#AFORISMO 742/ VECTORIAIS VITRAIS# - GRAÇA FONTIS: PINTURA/ARTE ILUSTRATIVA/Manoel Ferreira Neto: AFORISMO
Do porto, ventando manso e frio, não me apanhasse a água da enseada que
a costa faz, para onde o mar brada e geme, indo o coração que espera e teme
alegria mui grande, para onde se estendem os sentimentos alvissareiros cortam e
fendem os bons sinais dos caminhos longos do infinito desde o início da jornada
ao verbo do tempo que alumia de todo o falso pensamento do ser, entre a
linguagem que se registra de tinta verde e o estilo que se tinge de azul, e as
miríades de idílios cingem, onde inda se não sabe que outra imagem criar do
limite ardente do mundo...
Da redenção, ressurreição, prazeres e êxtases eternos sob as belezas
suaves, serenas do amanhecer paradisíaco, sob a serenidade espiritual à sombra
onde a auréola das árvores divinas espadela a névoa que se a-nuncia à
distância, ornamento do crepúsculo - tempo que ficou nas retinas molhadas da
saudade -,
contradições, re-versos trans-versos de in-versos da genesis ofuscando
as luzes longínquas da esperança do ser, serra transparecendo na névoa como um
corpo sob a mortalha, frondes dançando ao vento e o chão re-camando-se de
pétalas emurchecidas, firmamento plúmbeo debruçando-se sobre a cidade úmida, à
soleira da etern-idade ventos perpassando no cata-vento, apelo-essência,
expressão do in-efável, embora palpável, à espreita do ser e tempo, sorrisos à
mercê das coisas hilárias, esgares de melancolia e vazio à revelia das
dialéticas da vida e morte, a lenha que re-colho para colocar na lareira
in-versando de trans-versos o in-verso.
Da chama de fogo que rasga o uni-verso da con-tingência, po-eiras
milenares trasladando os restos do verbo que se tornou carne para as
linguísticas do in-audito, para as estilísticas de mistérios e enigmas, para as
semânticas do verbo-amar e ser-verbo-de-amar, silencioso céu hibernal que até
sob o seu sol por vezes conserva silêncio, imagem divina da alma e da diabrura
da alma,
re-versando in-verso uni-verso trans-verso, auras vernais vergastam
vectoriais vitrais...
Versando perguntas ao "trans" re-vestido de cendentais
aspirações da verdade, do ab-soluto em seus trajes seculares efêmeros,
temporais, intemporais. redemoinhos emoldurando águas luminosas, águas de
espectros de brilhos nítidos e trans-parentes, vendo-lhes as moléculas, fontes
ampliando distâncias às long-itudes paradisíacas, confins às in-fin-itudes do
genesis de terras por onde de-correrem ilusões do tempo, quimeras do ser, tempo
de sentir como quem parte ou morre, tempo de in-vestigar as trevas
in-conscientes memori-literalizadas sonhos protelados de horizontes, vice-versa
ao re-verso dos liames da felicidade e do amor, res-plandescidos de
experiências e vivências no quotidiano trans-verso in-verso de re-versas
contramãos, nenhuma verdade no terreno baldio da alma, no baldio da alma
terrena, antemãos, nenhum verbo a ser conjugado nos becos de boêmios serestando
de angústias e vazios, tristezas e solidão, as estrelas efêmeras da felicidade
conciliada à roda-viva, Bem e mal re-capitulados à luz dos erros, enganos,
pecadilhos, culpas, remorsos, pecado original, dialéticas, ser e nada
re-versando de in-verso trans-verso às Bodas de Ganache serpenteadas de venenos
milenares, interesses hipócritas, farsas espúreas, falsidades viperinas.
(**RIO DE JANEIRO**, 10 DE MAIO DE 2018)

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