COMENTÁRIO DE Ana Júlia Machado ESCRITORA POETISA E CRÍTICA LITERÁRIA SOBRE O POEMA //*POEMA-ARTE*// (Data de Publicação: 23 de outubro de 2014) ***
Manoel,
neste poema optou por declamar Ovídio. Deu primazia a um desfecho que não
inerente aos sofrimentos. Elegendo mencionar Ovídio, quiçá se reveja mais neste
poeta romano.
***
Públio
Ovídio Naso, conhecido como Ovídio nos países de língua portuguesa, foi um
trovador romano que é mais público como o autor de Heroides, Amores, e Ars
Amatoria.
Residia
uma vida de vadiagem, sendo respeitado por toda a Roma antiga como um enorme
vate. No ano 8 d.C., foi deportado de Roma pelo imperador Augusto. Não é
conhecida a razão do exílio, mas muito possivelmente pelo sua ligação num
melindre com Júlia, a neta do imperador, e o caso plausível deste haver achado
impudico seus alvitres em Ars Amatoria deve ter cooperado para o sucedimento.
Antes de falecer, compunha aquela que seria o seu derradeiro feito, Haliêutica,
baseando-se na arte da pesca; Caio Plínio Segundo credenciava que este era mais
uma conduta de distração de Ovídio, que não havia qualquer utilidade pelo
assunto analisado. Ovídio faleceu no ano 17 em Tomis (atual Constança na
Romênia). Hoje, o país julga Ovídio o principal trovador romeno.
Mais uma
vez, se averigua que não estás comigo, estás contra mim, e destrói-se a vida de
um ser que deixou marcas de herói, após o decesso.
***
*POEMA-ARTE*
Futuro de
não-ser, completo de hostis reflexos
Memórias,
anamneses
De em
alguma parte apetites do verso -dom
Do zunido
de ímpetos trespassando o ser do período,
De em
outros lugares expectativas da versificação- sentimento belo
Observar
o igual flúmen de lágrimas puras, vítreas
Sete
vezes.
A
festividade é funesta; formam-se, baila-se.
A
fisionomia me liquefaz as ideias
Que
amputam com instrumento de folha metálica amolado meu ido e vindoiro
E me
solto cingido, emaranhado na lice de meiguices
Desmemoriado
no distanciamento que me inibe.
Minh
´alma é frouxa, tranquila
E se afaz
a todos os trejeitos
Do
físico.
***
A
festividade é funesta.
E mais
que funesto divulga-se o tempo.
Mundo
desabitado, repleto de gradações do imperecível
Luxúrias,
arrebatamentos
Não
constituo poemas que cadenciam expectativas e eventualidades
Dos
sofrimentos da alma lobrigando mais longe das serranias
Os
transitórios do desvelo, a transitoriedade dos devaneios
Que
procedem a escuridão sustada no patamar dos evos.
O bailado
é anedótico; escarnece-se, cascalha-se, as antefaces são Poácea vivaz
Os olhos
desmaiem as representações
Que se
declaram escurecidas de xises do inacreditável
E me
largo desempenhando o plano de ação de risíveis
Aos olhos
da assistência alienada de meias-tintas da circunstância.
***
Minh
‘alma é emotiva, débil
Melindra-se
a tragicomédia de fantasias e honras da autoridade.
Como um
demente recito Ovídio
Ao
inverso de declamar poesia que verseja a inerência
Dos
padecimentos.
Ana Júlia
Machado.
***
*POEMA-ARTE*
Horizonte
de nada, pleno de ad-versas imagens
Lembranças,
recordações
De
algures desejos do poema-arte
Do sibilo
de ventos perpassando o ser do tempo,
De
alhures esperanças do soneto-estesia
Contemplar
o mesmo rio de águas límpidas, cristalinas
Sete
vezes.
A festa é
trágica; performa-se, dança-se.
A face me
dissolve os pensamentos
Que
cortam com lâmina afiada meu passado e futuro
E me
deixo envolvido, entrelaçado na teia de ternuras
Esquecido
na distância que me tolhe.
Minh´alma
é flácida, plácida
E se
amolda a todos os gestos
Do corpo.
***
A festa é
trágica.
E mais
que trágico revela-se o tempo.
Uni-verso
vazio, cheio de nuanças do eterno
Volúpias,
êxtases
Não
componho versos que ritmam esperanças e con-tingências
Das dores
da alma vislumbrando além das montanhas
Os
efêmeros da vigília, a efemeridade dos sonhos
Que
des-cendem a noite suspensa no limiar das etern-itudes.
O baile é
cômico; ri-se, gargalha-se, as máscaras são hilárias.
Os olhos
desfacelam as imagens
Que se
a-nunciam neblinadas de enigmas do inaudito
E me
deixo performando o cenário de ridículos
Aos olhos
da platéia alucinada de de hipocrisias da condição.
***
Minh´alma
é sensível, frágil
Ressente
a tragicomédia de quimeras e glórias do poder.
Como um
louco declamo Ovídio
Ao invés
de re-versar poema que versifica a imanência
Dos
sofrimentos.
Manoel
Ferreira.
#RIO DE
JANEIRO(RJ), 03 DE JUNHO DE 2020, 08:11 A.M.#

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