#SENÁCULO DE PANGARÉS# - II TOMO #UTOPIA DO ASNO NO SERTÃO MINEIRO#- GRAÇA FONTIS: PINTURA/Manoel Ferreira Neto: ROMANCE



CAPÍTULO XI - BAGAS DE INFIÉIS E IMBECIS - PARTE IV


Confesso-vos que jamais encontrei um mendigo analfabeto lendo ou fingindo ler Crime e Castigo de Dostoiévski. Ah, sim, encontrais um modo de instigar-me os instintos, porque o mendigo não é analfa, o que há de diferente de vós os pangarés, ou seja por que nos falta é o “beto”, ah sim, pensais que não o sabíeis, desde todo o sempre venho indagando aos botões da camisa de manga longa, é porque não temos condições de compreender o grego, é língua estrangeira, das mais complexas, a mãe de todas as línguas. Mas o mendigo sabe o que é grego, conhece-o ipsis litteris, só não fala. Sabichão!... Merece uma cadeira no Pantheon da mendiga intelectualidade ou da intelectual mendiga, não sei mais distinguir alhos de bugalhos, desculpai-me senhores com a infidelidade com o que penso e sinto, mas há-de ser considerado o momento de o realizar a contento, quando fui bastante audaz com algumas idéias que fervilhavam nas entrelinhas e além-linhas deste discurso, cuidado com o trato fino com as palavras para não me envolver com os alhos e bugalhos de algumas crenças muito profundas que me habitam, esperanças de outros tempos outros que não estes de pangarelices sem sentido, quanto ao lengalenga das idiotices e mesquinharias, quando o que nos falta mesmo é sabêreis vós que ser o pangarético que salvará toda a humanidade de todas as tolices de idéias sem sal e tempero, que nada servem para considerar a fundo, apenas na superficialidade. Pangarelices às serpentes...


Merece ler o escritor russo, entendendo suas mensagens e utopias do espírito, e na sua alucinação ser ele quem a escreveu. O Pantheon do Mendigo Dostoiévski... Jamais precisei isto.
Sabendo que não sou quem se ouve e entende com facilidade, o que escrevo exige um conhecimento anterior, decidi, então, num estilo poético, mostrar ao leitor como vai compreendendo o que se lhe é dado a ler nestas ou naquelas circunstâncias. Não é verdade que um chifrudo se põe, às vezes, a pensar em seus chifres, o ridículo que isto significara para ele, suas dores, angústias, depressões, seus sofrimentos? Não é verdade que alguém que não é casado, tem namorada, se ponha às vezes a analisar se isto acontecesse com ele, embora resposta neste sentido não vá encontrar nem nas trevas?


Pensemos um ou outro, ambos, de um modo bem cínico, e atrás deste cinismo muitas coisas interessantes surgem na mente, aprende-se a assumir as situações, superá-las. Com efeito, é a vergonha que envela as volúpias mais presentes, sobretudo quando se está numa situação em que está lendo algo que diz respeito ao adultério, ao preconceito social chamado “chifre”, o que isto importa, se estou tocando na sua ferida, você está lendo, só você sente as suas dores, ninguém mais as sente, ninguém as sabe, nem se interessa em saber, e quem sabe só cuida de fazer comentários nas esquinas e nos salões, só isto.


Antes de nada, deixai-me esclarecer que assim estou me expressando, por saber que não são pangarés quaisquer, quem dos quaisquer iria ter estômago para ouvir tantas besteiras, a maioria venerando como se fossem coisas muitas importantes, tivessem alguma profundidade, nada mesmo, apenas a habilidade de expressar com as letras, este dom e talento que me fora dado para estar aqui dando o meu testemunho de nossa nodernidade, com sinceridade perdera as rédeas, anda desembestada pelas ruas calçadas de pedras.


Sóis pangarés de valores, podem entendem o que estou dizendo, as minhas intenções de agradecimento por esta oportunidade... Enfim, recebi o dom ou tive a oportunidade de discursar num senáculo, devendo sentir-me alegre e satisfeito, o ramo de venda de privada para os finos gostos proporcionou tais privilégios, juntamente com o dom das palavras que tenho nos dedos das mãos.


Esqueceram-me em páginas anteriores as palavras referentes que iria, noutra dimensão do olhar pangarético para algumas situações humanas, suas condutas e posturas, iria comentar a respeito de algo: não espero mesmo que possam os humanos compreender-me com tanta sabedoria quanto vós, caríssimos pangarés, analfas e analfabetos, personalidades e autoridades no ramo das coisas pangaréticas, com direito a concorrência, safadeza nos negócios, aliás espero que me ouçam com carinho e dedicação, pois que me dediquei por toda a vida em busca da espiritualidade pangarética.


Ora, aí, no caso de haver eu rasgado todos os verbos, dito na cara do leitor o que penso e sinto dele, quanta sensação de vergonha, de humilhação, as palavras de ter sido desmascarado deste modo! Agora, muitos irão saber. Pergunto: há nomes? Há referências que indicam ser esta ou aquela pessoa? Nada disso há. Não digo para ninguém em especial.


Continua sendo quem está lendo, quem passou por esta situação, sabendo a dor que isto significa, se alguém não souber, tanto melhor, só alguns sabem, e isto não quer dizer coisa alguma, o passado, o presente pode ser outro. Às vezes, torna-se sobremodo difícil de escrever, pois pode suscitar muitas situações complicadas, sendo que a coisa nem fora construída como isto ou aquilo aconteceu, houve sim indicações. São as interpretações preconceituosas. Há um sentimento de paz num chifre que nos é posto, o interessante é que ele só se revela após a consciência irreversível e incontestável desta atitude, desta virtude de acordo com o pensamento e ação de alguns homens, aquando são eles que ostentam em suas cabeças o par, às vezes pontiagudo, às vezes roliço apenas; mas em se tratando de serem as mulheres quem os fazem ostentar tais nobres ornamentos, após a consciência vem sempre o sentimento de paz, enfim suas atitudes estão justificadas, as mulheres também agem do mesmo modo.
Manoel Ferreira Neto
(JUNHO DE 2005)


(#RIODEJANEIRO#, 06 DE SETEMBRO DE 2018)


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