SONIA GONÇALVES ESCRITORA POETISA E CRÍTICA LITERÁRIA INTERPRETA A AUTOBIOGRAFIA DO SER E DA LIBERDADE #AS PALAVRAS E OS SONS: FINA TEIA DOS SONS# (Data de Publicação: 03 de maio de 2019) ***




Boa noite, Manoel Ferreira Neto, prazer imenso em poder lê-lo, pelo menos hoje tudo mais tranquilo, amanhã só Deus sabe rsrsr. Obra linda, linda, e o que achei muito legal? O fato de não ser tudo surreal o que diz, tratou no texto não somente do subjetivo do escritor enquanto sujeito utópico, mas do concreto, do real incluindo fatos cotidianos um tanto inapreciável como o mendigo que dorme em frente a igreja, mas quando da infinitiva esperança, da teia de seda, da luz das estrelas, do marulho do mar, fatores quais envolvem mistérios admiráveis, porém tudo dentro do campo visionário e não imaginário, uma beleza surpreendente! Parabéns meu querido, gostaria de ficar aqui escrevendo, escrevendo e tecer os mais lindos elogios, mas... Segue o barco. Sempre meus parabéns á autora da obra ilustrativa. Bjos!
Sonia Gonçalves
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Em verdade, em verdade, Soninha Son, trata-se de um sonho em demasia antigo. Sartre aos 63 anos publicou a sua autobiografia As Palavras. Em 1980, aos 24 anos, portanto, li esta obra, apaixonei-me, e desde então o sonho de também escrever a minha autobiografia. Faltam dois meses e meio para os meus 63 anos, e creio estar maduro o suficiente para esta empreitada da Metáfora do Estilo e da Linguagem. O imaginário habita esta metáfora, é imprescindível, mas o real e o concreto são sine qua non para esta abordagem e demonstração. Vamos ver se até o meu aniversário esta obra esteja realizada.
Beijos nossos, querida. Gratidão sempre por suas análises, interpretações e comentários, e sua amizade inconteste.
Manoel Ferreira Neto
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#AS PALAVRAS E OS SONS: FINA TEIA DE SEDA#
GRAÇA FONTIS: PINTURA
Manoel Ferreira Neto: AUTOBIOGRAFIA DO SER E DA LIBERDADE
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POST-SCRIPTUM:
Certo dia, numa conversa à mesa de almoço com o meu inestimável amigo e escritor memorialista, Antônio Nilzo Duarte, e sua esposa e minha querida amiga Eliete Araujo Duarte, por volta de uns nove anos, disse-lhe que um dia iria escrever a AUTOBIOGRAFIA DO SER E DA LIBERDADE, respondendo-lhe às constantes perquirições suas de minha linguagem e estilo. Estava em falta com o meu amado amigo. Aqui estou realizando apenas o primeiro capítulo desta autobiografia, que lhe dedico com amor, amizade, carinho, afeição, entrega. A obra inteira inicializo a compô-la.
Manoel Ferreira Neto
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Onde as éresis do espírito - luzes incidem no eidos do tempo, águas cristalinas re-fletem na plen-itude a graça do brilho de moléculas, seguem solitárias os caminhos. Vou desenhando as formas do infinito de minha alma.
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Não quero, acima de quaisquer verdades, abaixo de quaisquer quimeras, incomodar, aborrecer, insatisfazer os deuses e os gênios serviçais, mister deixá-los em paz, saboreando seus habitats, rodeado de suas ninfas, degustando delicioso assado de ovelha e bebendo bom vinho, e alegrar-me, satisfazer-me, aprazerar-me com a suposição - não seria melhor dizer "insinuação"? - de que a minha singular agilidade e perspicácia prática e teórica na in-vestigação, avaliação, inter-pretação das utopias da consciência e liberdade chegaram ao seu ponto culminante. Longos e inestimáveis anos levaram-me para artificiar a metáfora do estilo e da linguagem.
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Também não é intenção sine qua non imaginar que a sutileza de minha sabedoria seja tão elevada, quando ao mesmo tempo, vapt-vupt, ad-mira-me, surpreende-me tanto a esplendorosa harmonia, esplendida sintonia que surgem aquando toco o instrumento de meus idílios e devaneios, uma harmonia tão estilosa, uma sincronia tão melodiosa que mal ouso atribuí-la a mim mesmo, fora a habilidade dos dedos com as cordas e notas da subjetividade e sensibilidade; aqui e ali, lá e acolá, frente aos instantes-limites, ao lado dos absurdos e paradoxos circunstanciais, alguém toca comigo, acredito seja algum "ser do espaço" a inspirar-me a balada dos sonhos e verbos que me habitam os interstícios da alma, é o meu preferido acaso, sem ele tudo seria mera fantasia; eventualmente conduz a minha mão - com que acuidade!, com que ternura e finesse! -, surge-me estar ele ensinando-me a desenhar os sons, como se artificia as letras na palavra sendo registrada, a lírica dos ritmos, e a mais percuciente, erudita, sábia providência não poderia imaginar e conceber, gerar e dar a luz à mais sonora e bela, à balada mais suave aos ouvidos do que esta a mim doada livremente tocar com a minha mão insensata, insolente, rebelde e irreverente.
