SONIA GONÇALVES ESCRITORA POETISA E CRÍTICA LITERÁRIA COMENTA O AFORISMO 804 /**O VELHO E O MAR**/
Parabéns por mais esse, parabéns à Graça pela arte maravilhosa, e as
demais críticas se assim o desejam, mas eu já lhe disse não sou crítica manu,
apenas na sua visão amigável nada mais.Agradeço mesmo assim sempre.Grata pelo
carinho e parabéns a todos!Bjos Linda tarde.
Sonia Gonçalves
E uma crítica diferente: sintetiza o seu jeitinho de ser sensível e a
visão intelectual da obra. Esta síntese eu já não consigo como crítico, ser
sensível-objetivo, sou subjetivo-objetivo. Cada crítico tem a sua caraterística
sine qua non, esta é a sua característica. O tempo vai elaborando e burilando
mais e mais.
Abraços nossos.
Manoel Ferreira Neto
AFORISMO 804/
O VELHO E O MAR**
GRAÇA FONTIS: PINTURA/ARTE ILUSTRATIVA
Manoel Ferreira Neto
A todas as minhas críticas, Graça Fontis, Ana Júlia Machado, Sonia
Gonçalves, Maria Isabel Cunha, este Aforismo dedico em nome de minhas
re-leituras de suas críticas da minha obra, neste PROJETO #INTERCÂMBIO CULTURAL
E INTELECTUAL#, a publicação de suas críticas de outros tempos, o que hoje
des-cubro, des-velo, des-vendo nelas que abrem leques a outros passos,
ousadias, liberdade e responsabilidade com esta jornada de através das letras,
das palavras, dar-me nascimento, criar-me, educar-me nisto de uma caminhada sem
fim, sem respostas, apenas luzes de outras sendas e veredas, à busca do Ser,
envolvido na dialética do efêmero e eterno; da jornada mágica nos braços de
minha amada e querida companheira das letras, construirmos com nossas obras a
ARTE DO VERSO-UNO, que tanto vocês incentivam.
Aqui os nossos sentimentos de amizade e agradecimento a todas vocês
pelas análises sempre leais e fiéis aos textos, poemas, aforismos, críticas,
ensaios, que sempre alimentam o sonho do Verbo Ser.
Aquele abraço nosso, de Graça Fontis e meu!
Epígrafe:
Hoje, não escreveria esta obra. Nalguma curva do tempo, tudo isto
esvaecer-se-ia. (Manoel Ferreira Neto)
Só – sem esta solidão sem limites, sem este silêncio sem deserto e
arrebiques, sem esta mudez sem confins, sem esta nonada sem travessias e
partidas pontes.
Mentir com a verdade em mãos é estranho. Não estou só: há a solidão, há
o silêncio, há a mudez, há a nonada. Estou muitíssimo bem acompanhado.
Ante a luz que ilumina o quarto, olhares enviesados à grade, sensações
re-versadas ao horizonte além, ante a escuridão da janela aberta, a fumaça do
cigarro entre-dedos, tragando o não-ser, expelindo o que há-de vir... Vozes
sussurram-me palavras quase ininteligíveis, quase destituídas de símbolos e
sílabas, os sentimentos perpassam-me, nascem e re-nascem espontaneamente, as
emoções divagam além das fronteiras de defectivos verbos, aquém dos abismos das
metáforas do espírito...
Meus sais, onde estarei sem a solidão que me acompanha? Em que montanhas
trilharei meus passos sem o silêncio que em mim habita?
Eternidade de idéias cobre-me em seu manto de sonhos, utopias, cada
vazio em mim de desejos preencho horizontes e uni-versos, de êxtases a-colho
infin-itudes do finito, de clímaces re-colho fin-itudes do infinito, de
volúpias con-templo a clar-itude sideral do universo, de estesias lanço à
peren-itude a poética do espaço... das maresias guardo no olfato as delícias do
odor, e de volúpias em volúpias das mimesis re-crio um instante em que senti a
maresia nas narinas...
Sou quem sou vivendo-me, vivenciando-me por inteiro. Nesta madrugada
silenciosa, não se ouve o ladrar dos cães, dormem, descansam das vadiagens do
dia à cata de ossos e lixos que reviram à busca do que lhes matar a fome...
“Vigilio” os longos dias, longas noites dentro, desejos, vontades, sonhos, utopias,
dores, sofrimentos, culpas, fracassos, frustrações, decepções, e sempre a
esperança de nova aurora, quando o amanhecer ilumina o coração de amor, e
sempre a chama ardente da alma em busca do crepúsculo, quando a melancolia,
nostalgia se envolvem no espírito de outros sonhos e utopias.
O silêncio no seu canto encolhido espera ser re-colhido e a-colhido, e
de manhã distancia-se. Por que caminhos anda, por que trilhas dá seus passos, e
passo a passo cada passo é um passo? E na madrugada triste, angustiada, aparece
no seu canto envolto em outros desejos e vontades que trouxe de suas andanças,
espera a minha palavra, e eu o deixo sozinho, sonhando outros amanhãs,
dis-sonhando outros outroras e gêneses, pers-sonhando outros apocalipses e
gênesis.
