#A HORA DE NADA EDIFICA O TEMPLO# Graça Fontis: PINTURA Manoel Ferreira Neto: SÁTIRA ***
Epígrafes:
"A
hora de nada edifica o templo."(Graça Fontis)
"A
Arte balbucia segredos..."(Graça Fontis)
***
Vós, oh
digníssimos contemporâneos, ausentes e faltosos a este instante-já de
in-vestigação dos arrependimentos, remorsos por não haver ao menos concebido
uma fantasia do que se tornaria a hora de nada, não devaneasse nos
acontecimentos quotidianos, acompanhados de suas sombras pretéritas, não tendes
ínfima noção da "sofrência" que desemboca nos cofres e labirintos do
inconsciente, dor que alucina desde as instintivas entranhas das sensações
fúnebres ou divinas ao estilo de "se intimidais com o nada que se prontifica
e presentifica-se, não tendes sentido o vazio dos amplexos...", realizado
sob a efusão dos prazeres a impulsionar a inspiração de até a catapulta das
moléstias abstrate as doenças maléficas...
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Rides vós
com toda a embófia que vos é peculiar, dizendo eu que não sentir o vazio dos
amplexos tem como raiz intimidar-vos com o nada, em primeira instância é falta
de senso sentir esta reação com a presença dele, nada é nada, embora esta fala
não diz coisa alguma, em segunda, não sentir o vazio dos amplexos, se o amplexo
é demonstração de carinho e afeto pela ação de apertar entre os braços, sentir
o vazio dos amplexos é que resulta em intimidação. Ride o quanto vos bastardes,
mas não sentir o calor dos braços enlaçar-nos, mostrando sentimentos, o valor e
o reconhecimento sentidos, é enorme, são sensações e sentimentos
ininteligíveis, a desolação, o abandono, a solidão que surgem, e para não estar
de frente, sem quaisquer trafulhas da mente e inconsciente, o melhor é pensar
que a arte do nada balbucia segredos, até mesmo as razões de serem exacerbados
ou quase que inexistentes.
***
Não seria
a hora do nada edificar o templo. A indagação percuciente nestas instâncias é a
quantas resumem as idéias postas em questão de sentir o vazio dos amplexos, não
significando hajam escafedido para sítio sobremodo distante, em definitivo não,
mas as inúmeras faces em que se revela, pois que aquando estiveram ausentes por
motivo não explícito e inteligível, multiplicaram-se, desdobraram-se, outras
dimensões inda mais agudas, e se intuídas, percebidas, proporcionarão seus
valores sensíveis, emocionais, psíquicos, sentimentais serão mais profundos...
Posso afiançar-vos que se resumem em muito poucas, sentir com as prefundos da
alma este vazio. Se a arte balbucia segredos inestimáveis da contingência em
todos as suas dimensões, imagens, sons, palavras de muita força, embalsamados,
explodindo na alva futuras verdades inda desconhecidas, segredos capazes de
edificar outro destino, o vazio dos amplexos sussurra as carências.
***
Não me
fora tão complexo assim traçar as linhas disto de "A hora do nada edifica
templos" e "A Arte balbucia segredos." O insuportável riso que
esboçastes vós na face, tendo me dirigido aos ausentes e faltosos, quando
deveria fazê-lo em termos de vós que estais presentes, seguindo a dor
alucinante, desvairada, desde as instintivas entranhas das sensações fúnebres,
os arrependimentos, remorsos; os ausentes e faltosos é que merecem atenção
exclusiva, não estão presentes por que se intimidam com o nada, não sentem o
vazio dos amplexos, enquanto nós reunidos aqui nesta sala, após de jogarmos
pôquer, esta digressão é o nosso alento. Edificamos o nosso templo, nessa fase
gloriosa, de contradições extintas, mundo sem classe e imposto, já nos sentimos
tranquilos, serenos, levamos a vida na flauta, do áspero silêncio um pouco
ficou...
***
Devo
agradecer-vos pela finesse de ouvirem-me com toda a atenção, buscando
compreender-me, pois que tudo se assemelha a alguém quem ficou por toda a vida
calado, só pensando, e quando abriu a boca, ninguém queria ouvi-lo, explodiu a
bomba da verborreia, e agora digo o que me vem à cachola, sem pensar, sem
refletir, até tropeçando nas palavras, saem poucochito engroladas; noutras
instâncias dos tempos, já me haveriam silenciado com olhar de banda, só saem
coisas desconexas de minha boca. Agradeço-vos a atenção dispensada. O que
amaria explicitar, explicar que há em mim um instinto jamais satisfeito e mais
forte que a efusão dos prazeres a impulsionar a inspiração de até a catapulta das
moléstias abstrate as doenças maléficas, com os conhecimentos de que disponho,
e que é a urticária contra a nobreza das idéias elaboradas, pensamentos
artificiados, sou adepto da efusão dos prazeres a impulsionar a inspiração de
até a catapulta das moléstias abstrate as doenças maléficas e por intermédio do
instinto jamais satisfeito e forte olhar o mundo e as coisas com desdém...
#RIO DE
JANEIRO(RJ), 02 DE JUNHO DE 2020, 10:07 a.m.#

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