SONIA GONÇALVES ESCRITORA POETISA E CRÍTICA LITERÁRIA COMENTA O AFORISMO 752 /**FUTURISMO DE CORES ULTRA DILACERANTES AD-JACENTES AO IN-VERNO**/
Bom dia, Manoel Ferreira Neto saudades sempre de comentar-te, mas
ultimamente passo por aqui voando literalmente.Contudo, o prazer de ler-te é
imenso, primeiro quero comentar a arte da Graça, que lindo! Ficou uma
perfeição! Quanto ao texto, magnificamente belo, texto deslumbrante como
sempre, você expondo seus pontos de vista literários e os sentimentos que lhe
assombram o pensamento e acende a filosofia d'alma tua. Estou contigo, que
sejam proteladas a melancolia, sejam adiadas as carências, vigorem os bons
sabores da existência do ser, principalmente no que concerne às artes, o poeta
Manoel no meu entender se mostra um pouco ilha de si mesmo, quando diz está só
povoado por si, creio que essa solidão é almática e sim existem coisas que não
contamos nem a nós mesmos, sob risco de perder aquele fio de esperança que nos
alimenta o viver. Há um elo muito enigmático entre o silêncio e o pensamento do
escritor e´ como se fossem alas interligadas nas quais os devaneios passeiam
interminavelmente, pode até ser que esteja enganada, mas está sim repleto de
nostalgia e ansiedade esse texto, achei em cada entrelinha prosada. Mas claro
que isso só nos incita a leitura e nos sugestiona tentando adivinhar o que o
escritor estava realmente sentido na hora em que se despe perante o universo.
Parabéns pelo lindo texto Manoel...Bjoss.
Sonia Gonçalves
Certa vez, caríssima escritora, poetisa e crítica literária, Sonia
Gonçalves, perguntou-me você como me sentia, sendo um escritor erudito, andando
nas páginas do Facebook com a Literatura e a Poesia sem quaisquer princípios
literários, poéticos, a "contemporaneidade do nada", deveria
sentir-me incomodado. Não me lembra a mim a resposta ao seu questionamento.
Nesta crítica de sua autoria agora, você se refere à "solidão
almática", "ilha de si mesmo". Bem... Na verdade, na verdade,
sinto-me uma ilha neste universo virtual onde não há quaisquer princípios
literários e poéticos, onde não há qualquer estética, estando isto nas mãos de
poucos, muito poucos, a contar literalmente nos dedos das mãos, verdadeiros
escritores e poetas. Numa ilha também se encontra "almas gêmeas", e
felizmente encontrei-as e com elas vou seguindo os meus passos. Mesmo em
companhia destas almas gêmeas sinto-me sozinho, solitário, mas faço desta
solidão fundamento de minha Literatura, Filosofia, Poesia. Nietzsche mesmo diz
que o escritor, poeta, filósofo precisam da solidão para criar, para fazer
Arte.
Vale ressaltar: o homem não se sente só no mundo, o homem vive muito
feliz e realizado com a sua esposa e companheira, degustando cada instante de
sua vida com ela, vive feliz e realizado com os poucos amigos que tem, amigos
verdadeiros e leais. Mas como disse, e com categoria, é "solidão
almática", todo o meu percurso, decurso existencial sempre foi solitário,
o primeiro amigo só aconteceu aos vinte e sete anos, e após trinta anos de
amizade, silenciei-me, afastei-me definitivamente dele, por questões intelectuais,
divergências de pensamento. No mais, os amigos presentes a cada instante foram
os livros, a busca de conhecimento, de sabedoria, de intelectualidade. E só
depois de haver realizado um pouco do conhecimento a que aspirava é que
encontrei a minha companheira, a minha esposa, e os amigos leais, a "fina
nata" da lealdade, fidelidade, do sentimento de amizade, da sincronia,
harmonia, sintonia cultural e intelectual.
É um texto nostálgico, melancólico sim, mas é uma visão pretérita da
existência em todos os seus momentos conciliada ao instante presente. Não uma
auto-biografia, mas um estudo da "solidão almática."
