**LUCIANA NOBRE - ESTRELA VÉSPER DA POESIA** - Manoel Ferreira


O ec-sistir é plen-itude de "acontecimentos", "acontecimentos" inter-ligados ao que é trazido dentro da alma, luzes que iluminam os desejos, volos, utopias da verdade, sonhos do que há-de ser outros horizontes, assim mister re-colhê-los, a-colhê-los, realizá-los em consonância, sin-cronia, sin-tonia e harmonia com o que sentimos a Vida ser, com o nosso Ser. Acontecimentos des-ligados, a parte, des-associados de nossa realidade, acontecimentos tergi-versados de quaisquer sentidos, puros nonsenses, que nos deixam perdidos, des-crentes de qualquer futural esperança, angustiando-nos, entristecendo-nos, deixando nós górdios na garganta. Flutua-se, fica-se suspenso entre a in-verdade e a esperança. Sente-se profundamente a des-istência da vida, o entregar-se a tudo, seguir os vagões da con-tingência para lugar algum. Mas a poetisa, apesar disto que percebe, intui com trans-parência, "busca abrigo nos céus", céus representando seus ideais, seus sonhos, suas esperanças, suas utopias, supremo desejo da plen-itude do ser, "mais precisamente na lua", símbolo, signo, metáfora da espiritualidade, da sensibilidade, da poesia, do brilho do ser, ninguém lhe ouve os ais, mas se alimenta, se nutre, eiva-se do espírito do sonho, e com eles compõe nos seus versos e estrofes,outros horizontes, outros cafundós, outros confins, rega a vida de sentimentos e emoções, sensações do pleno e da plen-itude. Aguarda no tempo, "esse inventor de destinos", a poiésis de seu ser, poiésis que a gravitará, fa-la-á flutuar, voar na dimensão de suas verdades, na dimensão de sua espiritualidade, não mais sentindo a terra pesada, sem entender o que estava acontecendo, o que acontecendo. A poesia de Luciana Nobre é concebida nas con-tingências da ec-sistência, trans-cende ao mergulhar nos interstícios da alma, nos recônditos do espírito, narrando e des-crevendo poeticamente as viagens, as travessias à trans-cendência, trans-elevando-se ao in-audito do ser, o ser, então, sendo pura sensibilidade, pura leveza, a verdade de seu ser se lhe re-vela, a vida se essencializa, a poetisa versa, verseja, versifica a sua caminhada, a sua jornada à busca das etern-itudes. Poeta é trans-cendência. Luciana Nobre suprassume a trans-cendência, trans-eleva-se ao além, evangeliza o ser da poesia, espiritualiza o seu ser, è Luciana Nobre. Luciana Nobre é luz que numina o espírito da Vida. Nasce uma Estrela Vesper no universo da poesia.



Manoel Ferreira Neto.
(03 de março de 2016)



Gravitando



Tenho vez por outra a impressão
De que não vivo
Flutuo
Entre um acontecer
E uma desistência da vida
Desligada que é
Costurada em retalhos de tanto faz
Faz
Faz isso comigo a vida
Enquanto permaneço nua
Buscando abrigo nos céus
Mais precisamente na lua
Sem quem me ouça os ais...



Perecer
Anoitecer
Ser



Assim deve me aguardar
O tempo
Esse inventor de destinos
Flutuando
Ciente e inflexível
Agulha da existência



Costuro versos
Flutuo
Aguardando a vez que se foi
E me deixou na Terra
Pesada e sem entender



Luciana Nobre


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