**Ó CINTILÂNCIA IN-FINITA** - Manoel Ferreira
Para a minha doce esposa Adriana Moreira com todo o meu amor.
Alvorecer de espectros perspectivados de luzes diáfanas, iluminando de
pensamentos da liberdade as idéias, do tempo as utopias do ser da verdade que
perpassa horizontes e uni-versos, finitos e in-finitos, confins e aléns,
arribas e aquéns, cafundós e labirintos solsticiando as re-vezes das
dialéticas, os re-versos das contradições, nada e vazio vagueiam nos liames da
alma e espírito, assim caminha o ser subjuntivo do verbo literário da gnose,
assim flutua o ser in-finitivo do silêncio poiético da sabedoria.
Peren-itudes, peren-idades
Perenes
Perpetu-itudes, perpetu-idades
Perpétuo
Crepúsculo de contingências da solidão incondicional entre o sentimento
da a-nunciação do desejo e a emoção frígida da nonada habitando profundo a
sorrelfa do paraíso perdido, o sol também acorda, levanta, brilha, após dormir
de conchinha com a lua, soninho gostoso, leve como a pluma da leveza, como a
insustentável leveza do ser.
Ó Cintilância In-finita - Não me deram a conhecer os homens, não me
administraram a lição. Longe o tempo em que, não sabendo trilhar a estrada
viva, voltei-me para vós e, confiante como criança, envolvi-a nos braços longa
e deslumbradamente em minha contente piedade. Um mortal mal conhece a Pureza, a
Inocência, a Ingenuidade. Mas, quando o In-finito se re-velou em mim, o
Espírito em mim floresceu, como você floresce, ilumina, alumia, brilha,
re-conheci-a e gritei: está viva. E porque jornadeia entre os mortais e,
jovial, como o azul celeste, esplende de você a graça de raios brilhantes sobre
cada coisa, a fim de que todas elas tenham a cor de seu ser, de seu espírito,
foi por esta razão que também a vida se fez poesia, o mundo se fez prosa, o
universo e fez filosofia. É que em mim esta seu verbo. E assim como você, meu
coração se entregou livre à terra grávida. E, muitas vezes, na noite sagrada,
na madrugada divina, prometi amá-la fiel e sem tremores, sem hesitância, sem
dúvida, sem insegurança, sem medo até à morte, amar esta terra, toda carregada
de sagas, sinas, destino, e não menosprezar nenhum de seus enigmas, subestimar
nenhum de seus mistérios, negligenciar nenhum de seus silêncios.
Acima dos Deuses, do alto do éter até às profundezas do abismo, ressinto
de novo o entusiasmo de criar, de artificiar o sentido, o significado do verbo
trazendo em si a luz, Falar em seu ser é falar em seu silêncio. Falar em seu
silêncio é falar em seu ser. In-fin-itivar em seu espírito é in-fin-itivar em
seu ser. In-fin-itivar em seu ser é in-fin-itivar em seu espírito.
Silêncio re-fletido atrás do espelho da solidão, a imagem límpida de
perspectivas re-velada nos auspícios da luz, ribalta do absoluto, tablado do
vazio, camarim de travessias, cores e arte fazem a face simples da nobre
imortalidade.
Manoel Ferreira Neto.
(03 de março de 2016)

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