Graça Fontis ARTISTA-PLÁSTICA PINTORA ESCRITORA E CRÍTICA LITERÁRIA ENTREVISTA O ESCRITOR MANOEL FERREIRA NETO ****
Graça Fontis - Nos leitores fixionados por M.F.N gostaríamos de saber mais sobre o Poeta e sua literatura. Aqui vão algumas perguntas que possam nos revelar um pouco do escritor.
@@@@
M.F.N - Boa noite,
Graça Fontis
. Você está bem? Você me pegou de surpresa: dormi a tarde inteira, agora abro o Face encontro estas perguntas. Você me entrevistando. Fico muito feliz com a sua admiração, seu carinho, sua amizade, sua fixação por minha obra. Acho bem interessante, quando lê um texto meu, sente-se extasiada, e diz: “Igual a este você jamais escreverá outro!”, isto quer dizer que gosta tanto da obra que espera mais dela. De imediato, escrevo outro e você fica mais extasiada, e diz: “Não se deve duvidar de Manoel Ferreira Neto...” Tenho imenso prazer em tentar respondê-las a critério e rigor, se assim me for possível, vale ressaltar.
****
Graça Fontis - Poeta seus textos são mais direcionados ao público feminino, essa tendência foi uma escolha ou simplesmente aconteceu?
****
M.F.N - Isto é verdade. Não posso dizer que seja escolha ou simplesmente aconteceu. Não fui criado por meus pais, sim pelas irmãs de minha mãe. Minhas relações sensíveis sempre foram com as mulheres. Assim, a Anima se desenvolveu mais em mim. O Animus existente em mim é mínimo. Sinto-me muitíssimo feliz em escrever para as mulheres. O retorno é fantástico: entendem a obra, sentem a obra, vivem a obra, comentam a obra sensivelmente. Ademais, a amizade delas é linda, maravilhosa.
Jamais me dei bem com os homens, sempre houve animosidade entre nós. Ao longo do tempo, fui-me distanciando deles; fora uma oportunidade para refletir que não gosto dos homens. Tive dois grandes amigos, Antônio Carlos Fernandes(Toninho Fernandes), Antônio Nilzo Duarte, os únicos com quem efetivamente desfrutei momentos deliciosos na vida, na Literatura, são falecidos.
****
Graça Fontis - Qual é a relação entre a crítica e seus textos literários na sua opinião?
****
M.F.N - Levaria um tempo imenso responder a esta pergunta. Vou tentar resumi-la. Crítica literária não é simples, a bem da verdade muitíssimo complexa. Complexa por envolver inúmeros fatores. Escritores eternos e universais sentiam urticária das críticas às obras deles. Na modernidade, então, hoje, a crítica está arbitrária, gratuita: deturpam, negligenciam, adulteram o sentido, a estrutura da obra em detrimento próprio. Por interesses escusos, aquilo de "mídia", elevam obras ao topo do Olimpo e não tem valor literário algum. Acho que entendo isso: estamos nos tempos da vulgaridade, devem estar presentes sempre. No que concerne a mim, e quanto mais que minha obra é de alto nível, sou um escritor intelectual, a crítica tem sido relevante. A minha crítica é de mulheres, especificamente você, Sonia Gonçalves e Ana Júlia Machado. Sabem ler, sabem analisar, sabem interpretar, e sabem dizer a respeito. Todas são percucientes e revelam a obra, endosso. Agora, a suprema crítica é da Amiga Ana Júlia Machado, tomando em consideração a crítica intelectual realizada nos cânones científicos, suas devidas metodologias. Mas as suas e de Sonia Gonçalves tem valor inestimável por serem sensíveis, subjetivas. Você pergunta sobre a relação da crítica e os textos literários. A relação é de sin-cronia, sintonia, harmonia, critica e obra se interagem, comungam-se. E devo acrescentar: as críticas de vocês contribuíram imenso para eu conhecer a minha obra, conhecimentos profundos.
