INERENTE À PÁGINA DOS SONHOS GRAÇA FONTIS: PINTURA Manoel Ferreira Neto: PROSA




POST-SCRIPTUM:


Ontem, 06 de junho de 2019, começamos nossa comemoração de três anos de vida conjugal e de companheiros das artes, cheguei ao Rio de Janeiro dia 02 de julho de 2016.


Aqui uma prosa como meu primeiro MIMO desta COMEMORAÇÃO, uma re-presentação de nossas vidas juntos. Beijos no coração sempre!


Com direito às palavras sem sentido, inconseqüentes, destituídas de valor, apenas para continuar as experiências, não importando se enriquecedoras, se inúteis, constitutivas ou o que lhes habita, o eidos da existência dos homens no mundo, suas condições e contingências, ou de algo.não há o que dizer, o espírito é de inexpressão. Creio que não se trata de uma fase, pois que, fosse-o, me sentiria enorme vazio, nada se revelaria, nada se manifestaria, seriam pensamentos fúteis, idéias em vão. Não se trata de um processo, pois que os sentimentos se sucedem, inúmeros movimentam as buscas e sonhos. Trata-se unicamente de uma refazenda do íntimo, dizendo respeito ás muitas experiências vividas num curto espaço de tempo, se bem me lembro aquando começara são três anos, tempo de considerar a tese, a antítese, a síntese de duas vidas que decidiram juntas uma andança de mãos dadas, mostrei-as a todas de modos e estilos diferentes, e agora não estou conseguindo vislumbrar as palavras que dizem acerca de estar repensando a vida, refazendo as trilhas do caminho a ser percorrido, as buscas de entregas e doações que acalentem a jornada da vida, encontrei novos horizontes, a andada de mãos dadas com a doce companheira à busca de nossos sonhos e esperanças, necessito sabê-los e realizá-los com engenhosidade.


Interessante isto de eu não estar sendo capaz de criar uma emoção, um sentimento ávidos de volúpia por sonhar infinitas fantasias, ilusões, quimeras, um espírito perspicaz o traduz como uma possibilidade de mergulho nas reentrâncias do coração, descobrindo assim seu merecimento das glórias, merecimentos, graças, sem dúvida o reconhecimento. Em nada estando a dizer, não há espíritos perspicazes a interpretar o desconhecido, embora sentissem a proximidade de algo inusitado, renovado, a anunciação de um tempo em que as alegrias e contentamentos se revezam, misturam-se, revelam imagens plenas de sentido e de vida.


A pá nada lavra, permanece inerte encostada à parede num canto do quarto de bugigangas, sabendo desde a eternidade toda de suas inúmeras tentativas de algo lavrar, tudo resultando em nada. Olho-a de soslaio, a sua inércia absoluta chega a incomodar-me, mas finjo que estou apenas sem o que fazer, não me interessa lavrar coisa alguma. Permaneço de lábios selados, ouço unicamente a respiração um pouco prejudicada pelo hábito do fumo. Incomoda-me que a palavra não reflita a inércia da pá, não imagina a solidão do homem, do indivíduo, quem a utilizou de todos os modos e estilos, desfrutou bem dos resultados e conquistas.
Não sei o que será de mim daqui a pouco, aquando me levantar desta poltrona, sair deste quarto. Andarei em absoluto vazio, temo até que me seja possível não haver um único pensamento, nada consiga pensar, aliás, condição aspirada e esperada por homens sedentos de completo mergulho no espírito, um distanciamento do mundo, dos homens, das coisas. Estes homens por toda a vida sonharam com a ausência total de palavras em suas mentes, espremeram os miolos no sentido de as fazer desaparecer, e nenhum até o presente nada conseguiu de suas façanhas, ficando o gosto desenxabido de uma tentativa sem resultados.


Em pensando que atingirei este momento, após me levantar desta poltrona, por longo tempo estive desejando encontrar palavras que preenchessem não o vazio, mas a multiplicidade de tantos desejos, vontades, acima de tudo uma palavra única que definisse a razão de ultimamente estar apenas em contacto com a inexpressão do que me vai no espírito, no íntimo, na alma. Não diria ser uma insatisfação de não ver os sonhos concretizados, os sonhos que há no amor, pois que vivo e experimento este amor em todos os segundos, hoje sei que amo de verdade, enfim compreendi vez por todas que o amor só vive de entrega e doações.


Em verdade, deixei-me em absoluto livre, não importando se o que penso ou pensei teve ou tem um sentido, merece ser investigado para uma compreensão mais profunda dos mistérios da condição humana; deixei-me em palavras que julgo serem vulgares, tomando em consideração as circunstâncias, palavras destituídas de mensagens, de reflexões que transcendem ao tempo e às montanhas e águas que saem das entranhas, perpassam as reentrâncias das utopias e ilusões do coração.


Se ora decido fazer um inventário, em termos de deixar um testamento sobre tudo o que surgiu no espírito, enquanto me deixei livre, deixei-me em palavras, perpassou a alma sedenta de liberdade e de compreensão da volúpia às insinuosas inerências, nada tenho em mãos que revele esta realidade, aliás, creio que nada existe; em verdade, nada pensei ou senti. São as palavras que o dizem, assim mesmo aos olhos de quem as interpreta, dá-lhes sentidos e imagens inúmeros, aos olhos de quem deseja desenvolver suas experiências a partir de uma idéia mostrada, de um pensamento identificado. Quis apenas não estar sentado à poltrona, olhando o tempo e o espaço, distante de tudo e de todos; quis apenas deixar os pensamentos fluírem com espontaneidade, as alusões e insinuações da alma fossem inerentes a estes pensamentos; desejei que ela se mostrasse bem voluptuosa de outros horizontes além, ultrapassando as fronteiras e limites de todos os sensos comuns e falta de senso total; senti mui profundo e presente o instante a a-nunciação da volúpia de mostrar-lhe o verbo deste amor, o sentimento verdadeiro da entrega, da doação, das utopias do entrelaçamento das mãos e a vida de amor, carinho, afeição, ternura, compreensão, entendimento, embora as mazelas, pitis da condição e natureza humanas, voar quimeras e ilusões, pintá-las nas nuvens, escrevê-las na terra.


Se é verdade que ando sem muito a dizer, as palavras não lavram os minérios que necessitam ser ajustados, digo que talvez em breve possa encontrar inspiração que compense este tempo perdido, queria falar-te e mostrar-te os sentimentos que em mim perpassam por ti, queria colocar-te em mãos o amor sinto por ti, passearmos na beira do mar, não ser apenas através de palavras que posso fazê-lo, ser re-presentante de nossa comunhão, o "NÓS", verbalizando, com efeito.
A imensa alegria e doces felicidades que sinto presentes e fortes na alma são as recordações desde nosso encontro: o que se mantenho na memória, a nossa andada nas estradas, nas rodovias, bosques, ruas, avenidas, os sentimentos que fomos criando e estabelecendo juntos.


#riodejaneiro#, 07 de junho de 2019#

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