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**EVENTO DO ETERNO - III PARTE** - Manoel Ferreira

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O que de perto interessa nessas páginas, o que torna a sua leitura a um só tempo desnorteante e apaixonante, é que se vêem luzir, na proximidade, sim, dessa nova inspiração “judaica”, de um lado e de outro desse fio judaico esticado acima do abismo criado por seu próprio pensamento arruinado, outras teses, outros conceitos. Dentro de um quadro conceitual em que liberdade e escolha, projeto e meta, situação e ser são definidos da forma como vimos, os conceitos de “causalidade”, “movimento” e “tempo” devem ser igualmente definidos de tal modo que o discurso existencialista não seja desintegrado, mas, ao contrário, se intensifique. A linguagem do determinismo é enfaticamente rejeitada e temos uma definição de causalidade como: “a apreensão do “aparecido” antes que apareça, como ser já ali em sua própria nadidade, assim como preparar seu aparecimento”. A partir desse ponto, vai apenas um passo para dizer que o tempo universal como vacilação presente; já no passado ele nada...

**EVENTO DO ETERNO - II PARTE** - Manoel Ferreira

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O cristianismo des-mascarou o antropomorfismo do politeísmo pagão e o substituiu pelo monoteísmo de um Deus pessoal. Por outro lado, a Esquerda Hegeliana des-mascarou o antropocentrismo radical do monoteísmo cristão e o substituiu pelo materialismo ateu de uma humanidade desalienada. Por mais diversos e inversos que sejam, um e outro esforço se fizeram e se fazem na força da mesma estrutura onto-teo-lógica da metafísica. Questionar a originariedade do politeísmo, monoteísmo e materialismo, quanto à divindade de Deus e quanto à humanidade do homem, não significa tentar em vão fazer regredir ou progredir a história. Significa seguir o apelo cairológico, de pensar o processo histórico à luz da Verdade enigmática do Ser. A passagem que conduz do Deus impessoal dos filósofos ao Deus pessoal do cristianismo, esta passagem considerada à luz da Verdade esquecida do Sagrado é tão ilusória como a passagem, que leva do humanismo da substância ao humanismo do sujeito. Heidegger lemb...

**EVENTO DO ETERNO - I PARTE** - Manoel Ferreira

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Há paralelos notáveis entre o pensamento de Sartre e o pensamento do Apóstolo Paulo . Há quem chegue a falar de uma influência, ainda que indireta. Paulo influenciara Agostinho, que, por sua vez, teria influenciado Lutero, que teria influenciado Kierkegaard, que teria influenciado Sartre. De fato, há, no pensamento de ambos, uma idéia de liberdade radical que exige do homem uma responsabilidade também radical, que é a base de uma fé verdadeira e libertadora. Em a Cerimônia do Adeus, Simone Beauvoir apresenta inúmeras entrevistas que aconteceram entre ela e Sartre; numa delas é-lhe perguntado como se realizara a passagem da liberdade individual à idéia de liberdade social? A liberdade refere-se ao todo uno da existência humana, ainda que esse todo uno se exerça na extensão espacial e duração temporal. A liberdade, enquanto faculdade de o sujeito decidir sobre si próprio como todo e uno, não é evidentemente faculdade que se situe por detrás da temporalidade meramente fís...