SOLIDÃO OBLÍQUA DE SAUDADE# GRAÇA FONTIS: PINTURA/ARTE ILUSTRATIVA Manoel Ferreira Neto: AFORISMO ******


Amor de minha vida, viajando na música que o personagem executa na sua flauta, a sedução das águas do mar, os cabelos desgrenhados significando os tempos do mundo, senti saudades dos instantes do futuro, haveria de artificiá-los na existência, era enfiar as mãos na cumbuca e torná-las a alegria da realização. Então, vasculhei os cofres íntimos, retirando deles poema musicalizado no violão de ideais, utopias, notas de esperança da amplitude de visão da língua.

Beijos no coração, minha LINDA!

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Solidão:

sentimentos e emoções perpassam-me inteiro,

friozinho na medula, olhos perdidos no infinito.

Aquela "coisinha" presente no íntimo,

incidindo raios de luz,

pulsando pujante,

latejando contundentes os silêncios da alma,

Solidões dos ideais tecendo  perspectivas,

Carências de quimera acendendo a chama

Das realizações, consciência de Existir.

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A porta aberta,

re-costado na poltrona,

olho a rua deserta,

os pensamentos distantes,

os ideais longínquos,

as idéias alhures, perdidas

e toda alegria...

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Saudade...

Som dos versos e estrofes aglutinando rimas perfeitas...

deleite em modelar

Som do silêncio e solidão verso-unificando utopias da liberdade...

marcar com o selo de uma vontade,

de uma crítica, de uma contradição,

dialética da consciência dialética,

de um desprezo

de uma indiferença

Som dos uni-versos e horizontes ampliando o ouvir de vozes do além...

dar à luz grande abundância de ideais,

de novas e estranhas idéias,

Som dos verbos e do ser performando o corpo de baile da felicidade...

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Som... da música que faz dançar, performando de gestos e passos,

ritmando, melodiando, acordeando as vozes...

Jamais senti ser a saudade dimensão do passado,

alma do pretérito,

sol que não é dos trópicos

água que não é das fontes

re-fletem a imagem exuberante

de aparência balsâmica,

ouço surdo rumor de combates distantes,

alguma coisa de extraordinário

se houvesse passado,

alguma coisa de encoberta em mim,

os olhos não traíram, as mãos não apalparam,

é preciso tirar da boca, com urgência,

o canto rápido, ziguezagueante, feito da

impureza do instante e de vozes interiores

espírito do "tempo do onça",

a palavra desejada na dúvida e no cactus,

tempestade da alma que surge da multidão,

inteiramente sincera e desinteressada

esperança embora frágil, atravessada pela

ardência de uma potência e efeito máximos,

pranto infantil no berço,

um véu baixando, um ríctus,

o desejo da invenção, criação da verdade

no tempo atômico, editar o oblíquo pelo aéreo

alma do "tempo do Zagaia",

aspirando a viver, na poética e essencial

atmosfera dos sonhos lúcidos,

segredos re-velados no ouvido

filamentos de ternura e riso

aquilo da perda do paraíso celestial,

hastes submarinas e álgidas

e espelhos e lírios, uma folha baila

indecisa, sopro de in-verno,

e as palavras flanando livres sobre,

unida a elas ressoa a melodia, e esta

lança suas centelhas no domínio

das imagens e dos conceitos,

as águas do rio...

***

Oh mitos que cultuo, falsos,

anjos desleais, querubins infiéis,

nas travessias de nonadas do aquém,

Sacis-Pererê cínicos e sarcásticos

Nas esquinas de desvarios das multidões,

coisas do tempo futuro, muitíssimo tempo de semear,

e negócios do espírito, a luz dorme acesa na varanda,

tempo de meio silêncio, palavra indireta,

hora espandogada do eterno retorno,

sublime arrolamento de contrários enlaçados por fim,

sedutor engendramento de contradições,

Dialécticas à mercê da consciência e do tempo,

E continuo a tocar a flauta,

Música que se perde e se encontra nas

Ondas do tempo e dos ventos...

***

A saudade é-me o presente

do verbo do tempo, que a-nuncia,

a sílaba poiética do ser.

Rio de Janeiro(RJ), 03 de maio de 2021, 12:56 a.m.

 

 


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