#A HORA DE NADA EDIFICA O TEMPLO# Graça Fontis: PINTURA Manoel Ferreira Neto: SÁTIRA ***




Epígrafes:


"A hora de nada edifica o templo."(Graça Fontis)


"A Arte balbucia segredos..."(Graça Fontis)
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Vós, oh digníssimos contemporâneos, ausentes e faltosos a este instante-já de in-vestigação dos arrependimentos, remorsos por não haver ao menos concebido uma fantasia do que se tornaria a hora de nada, não devaneasse nos acontecimentos quotidianos, acompanhados de suas sombras pretéritas, não tendes ínfima noção da "sofrência" que desemboca nos cofres e labirintos do inconsciente, dor que alucina desde as instintivas entranhas das sensações fúnebres ou divinas ao estilo de "se intimidais com o nada que se prontifica e presentifica-se, não tendes sentido o vazio dos amplexos...", realizado sob a efusão dos prazeres a impulsionar a inspiração de até a catapulta das moléstias abstrate as doenças maléficas...
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Rides vós com toda a embófia que vos é peculiar, dizendo eu que não sentir o vazio dos amplexos tem como raiz intimidar-vos com o nada, em primeira instância é falta de senso sentir esta reação com a presença dele, nada é nada, embora esta fala não diz coisa alguma, em segunda, não sentir o vazio dos amplexos, se o amplexo é demonstração de carinho e afeto pela ação de apertar entre os braços, sentir o vazio dos amplexos é que resulta em intimidação. Ride o quanto vos bastardes, mas não sentir o calor dos braços enlaçar-nos, mostrando sentimentos, o valor e o reconhecimento sentidos, é enorme, são sensações e sentimentos ininteligíveis, a desolação, o abandono, a solidão que surgem, e para não estar de frente, sem quaisquer trafulhas da mente e inconsciente, o melhor é pensar que a arte do nada balbucia segredos, até mesmo as razões de serem exacerbados ou quase que inexistentes.
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Não seria a hora do nada edificar o templo. A indagação percuciente nestas instâncias é a quantas resumem as idéias postas em questão de sentir o vazio dos amplexos, não significando hajam escafedido para sítio sobremodo distante, em definitivo não, mas as inúmeras faces em que se revela, pois que aquando estiveram ausentes por motivo não explícito e inteligível, multiplicaram-se, desdobraram-se, outras dimensões inda mais agudas, e se intuídas, percebidas, proporcionarão seus valores sensíveis, emocionais, psíquicos, sentimentais serão mais profundos... Posso afiançar-vos que se resumem em muito poucas, sentir com as prefundos da alma este vazio. Se a arte balbucia segredos inestimáveis da contingência em todos as suas dimensões, imagens, sons, palavras de muita força, embalsamados, explodindo na alva futuras verdades inda desconhecidas, segredos capazes de edificar outro destino, o vazio dos amplexos sussurra as carências.
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Não me fora tão complexo assim traçar as linhas disto de "A hora do nada edifica templos" e "A Arte balbucia segredos." O insuportável riso que esboçastes vós na face, tendo me dirigido aos ausentes e faltosos, quando deveria fazê-lo em termos de vós que estais presentes, seguindo a dor alucinante, desvairada, desde as instintivas entranhas das sensações fúnebres, os arrependimentos, remorsos; os ausentes e faltosos é que merecem atenção exclusiva, não estão presentes por que se intimidam com o nada, não sentem o vazio dos amplexos, enquanto nós reunidos aqui nesta sala, após de jogarmos pôquer, esta digressão é o nosso alento. Edificamos o nosso templo, nessa fase gloriosa, de contradições extintas, mundo sem classe e imposto, já nos sentimos tranquilos, serenos, levamos a vida na flauta, do áspero silêncio um pouco ficou...
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Devo agradecer-vos pela finesse de ouvirem-me com toda a atenção, buscando compreender-me, pois que tudo se assemelha a alguém quem ficou por toda a vida calado, só pensando, e quando abriu a boca, ninguém queria ouvi-lo, explodiu a bomba da verborreia, e agora digo o que me vem à cachola, sem pensar, sem refletir, até tropeçando nas palavras, saem poucochito engroladas; noutras instâncias dos tempos, já me haveriam silenciado com olhar de banda, só saem coisas desconexas de minha boca. Agradeço-vos a atenção dispensada. O que amaria explicitar, explicar que há em mim um instinto jamais satisfeito e mais forte que a efusão dos prazeres a impulsionar a inspiração de até a catapulta das moléstias abstrate as doenças maléficas, com os conhecimentos de que disponho, e que é a urticária contra a nobreza das idéias elaboradas, pensamentos artificiados, sou adepto da efusão dos prazeres a impulsionar a inspiração de até a catapulta das moléstias abstrate as doenças maléficas e por intermédio do instinto jamais satisfeito e forte olhar o mundo e as coisas com desdém...


#RIO DE JANEIRO(RJ), 02 DE JUNHO DE 2020, 10:07 a.m.#

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