E finalizando a minha resposta à sua crítica, tomo em mãos, como
fundamento desta resposta, um excerto do Aforismo 751 "ASSIM FALAVA O GURU
FESMONE": "Pertenço à solidão, hoje. Falsos valores, hipócritas
virtudes, palavras ilusórias: são estas as desgraças deslavadas dos mortais, a
fatalidade ressona, dorme, tira soneca neles." A "ILHA DE MIM
MESMO" é esta, e é real.
Meus sinceros cumprimentos e Muchas Gracias pelo reconhecimento e
amizade.
Beijos nossos!!!
Manoel Ferreira Neto
#AFORISMO 752/
FUTURISMO DE CORES ULTRA DILACERANTES AD-JACENTES AO IN-VERNO#
GRAÇA FONTIS: PINTURA
Manoel Ferreira Neto: AFORISMO
É no silêncio que ec-sisto, aprenderei outra linguagem? É na solidão que
prolongo os dias, aprenderei outro estilo? Não há palavras ainda para
inv-"ent"-ar o mundo novo. Não há inda metáforas ou metafísica para
abranger os interstícios do novo homem. Não há sentidos ainda para re-velar o
outro dos sonhos, utopias, dos verbos que hão-de ser. Estou só, horrivelmente
povoado de mim. Existir é simplesmente estar pres-"ente"?
Pres-"ente" a que? Os entes permitem que os encontre, mas não se pode
deduzi-los.
Silêncio de morte perpassando instantes de vida. A morte do silêncio não
cabe nos raios de luz da solidão. A luz da solidão não é prosa da ausência,
forclusion. Não é poesia do ato falho, do manque-d´être. Não é prenúncio do
infortúnio. O deserto do tempo na poesia do verbo concebe a regência do
sublime. Solidão do silêncio pres-en-ifica movimentos de ideais.
Protelem-se as melancolias, posterguem-se as nostalgias, suprassumem-se
as saudades. Crepitem as achas de lenhas na lareira das etern-itudes. Incinerem-se
as páginas vazias de razões e sentimentos do ad-vir. Des-amarrem os corações do
romantismo do amor não correspondido, e mesmo do romantismo do amor plenamente
correspondido. Des-algemem as almas do subjetivismo da liberdade de vislumbrar
o horizonte de costas para o universo da beleza do belo, do esplendor da magia
da pureza.
Prosa de solidão silenciando a música da luz, sonorizando os rituais
místicos e míticos, erudição que epigrafa de letras góticas o símbolo, signos
supremos do absoluto, linguística de sons e silêncio que epitetam o
expressionismo e o simbolismo, acordando de notas altissonantes o último
vernáculo de lácias sin-estesias, metáforas que cintilam inter-ditas de volos,
querências, desejâncias da esperança primeva do apocalipse incongruente de
raios cintilantes de sombras, brumas, trevas. Poema de pura música da luz não
se escreve no crepúsculo povoado de memórias do ad-vir, lembranças do além,
recordações do absoluto que des-velam in totum mistérios, enigmas e segredos do
verbo sob a luz da carne que se arde de volúpias, êxtases, prazeres, gozos,
clímax. Prosa de singela luz da música não se epitafia na madrugada de solidão,
do silêncio, presentes todas as carências. Simbolo de sin-estesias sin-crônicas
com o realismo das desesperanças da liberdade, da alma na morte das ilusões,
quimeras e sorrelfas da plen-itude in-fin-itiva da felicidade suprema. O nada
morre, morre nas defectivas sinuosidade do abismo pleno de ressonância da
vacuidade. Erudição sensitiva ao conhecimento lógico para aniquilar o
raciocínio presente, erigindo-o a um raciocínio não só da mente, mas do Ser por
completo.
Última letra do vernáculo de erudição. Derradeira palavra do classicismo
de perfeições estéticas. Signo de metafísicas sin-tônicas com o futurismo de cores
ultra dilacerantes ad-jacentes ao in-verno que re-versa a carência do amor.
Ontem de quem me fui carente de silêncio, solidão. Ontem de quem me
pres-ent-ificavam poemas, prosas, vislumbrando o nonsense de tudo que é
perfeito, essência.
Tirando as vestes, nu diante do tempo e dos universos. Conservando os
óculos escuros, o chapéu branco de malandro.
(**RIO DE JANEIRO**, 14 DE MAIO DE 2018)

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