Sem este desejo inerente ao espírito de refletir-me nestas páginas
brancas de papel, de nestas letras reunir os pedaços de mim, de nestes
sentimentos comungar os instantes de mim, de nestas emoções enlaçar os abraços
dados e recebidos, de nestas utopias ser artífice de um tempo, oh, tempo,
águias atravessam os horizontes, e no uni-verso de suas asas são sonhos,
desejos, liberdade, são esperanças de fé, de amor, entre os homens, a
humanidade - que são os únicos que me ouvem no silêncio de meus sorrisos e
lágrimas. Os companheiros de minhas solidões. Espalhados por todos os tempos de
outrora, de ontens olvidados; Sem esta angústia encalacrada no peito, sem esta
tristeza que desconheço as razões, sem esta depressão que, embora os motivos me
sejam transparentes, deixam-me no sangue a essência da incólume insônia; sem
esse medo, meu Deus, sem esse medo de sucumbir diante da visão das verdades em
mim trago dentro
ante a visão do desejo de amor, de ser amado, amar.
Estes homens que não apenas sussurram, cochicham, murmuram palavras
esplendorosas de amor, ternura, carinho, dedicação; não apenas escrevem lindos,
maravilhosos poemas d´amor dirigidos à amada, confessando-lhe a paixão
devassadora, avassaladora, na realidade são apenas palavras, são desejos de
encantar olhos que buscam no deserto um pingo das águas da esperança, uma folha
verde respingada de orvalho da fé. São vivências, experiências à cata de
poesia, de luz nos seus versos e estrofes, em sua musicalidade, em seu acorde
de paraísos e eldorados, tornando-nos viajantes que a cada passo em outros
campos, trilhas, cidades, esperamos o entardecer, a noite, madrugada, que
conversam com o silêncio e roga-lhe o prazer, felicidade de sua palavra. Amo
estes homens - meu Deus, como os amo – que dizem a verdade de seus sentimentos,
não importando se em dialeto caipira, se em sotaque sertanejo, linguagem
chinfrim, português erudito; refletem nas palavras ditas, escritas, o amor que
sentem, vivenciam, vivem, chegando, quase, às melosidades do sentido. como eu
os amo.
Suas atitudes, seus gestos, seus silêncios! Como eu os amo, carnal,
amorosa e sensivelmente, até que descubro nas entrelinhas deste amor, o desejo
de amar e ser amado perseguiu-me pela vida, e, amando os homens que amam,
justifico o amor que não vivo, fujo desta realidade que me oprime, estilhaça-me
por inteiro, da solidão.
No açougue, onde ontem fui comprar costelinha de porco, estive
observando as mãos de um jovem que destrinçava um quarto traseiro sangrento, o
animal abatido havia pouco, enquanto a cada gesto com a faca uma nota musical
era realizada.
Era canção nostálgica, melancólica, triste, desconsolada, sua
“esperança” de liberdade, felicidade, alegria, e amor eterno, refletia em cada
palavra, verso, estrofe. e eu amei este jovem, seu canto só se faz - assim
acredito – quando com a faca na mão tira a carne dos ossos.
Às vezes, quando a madrugada me envolve por inteiro, sentindo os
segundos e minutos passarem no silêncio do relógio, o peito aberto e envolto em
ânsias e desejos, as lágrimas não derramadas, os desejos não realizados, os
compromissos não cumpridos, as dívidas não pagas, palavras, atitudes de não,
dores, sofrimentos, da aurora, do novo dia que trará novas esperanças, sinto a
alma mergulhar nos vazios, abismos, alçar vôos homéricos pelas montanhas,
florestas e mares, buscando luzes, esperanças, fé, escondidas nas dobras dos
medos, frustrações, fracassos.
Digo comigo mesmo que a madrugada é gentil, generosa, compassiva e
humana, está ligada à minha solidão, e seu desejo inerente à vida é de libertar-nos
da realidade de algemas e correntes, de revelar-nos no espírito as divinidades
que nos habitam, e são a ressurreição, redenção dos pecados capitais, para os
quais não há qualquer modo de negligenciar. E digo a mim que o silêncio é
companheiro, solidário, compassivo, está em mim, sou eu nas suas
re-presentações, a-nunciações, sou suas palavras, expressões, e sua vontade é
de me perder nele, deixar-me ser levado pelas asas da águia que atravessa,
travessia!, de re-velar-me na alma as transparências de brilhos divinos.
Mistério da noite infinita, da madrugada que anda em passos lentos em
direção aos primeiros indícios da manhã, do dia que tecerá os novos horizontes,
uni-versos...
Instante de re-colher o anzol. A cada peixe pescado, emoções e
sentimentos diferentes. A noite se apresenta... Tomar um vinho
Amanhã há-de ser outras perspectivas. Amanhã há-ser outros pensamentos e
idéias, angústias e esperanças...
Roda-viva.
(**RIO DE JANEIRO**, 31 DE MAIO DE 2018)
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