Ana Júlia Machado ESCRITORA E POETISA E CRÍTICA LITERÁRIA ANALISA E INTERPRETA O AFORISMO 745 /**ALÉM-MUNDO DO TEMPO ULTRA CASUALIDADES**/
Se no meio de gravidade da existência é notado, não nela própria, mas no
“além” — no nada —, então se extraiu da existência o seu meio de gravidade. A
enorme falsidade da perenidade individual aniquila toda a causa, toda intuição
natural — tudo que existe nas inspirações que faça-se salutar, reanimador, que
certifique o porvir, hoje é razão de suspeição.
Habitar de modo que a existência não possua vivido, presentemente esse é
o “sentido” da existência… Para quê a consciência pública? Para que se envaidecer
pela proveniência e antecessores? Para que coadjuvar, crer, apoquentar-se com o
conforto ecuménico e servir a ele. Outras tantas instigações, outros tantos
atalhos do benéfico trilho. — “Meramente uma realidade é essencial”… Que todo
homem, por haver um espírito imperecível, possua tanta importância quanto algum
distinto homem; que na universalidade dos seres a redenção de todo sujeito um
consiga entrosar uma gravidade eterna; que hipócritas banais e dementes possam
arquitectar que os preceitos da natureza são incessantemente infringidos sem
sua protecção — não existe como expor desdém razoável por crassidade
fortalecimento de toda índole de egocentrismos ad aeternum, até à arrogância.
E, porém, a cristandade incumbe os seus louros rigorosamente a essa execrável
subserviência de presunção individual — foi assim que aliciou ao seu lado todos
os desditosos, os insaciados, os derrotados, todo a escória e golfada da
humanidade. A redenção do espírito — em outros verbos: o mundo ronda ao meu
contorno… O tóxico credo dos direitos afins para todos foi ateado como um
princípio cristão, a partir dos esconsos mais ocultos dos ruins instintos a
cristandade peou uma peleja de fenecimento contra todas as sensibilidades de
veneração e intervalo entre os homens, ou seja, obstáculo à primeira exigência
prévia e indispensável de todo progresso, de todo aperfeiçoamento da cultura —
do ressaibo do povo engendrou seu primordial meio contra nós, contra tudo que é
bem-nascido, divertido, generoso sobre a terra, óbice à nossa dita na Terra…
Anuir a perenidade a qualquer ser foi a superior e mais libertina ignomínia à
gente bem-nascida já realizada. Hoje ninguém mais tem audácia para os
apanágios, para o dever de avassalar, para as sensibilidades de estima por si e
seus iguais — para o tipo de experiência humana ou sua representação em arte,
que invoca piedade, comiseração ou uma simpatia bondosa no assistente ou ledor,
da separação… Os sentimentos nobres foram soterrados e consumidos pela
embustice da equidade dos espíritos; e se a convicção nas prerrogativas da
maioria concebe e permanecerá a causar náuseas — é a cristandade, não
suspeitemos disso, são os valores convenientes que transformam toda a revolta
em um folguedo de seiva e flagício! A cristandade é uma insurreição de todas as
criaturas répteis em contrariedade a tudo que é sublime-
Ora bem, este texto, de Manoel Ferreira Neto Ferreira Neto, levou-me a
divagar, como sempre não sei se certo ou errado, mas penso que tudo que
verbalizo, está com certeza no texto do escritor Manoel Ferreira Neto mas por
outra via…mas, penso que uma delas é esta… em que o Cristianismo minou o ser...
o pecado… a imortalidade… enfim, muito mais,. É lógico que é baseado nos
grandes seres como: Lutero, Nietzsche e Charles Darwin, que sempre foram muito
críticos a este tipo de fé que impingiram ao ser e que logicamente a muitos não
deixou evoluir…porque colocaram umas palas nos olhos e não quiseram ver mais
nada a não ser o “nada”.
Ana Júlia Machado
#AFORISMO 745/ALÉM-MUNDO DO TEMPO ULTRA CASUALIDADES#
GRAÇA FONTIS: PINTURA
Manoel Ferreira Neto: AFORISMO
Fria é a lua, o vento silencia. Ardente é o sol. Profundo é o mundo,
mais profundo do que pensa o alvorecer. Alvorecer de panoramas, paisagens
outras pós chuvinha na madrugada. Alvorecer de visões introspectivas da alma.
Abissal é a terra, mais abissal do que pensa o crepúsculo. Incognoscível é o
bosque, mais incognoscível do que a colina banhada de raios cintilantes das
estrelas.
Equívocos pintando em filamentos de trama no reflexo de ocos e
insignificâncias do tempo, na imago adornada detrás dos horizontes, de por trás
das constelações, delírios de Capitólio. Sensibilidades que expiram o genesis
do espírito, apocalipse da alma, confiança e quimera do ente, o constante da
consciência afundar-se penetrante no transacto de isolamentos, melancolias,
saudades, nos pretéritos de desolações, vazios, preâmbulos de fatuosidades. O
imperecível de existência encarcerada na autoridade leviana de veras, ufanal,
re-nome de ninharia. Capitólio in-verso na sinuada quina rude, genuíno
pressentimento de solimão da ofídia, re-presentando o fenecimento absoluto, a
morte divina.
Fantasmas do rigor, intelecção, conspecção, abismos, aterradores da
in-existência de afectividade que declara o acontecer, re-folhamentos,
entremezes, arremedos, logros, admirares videntes de altivezes, argúcias,
manhas, subterfúgios, trambiques, tramóias, quimeras e inquirições, enodoando
alentas e crença.
Ninharia estúpida, futilidade ridícula, terriço do óbito total,
adulterando o primórdio, primevo, prólogo, cata do entendimento, afeição do
espírito, ânsia do ser, a perpetuidade, além-mundo do tempo ultra casualidades.
Devoro a transparência. Cega carnação de corrente inércia. Repuxa-me a
intensa rapidez do miserável destino, paupérrima saga. A perna surda beira os
limites do mistério. Deserto assaz exaltado. A vontade des-locada. A admiração
recomeça rios abandonados.
Aléias do peito interrompem cordas encarceradas. Concordâncias de
sentidos. Regências de significados, significantes. Ouvidos perpassam sombras.
Assombros engendram ecos. Deuses indignados percorrem aparências. Abandonado ao
repouso da foice, adormeço serpentes, durmo sacis-pererês. Trago do abismo
correntes atulhadas de mortos.
Carme de delírios, poesia de voltar a dimensionar, arte de retornar a
re-dimensionar as aspirações do ser, a casualidade nas estâncias evidentes de
habitar o imperecível registado nas cruzadas do ser à alma da consciência de
adorar o sublime, venerar a pureza, reverenciar o belo, criar a felicidade com
medo e náuseas.
(**RIO DE JANEIRO**, 13 DE MAIO DE 2018)

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