inconteste! Precisamos esperar o momento da luz se revelar, os
caminhos serem de luzes, começando, então, nossas sendas de realizações.
A vida literária é imagem plena deste "caminho de trevas" que
trilhamos. Não há o reconhecimento, não há quem nos estenda a mão na jornada,
estamos sozinhos. Vamos acumulando papéis na gaveta da escrivaninha, esperando
a luz se revelar. Não conheço outra coisa na vida que seja o eidos da esperança
como as Letras: elas sempre estão eivando as trilhas de esperança, a esperança
pulsa na vida mesma que nos habita, e sempre aquelas palavras mágicas:
"Chegará o momento. Saiba esperar!..."
Mais um "chilique" da vida literária. Não sendo com a mão
estendida de um amigo, nada se consegue, nada se realiza. Diz-se que só se
entra numa Editora, sendo apadrinhado, apresentação de um escritor da editora.
Verdade. Mas a vida literária mesma requer a mão estendida de alguém, o
companheiro de estrada.
Andei, andei, andei... Ah, como andei! Mas, enfim, a luz se revelou
diáfana, nítida, real, verdadeira. De início, a vida legou as forças para a caminhada
nas trevas, depois a vida legou as mãos estendidas. Legou as mãos estendidas de
todos os Amigos do Facebook, com seus comentários, suas "curtições",
carinho e reconhecimento.
Ano passado, inesperadamente, caiu um Anjo do céu no meu jardim. Havia acabado
de publicar um texto. Passado um tempinho, fui notificado de um comentário. Caí
de costa com a profundidade da análise. Não havia antes atinado com outra no
nível, de excelência, abordou o eidos da obra. Era a amiga Rita Helena Neves,
mestra em Literatura. Não nos afastamos mais, a cada análise dela sempre a
surpresa, sempre o espanto com tamanha sensibilidade, intelectualidade. Tais
análises foram contribuindo, em primeira instância para o crescimento,
amadurecimento de minhas coisinhas, em segunda, da vida mesma, e em terceira,
para reconhecimento ainda maior por parte dos Amigos e Leitores. Desfruto e
degusto hoje o fruto do reconhecimento com a amizade e análises de Rita Helena.
Desde que cheguei ao Facebook, julho de 2013, conheci a amiga Sonia Son
Dos Poem Gonçalves, Soninha Son, ao longo do tempo fomos estreitando os nossos
laços de amizade, tornamo-nos grandes amigos, rolando sempre muita amizade,
carinho, ternura, respeito, respeito e reconhecimento de ambas as partes.
Resultado, após dois anos de amizade: presenteou-me ela com um Blog, Bo-teko de
Poesias. Ponto Final. O reconhecimento multiplicou-se ilimitadamente, hoje,
quase três meses depois, surpreendo-me, espanto-me com o renome adquirido.
De onde estas inestimáveis amigas são? São de Sampa. Verdade inconteste:
quando paulistanos gostam de alguém, são amigos, gostam e são amigos de
verdade, entregam-se de coração, e logo estendem as mãos, fazem tudo o que
puderem para virem o amigo se realizando, para a felicidade do outro. Atrás do
rosto sério, por vezes radical, grosseiro, há um coração terno e carinhoso. Só
quem vive e con-vive com os paulistanos no quotidiano sente isto deles. Quantos
receberam a amizade dos paulistanos, tendo chegado a Sampa com uma mão na
frente e outra atrás, e hoje são personalidades renomadas, são artistas
reconhecidos no mundo inteiro. Sem a amizade em Sampa, pode-se colocar tudo de
novo nas malas, retornando ao lugar de origem, nada conseguirá.
Já teci muitas homenagens a Sampa, e sempre tecerei. Sampa me ensinou o
que é a vida, suas dificuldades, a necessidade de sempre a luta por vencer, ser
alguém.
Dizer mais o quê sobre estas inestimáveis amigas paulistanas, Soninha
Son, Rita Helena? O que mais dizer sobre a Amizade sincera e verdadeira dos paulistanos?
Nada mais. Só o meu muito obrigado a elas pelas mãos estendidas. A nossa
liberdde está em questão.
Manoel Ferreira Neto.
(05 de fevereiro de 2016)

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