#AFORISMO 746/ PROSA ANTI-ESTÉTICA# - GRAÇA FONTIS: ESCULTURA/ARTE ILUSTRATIVA/Manoel Ferreira Neto: AFORISMO
Pers de liberdade...
Enroscadas, as experiências se multiplicaram, trazendo novo sentimento
de memórias, outros moventes e trans-literalizações. Toda essa pena para
registar um gesto que de tão sensível e frágil jamais se modela, performa-se,
zona de desejo selada por olhares circunspectos, um homem se con-templa sem
sonhos, insone despe-se sem qualquer curiosidade. Ótimo seria captá-las e
compô-las num todo sábio, posto que sensíveis: uma luz, uma alegria baixando
sobre o peito saqueado. Não é dado saber se a vida é ou foi - o que me é
havido: curva de um jardim, pupilas que refletem renúncia às coisas eleitas,
uma inteligência do uni-verso. Myriads de signos sobre a página de um
testemunho deixado para a posteridade sob a forma de uma partitura crescem cada
vez mais no sentido de uma esperança imediata, no estilo de uma re-presentação
o mais intolerável e o mais ab-surdo destino, julgando cada vez mais lúcido as
enérgicas tentativas de trazer à luz o futuro distante.
Pers de liberdade...
Solsticiadas de neblina, lembranças, re-cordações nubladas de
sentimentos e emoções esplendidos ao tempo a fora querências trans-elevadas ao
ser das travessias, desejâncias trans-projetadas ao verbo in-finitivo das
passagens da sombra do sol posto ao silêncio dormindo a sono solto, à música da
vida orquestrando de ritmos suaves e divinos, ao céu cristalino alevantando
onde em lágrimas vive eternamente os olhos piedosos, se neles des-cobrir posso
a piedade que entre peitos humanos não des-cobri, melodia serena sentimentos
que brotam em reboada, a estrela tem luz própria, a estrada tem trilhas
peculiares, singulares, a vida é só um instante, é só um momento, voar ouvindo
a melodia do vento... a melodia do violino fala a minha linguagem de volúpias e
ex-tases des-afinados, contrariando todas as semânticas e linguísticas,
trans-mitindo palavras, sentires além desejos sensoriais do espiritual, além
clímax sensacional dos sonhos do amor, além elo do ser perfeito.
Pers de liberdade...
Pectivadas de inverno embevecido de estrelas dançantes onde o In-finito
entrelaça sentido ardente à liberdade do presente que ficou volátil, à solta,
às águas claras onde a lua nada deliciada na essência do ser, elas são
infinitas, no trans-curso do tempo são o oceano cultivando as delicias de serem
ondas em direção à praia, movimentos cadenciados da parassíntese em profusão e
deleite, a atmosfera oceânica convida ao sonho, ao recolhimento, o luar
maravilha com cores de sonho o in-finitivo do além, no outro lado do oceano as
flores são mais exuberantes, perfumes extasiantes, coração e inspiração entram
em ascese rumo ao cerne do Verbo nos interstícios entre as vozes silenciosas
silenciadas de silêncios e os silêncios sussurrados de sussurros bemóis.
Pers de liberdade...
Pectivadas de primaveras subconscientes amando o frescor do silvestre da
Verdade, aquele que só à felicidade conduz, sinestesia, monotonia, poesia que
versejam a imagem em palavras que despetalam as rimas do amor, estrofes
orvalhadas de signos e miragens da alma em incógnita prece de perscrutar o horizonte
sublimado, perpetuado à prosa estética in-versa à fantasia que vitaliza o olhar
e dá alegria à serenidade melódica do amor eterno.
(**RIO DE JANEIRO**, 10 DE MAIO DE 2018)

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