**IPSIS VERBIS - REVISADO** - Manoel Ferreira


Quem sois vós? Vós - ah, quem sois? Sois quem - vós? Quem vós - sois?
Sou o ser da carne de verbos que à luz das etern-itudes do efêmero res-plandece horizontes e uni-versos, esplende confins e ad-jacências, sarapalha arribas e cafundós, sugando as nuances do tempo, alimentando de seivas do absoluto os interstícios do desejo do pleno, do eterno os recônditos da esperança da Verdade.
Somos verbos do ser que, ao longo das alamedas dos sonhos, são o eidos das esperanças do eterno de sabedorias e conhecimentos, assim construindo a leveza do espírito, a alma re-fazendo-se, re-novando-se de sentimentos e emoções, re-fazendo-se de ex-tases e volúpias, bailando ao som do vir-a-ser será face do sublime.
Sou as querenças da plen-itude, do amor que em todas as suas dimensões trans-cendentes e con-tingentes alumiam as nonadas das melancolias, nostalgias, as travessias das angústias, tristezas, a vida são as ribaltas do encontro, da entrega, da felicidade.
Quem - vós sois? Sois quem - vós? Vós sois - quem? Vós - quem sois?
Sou subjuntivos pretéritos do efêmero que, no ocaso dos instantes-limites, con-templam as arribas do inaudito, vislumbram o frontispício da aurora, quando no des-vorecer do arco-íris de cores vivas e hiper brilhantes perdem a hegemonia, e no crepúsculo do verbo ser recitam o cântico da fé ao verbo do absoluto que nas bordas do ser suspira de anseios do belo, da beleza.
Somos o silêncio, a solidão da alma nos interstícios dos pretéritos que rogam a flor de cactus, vida agitada, clamam os lírios do campo, o silvestre dos pampas, a leveza das estrelas cintilando o auspício das montanhas, a simplicidade da lua alimentando os solitários corações com o romantismo da entrega sensível e plena do amor.
Somos o deserto dos mistérios e enigmas do sendo na continuidade das re-fazendas e re-nascimentos sempre à luz do nunca-jamais, perscrutando as miríades do perpétuo(anti-além do perene nada)...
Na manhã de luzes e pré-núncios, saudar o místico momento da fresta no horizonte imortal e divino da lua na noite calada, infinito do uni-verso numinado de “harmonia de cores”, sin-cronia de traços a pincelarem imagens germinadas, sin-fonia de imagens a res-plandecerem de beleza as sendas perdidas, signos de esplendor e eterno nos liames do espírito, desde o sentir do sono, do êxtase, desde o sonho ao sono, instante de sedução, brilho das estrelas e da lua, “pedras sagradas”, cristais, diamantes e ouro que rimam palavras sutis com o éden de luzes e lilases, inspiradas na rede que balança nas gerais “utopias cristãs”.
“A sina de ser”, o destino de cont-ingenciar o quotidiano, o elo de todas as coisas, flores são espetáculos da natureza, liberdades são cenas eivadas de ternura e carinho, "instante de sedução”, querer brincar com estrelas, correr campos, velejar, beber a sede das ruas, queimar a luz do luar, lavrar o corpo no grito.
Signo de metáforas nascidas de vigília e palavras a pincelarem imagens do imortal e divino a preencherem os vazios da falta de ser, "manque-d´être”, da ausência de alegria e prazeres, pedras sagradas, diamantes profanos que rimam palavras sutis, que ritmam dores são sentimentos de luz inspirados no brilho das estrelas e da lua mineiras.
A chama da lareira, fora de mim, ganha e traduz coisas que ainda não conheço, o desejo de fazê-lo existe latente, saber-lhe a diferença entre ser e ec-sistir.
Se re-conheço conhecê-las, revisto-as de espaço interno, espaço que tem seu ser em mim, que tem seu sentido em mim, que me habita o mais íntimo e profundo; cerco-as com sentimentos de agressividade e violência.
Não têm limites, não se tornam realmente conhecimento senão quando se ordenam no coração de minha renúncia, no âmago de minha indiferença, no seio de meu desprezo, nos olhares críticos, cínicos, sarcásticos, irônicos, enviesados na presença do absoluto de todas as coisas, na verdade de todos os sonhos e utopias.
Através de mim, alçam vôos as palavras de mim, palavras que re-colhem e a-colhem a presença da chama, a chama que em mim cresce, as águas que me impulsionam a re-fletir a plen-itude, a peren-itude da vida na experiência do verbo do amor, na vivência do amor pelo verbo por vir carne.
Flores, folhas secas; tristezas, melancolias, nostalgias plenas, nada. Se é que se pode acreditar os horizontes se perderam no abismo do tempo, os universos mergulharam ipsis verbis na imensidão dos pretéritos do não-ser, mister olhar de banda na direção do infinito as sorrelfas que se esvaecem simples na passagem de ventos de leste, sentindo nos interstícios da alma o vazio, o ipsis do nada, recolher e acolher o silêncio nítido e nulo que paire solene nos perenes sítios do azul celeste, deambular, perambular nas margens insípidas das estradas, dormindo ao léu do chapadão, acordando com o trinado dos pássaros, a sonora fresta da natureza, prosseguir a jornada de sem beiras e eiras, sem pórticos partidos para o impossível. Vida ser o inaudito do não-ser - quê litteris desolação, quê ipsis desconsolo.



Manoel Ferreira Neto.
(01 de março de 2015)


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