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Talvez resida no mais inconsciente - este é criativo e possui a sua lógica, da desordem vai tecendo uma ordem surpreendente -, indizível, invisível e inaudito de mim, algo do eminente Demóstenes: a implacável seriedade e sinceridade com que dirijo a minha missão, não apenas para superar-me a mim próprio, mas estabelecer virtudes e valores, e a força do golpe com o qual a cada passo e traço, a cada vez me aproprio dela; envolvo-a em minhas mãos e, ao mesmo tempo, apreendo-a como se fosse de bronze; minha arte adquiri-a nas situações e vivências, numa entrega sobrenatural, além de todas as capacidades, de todos os dons e talentos, dores, angústias e náuseas, minha arte age como natureza restaurada, reencontrada, não traz nada de discurso demonstrativo, exemplificativo como todos os baladeiros do ser e do nada, do tempo e do vazio, dos ventos e das esperanças, que oportunamente jogavam com a arte a fim de dar mostras de maestria, ser não é mostrar-se e mostrar-se não é ser. Jamais poderei avaliar o rigor e a uniformidade da vontade, do desejo, a superação que me fora necessária ao longo de minha formação, educação, tempos inestimáveis, lembrando-me do que os sábios antigos diziam: "Habent sua falta libelli", os livros possuem seu destino misterioso, o escritor, suas sendas e veredas a trilhar, a compor os seus caminhos de luz nas trevas, para poder, alfim, na maturidade, preâmbulo do crepúsculo, com alegre liberdade, fazer o necessário em cada instante da criação. Minhalma ardente dessa arte sempre ansiou vaguear sem freios na liberdade, na natureza selvagem, na meiguice insolente do inferno.
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Fina teia de seda, imagens conciliadas às contingências do finito e as esperanças trans-cendentes do Infinito, do Verbo de Ser.
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Dentro em breve retornarei a casa, tomarei uma xícara de Capuccino, à mesa da sala de jantar, lembrando-me de que saí para perambular na praia sem quaisquer intenções, apenas divagar. No momento, desejo viver com o mínimo de dispêndio, economizar os gestos, as palavras, os pensamentos, simplesmente boiar.
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Con-templ-orando divos verbos, in-finit-ivando esperanças do há-de vir que re-velem de horizontes o espírito da alma, o ser de desejos, alvorece a fé que se esplende pelos vales, abismos, essência-eidos da vida... Silêncio... Solidão... Luz de estrelas, marulhar doce das águas, melodia constante do vento, onde os paráclitos da felicidade - na lareira as chamas ardentes aquecem os volos da alma, pensamentos longínquos, nas asas da águia a perspectivar o infinito, o tempo já não mais existe.
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Sinto que os segundos me fogem por entre os dedos. Respiro a plenos pulmões, porque o ar do mar revigora: apenas a respiração regular, profunda, como a de quem dorme, confirma que estou vivo, e que inicializo a compor um sonho de longos anos, a metáfora da linguagem e do estilo.
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Tudo na vida são sentimentos, emoções, pers da sensibilidade, retros da subjetividade. Olhos de águias, linces do porvir, límpida, cristalina visão do pleno, peren-itude do ser que, na continuidade das buscas das éresis da estética e do amor à beleza, dimensão espiritual única que trans-eleva a contingência aos auspícios da luz que ressurrecta o espírito do absoluto, refaz-lhe, re-nova-lhe, re-cria-lhe, re-inventa-lhe, não sendo apenas a senda de aproximação, mas veredas da vivência.
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Fina teia de seda... crepúsculo à luz do vir-a-ser de verbos que numinem o alvorecer do Ser e da Liberdade.
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Quê lindo olhar de dentro a vida do espírito, sentir-lhe nos seus interstícios, nos seus âmagos plenos, carícias, toques. Gostoso o amor de dentro visualizando o éden das primícias dos jardins, cujas flores exalam o perfume do eterno pré-figurado, pós-figurado de sinestesias do belo, da estesia.
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Mais lindo ainda quando a visão é plena, visualizo a manhã alvorecendo, um passarinho pousado na amurada, saudando a manhã, os raios de sol, o brilho do dia, os rostos das pessoas no trânsito das alamedas, ruas, avenidas, o bêbado deitado na calça dormindo, o mendigo na porta da igreja com o seu pratinho esperando a esmola que lhe garantirá o pão e o café, um marmitex no botequim, olhar-me no espelho, saber se estou bonito, se estou feio, se os cabelos estão embranquecendo. Visão de dentro, visão de fora. Absoluto do olhar. Quem sente, em verdade, estes olhos, sente profundo a vida, o olhar no ser de olhar.
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O mar agora está cor de ardósia, sobe lentamente. Esta noite atingirá a maré cheia.
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Olhar a vida na sua éresis da beleza, da natureza, das montanhas, a vida enfim. O resultado é o sentimento de elevação, de crescimento interior. As palavras e os sons da vida na continuidade de suas aspirações e desejos da beleza e da arte.
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Fina teia de seda...
#RIODEJANEIRO#, 03 DE MAIO DE 2019#

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