ARREPIO DE VIOLINO OU VENTO GRAÇA FONTIS: PINTURA Manoel Ferreira Neto: POEMA ****


Várzeas vãs de ventos,

Várzeas de ventos vãos,

Voejam volúpias,

Volitam vertentes,

Vociferam perspectivas

Comprometo-me ao extremo,

Combino encontros a que nunca comparecerei,

Sem ajuizar-lhes a ausência de sentidos,

Pronuncio palavras vãs, falta-me o vernáculo

cujos sons despertam o signo da alma,

e dos vãos das palavras,

Minto dizendo: "Até de repente...",

Pois não há "de repente"...

A boca distingue, escolhe, julga, absorve,

Passa um arrepio de violino ou vento. Não é a morte...

No espelho, as ondas de som do silêncio desfilam,

Tocando-o, nas paredes deslizam,

Instante final, antes e depois de hoje,

Contínua vida incansável,

Onde não há pausas,

Síncopes, sonos,

Tão macio na noite é o sono,

Em cujos interstícios, sem mistificação, voo...

Acima do nível do mar uns dois mil e trezentos metros,

Sem olhar a terra abaixo, voo simplesmente...

Rio de Janeiro(RJ), 05 de maio de 2021, 07:40 a.m.

 


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