**NO CAOS DAS COISAS, SOU EU!** GRAÇA FONTIS: PINTURA Manoel Ferreira Neto/Graça Fontis: PROSA
Agora começou a chover. Venta e faz frio. Meu corpo molhado treme e a tristeza é ainda maior. Nem percebi a tristeza chegando; quando vi, estava triste. Nunca manda um bilhete, um aviso de quando vai chegar. Já tivemos algumas bungas-bungas por mostrar sua face quando não é convidada, sempre em horas impróprias. Teimosa como ela, não adianta brigar, rasgar os verbos, jamais irá mudar isto, não questiono com quem se diz dona da verdade. Caminho por ruas esburacadas e, por vezes, enfio o pé em poças d´água, com certeza contaminadas pelos dejectos que os transeuntes jogam. Minha alma está triste até à morte - a tristeza mergulha profundo no meu coração, consome-o. Meu eu agora é esquálido, magro, quase um nada e a tristeza não deixa de corroê-lo, daqui a átimos de segundos não mais existirá e como a tristeza é insaciável, em pouco tempo, tempinho de nada, consumirá a si mesma, como as chamas ardentes do fogo sem nada onde se aderir; dar-se-á a metamorfose; serei uma águia...