****
Graça Fontis - O Poeta já pensou na importância do crescimento intelectual para quem lê sua literatura? Isso o assusta por deixá-lo mais compromissado com seu público?
****
M.F.N – Entendo a pergunta: o reconhecimento de leitores de uma obra acaba que tornando o escritor escravo, tem ele de seguir o que eles querem e desejam, escrever para eles. Jamais deixei que me tornassem escravo deles, por isso vivo no meu canto, não me envolvo. Até no âmbito da realidade, do quotidiano, vivo no meu mundo. Ando no meio dos homens, não sou ovelhinha de rebanho. Na verdade, na verdade, a minha obra toca a sensibilidade dos leitores, toca a visão-de-mundo deles, e toca o desejo de encontro com eles mesmos, o desejo de serem outros, de viverem de si mesmos, serem autênticos com a vida. São despertados, acordados para outras dimensões da vida e da existência. Em crescendo a sensibilidade, cresce-se junto a intelectualidade, a visão-de-mundo expande-se, amplia-se, atinge outros horizontes, universos. O crescimento intelectual pres-[ent}-ifica-se. Não me assusta nem um pouquinho isto de os leitores crescerem, desenvolverem, tornarem-se mais exigentes comigo, quererem mais, quererem respostas mais profundas, as exigências serem enormes. Isso me deixa é muito feliz, orgulhoso, lisonjeado. É prova de que o objeto de minha Literatura está sendo alcançado: Literatura é o encontro com a vida mesma. Sinto-me muitíssimo compromissado, responsabilizado: isso é muito gostoso, faz-me aprofundar mais e mais em mim, nos meus ideais, esperanças, sonhos, utopias, desejos. Quer uma verdade: gostaria de estar ainda mais compromissado, mais responsabilizado.
****
Graça Fontis - Quanto à sua contribuição incontestável nessa específica ciência humana: É uma responsabilidade difícil de administrar ou sente-se tranquilo e confortável a respeito?
****
M.F.N - Administrar uma carreira artística, intelectual não é brincadeira. É extremamente complicado. A questão é simples: a arte, o intelecto lidam com seres humanos, com todas as suas problemáticas em todos os níveis. E administrar é ser consciente dos objetivos e projetos; os objetivos, os projetos são o ser humano, são as pessoas, são os leitores. Quando o escritor se torna renomado, aí as dificuldades da administração triplicam. Na verdade, na verdade, sinto-me tranqüilo e confortável, pois que a cada texto que escrevo vou iluminando os caminhos do campo, os caminhos que são as pessoas, os leitores, mostrando-lhes outras dimensões da vida.
****
Graça Fontis - O Poeta acha que as críticas feitas aos seus textos são motivos para reflexão?
****
M.F.N - São sim. Aqui devo me centrar nas críticas feitas pela Mestra/Discípula Ana Júlia Machado, que é, como você sabe, Graça Fontis, a minha Crítica Oficial por sempre. Desde quando a Mestra iniciou os seus trabalhos críticos, disse-me ela que iria revelar a obra de modo acessível, dentro da compreensão e entendimento de todos os leitores, numa linguagem mais simples. E é o que sempre realizou. Os leitores hoje compreendem e entendem mais sensivelmente a minha obra. Mesmo com esta crítica da Mestra, o leitor ainda tem de refletir. Mas ele reflete sensivelmente, sem aquelas neuroses do questionamento abissal, fá-lo com o sensível, o subjetivo, com a vida mesma. E por que? A crítica da Mestra perpassa o íntimo dos leitores, perambula, deambula por lá livremente, e o leitor vai respondendo aos seus questionamentos até mesmo sem sentir.
****
Graça Fontis - Poeta, ao escrever um texto o Sr. se baseia mais na prática ou na teoria?
****
M.F.N - Não me baseio nem na prática e nem na teoria, apesar de que estão presentes na obra. Baseio-me na vida, nas minhas circunstâncias e situações, nos meus complexos, dramas, conflitos, traumas, nos meus ideais, sonhos, esperanças, no desejo maior do Homem, o Ser. A minha obra inteira é a busca do "Ser"
****
Graça Fontis - O Sr. considera sua literatura um veículo de informação e formação ou uma filosofia voltada para o cotidiano?
