#AFORISMO 1035/ NA FLORAÇÃO DOS SONHOS MAIS ÍNTIMOS# - GRAÇA FONTIS: PINTURA/Manoel Ferreira Neto: DESENHO E AFORISMO
Fonte
de um nasc-ente misticismo. Aceitar a vastidão do que não conhecia eu - para
mim aceitar requeria conhecer inda que poucochinho uma coisa. Eu que sempre
temi o escuro, medo inestimável, indescritível, não me embrenharia no
desconhecido. E nada conhecia dessa vastidão, ultrapassava a intuição, a
percepção. A vastidão me confiava toda, com segredos de confessionário.
A
verdade se torna, ou deveria dizer conforme os silêncios e sombras de minha
instintiv-idade, cujos silêncios íntimos nada são senão algo que impulsiona,
relincha no ser ásnico de mim a verdade se mostra e se torna...
Estava
permanentemente ocupado em querer e não querer ser o que era, não me decidia
por qual de mim, todo eu por inteiro é que não podia. Ter nascido era cheio de
erros a corrigir, de equívocos a desfazer, de enganos a restaurar, de pitis a
re-considerar a contradição entre a dor sentida e a imagem sentida da dor,
re-considerar e re-levar, conforme os sentimentos que no fundo deles mesmos
são. Mais fácil não ter nascido - por que a vida e não o nada? Tomava intuitivo
cuidado com o que eu era, que não sabia o que era, com vaidade e muito orgulho
cultivava a integridade da ignorância.
Quando,
mais tarde, isto de querer e não querer ser o que era reverteu-se em memória e
deflagrou sentimentos metafísicos no que me habitava, saber o que era e o que
não era era imprescindível, era parte do sujeito, pois as aparências tem sua
necessária contraparte de realidade, muitas metafísicas teriam necessidade de
um douto ou sábio para serem entendidas plenamente. Quem o douto? quem o sábio
para mas tornar inteligíveis, para mas tornar compreensíveis? O douto e/ou o
sábio seriam/seria os caminhos do campo, mesclados de desejos, sonhos,
esperanças, utopias - e pensava que não se decifra as metafísicas, não se lhes
torna inteligíveis e racionais, vive-se-lhes, patenteia a vida com elas, diria
ser a bússola para o encontro do Ser.
-
-Oh, Lucio! Nestas minhas mãos o criei, e por que não?!
Outras
anunciações de luzes, sons e palavras, traços, imagens, pintura, e toda u´a luz
e sombra a serem vistas e sentidas no âmago, o alimento que clamo, rogo e
arrogo aos deuses mais profundos de meus instintos e olhares de esguelha para
as coisas antes e enquanto acontecendo, depois de acontecidas e as perquirições
do sentido e significado, símbolos, e dentro destes a id-ent-idade de outras,
digamos, tonalidades de toques e mãos, estrelas e o universo a cobri-lhes de
luz e raios, os sons criados e inventados, ouvidos, auscultados, escutados sob
as palavras que enfeitam e deslumbram esta metáfora, para não dizerem os
humanos que não tocara eu minuto sequer na questão de minhas criações e
relinchos sobre o nada que me habita.
O
que é isto - deixar de lado, desconhecer os caminhos da roça, caminhos que
todos trilham, seguir o próprio caminho. Abrem-se todas as palavras do ser:
todo o ser quer tornar-se palavra, todo o devir quer que lhe ensine a falar. Na
jornada que desferem, silentes e melancólicas, rumo da eternidade, eles apenas
res-pondem (se acaso é res-ponder a mistérios, enigmas, segredos, somar-lhes um
mistério mais alto: amar, depois de perder. Perdeu-se-me a integridade da
ignorância, mister querer ser o que era, o amor pelos caminhos do campo iluminou
as sendas e veredas. Amor é rir a um título de livro que brilha.
O
que seduz para além da estesia é fonte de misticismo, os prazeres criam raízes,
o que é obscuro no olhar encontra explicação, o espírito floresce na floração
dos sonhos mais íntimos.
(**RIO
DE JANEIRO**, 04 DE SETEMBRO DE 2018)

Comentários
Postar um comentário