****
M.F.N - Uma filosofia voltada para o quotidiano da vida. Sou mestre em Filosofia e nunca lecionei Filosofia. Por que? A filosofia é vida, não são academicismos. Graça, odeio academicismos, faz-me sentir que sou um papagaio, repito as metodologias sem pensar. E o quotidiano da vida são as buscas, os sonhos, as esperanças. Assim sou a Literatura, assim sou o escritor, sempre voltado para a Vida Humana.
****
Graça Fontis - Nós seus leitores procuramos capturar o sentido de suas palavras e assim avaliar o grau de verdade que ela nos apresenta ;isso o preocupa a ponto de buscar uma autenticidade maior?
****
M.F.N - Essa é a minha grande preocupação: a Autenticidade, ser quem sou, viver de mim, não apenas subjetivamente, constituir um "eu", mas nos meus ideais, sonhos e esperanças para a humanidade, para os homens. Digo radicalmente: quem não é autêntico na Literatura, na carreira de escritor, largue tudo, procure outra ocupação na vida. As letras são imensamente exigentes, radicais, não aceitam brincadeiras literárias, vaidades e orgulhos ridículos. Por isto, elas legaram-me toda a liberdade, fazer delas o que bem quero, aprovam-me, e me concedem mais criatividade. Brinco com elas, nunca estou de sacanagem com elas. Letras são a Vida dos Homens. Vamos respeitar isso.
****
Graça Fontis - Uma boa narrativa de um texto ou qualquer outra literatura... muitas vezes se constrói numa iluminação súbita tipo uma revelação... Isso acontece com o Sr. POETA?
****
M.F.N - Aí está a pergunta que todos os entrevistadores já fizeram, fazem, vão fazer eternamente. Onde é que encontro tanta inspiração? Vou responder com uma cajadada só: sou Iluminado. Há quem diga escrevo em “transe”. E não só quando tomo da pena para escrever, sou Iluminado na vida, e busco revelar isto nas minhas Letras. Agora não pense você, não pensem todos que pelo fato da Iluminação escrever seja o mesmo que brincar com um carrinho ou uma boneca. É dificílimo escrever. Arranco tufos de cabelos, por isso fiquei careca. Digo sempre: "Ser feliz é mais fácil que escrever".
****
Graça Fontis - Em seus textos, ou coisinhas como gosta de chamá-los, há sempre uma busca de sentidos e sem dúvidas voltada para o Eu; O Poeta se sente aglutinado em sua verbalização no mais profundo de seu ser?
****
M.F.N - Com certeza... Não me sentindo aglutinado na minha verbalização no mais profundo de meu ser, não escreveria única linha no nivel linguístico, semântico, literário, filosófico que escrevo. Aí as buscas do Ser se intensificam enormemente. Mas as buscas para mim são prazer, alegria, felicidade, estou andando de mãos dadas com os homens, com os leitores no longo caminho do campo, juntos à busca do Ser, de quem somos.
****
Graça Fontis, quero agradecer-lhe de coração esta entrevista com você, uma entrevista inteligente, sensível, que muito acrescentou no meu universo humano e artístico.
Espero haverem outras entrevistas com você no futuro.
E Leitoras, minhas Amigas de Jornada, citando algumas, Maria Cecília Harder, Yvete Quevedo..., o meu sempre "Gracias pelo carinho" de todas vocês.
****
Obrigada, M.F.N, pela entrevista cuja intenção foi conhecer um pouco mais desse Poeta que vem nos presenteando brilhantemente com sua literatura, textos magníficos, densos em humanismos e transcendência às vezes irreverentes, sensuais e audaciosos...doses iguais de prazer e iluminação.
Graça Fontis/Manoel Ferreira Neto
Rio de Janeiro(RJ), 01 de maio de 2021, 08:52 a.m.

Comentários
Postar um comentário