MARIA ISABEL CUNHA ESCRITORA POETISA E CRÍTICA LITERÁRIA COMENTA O AFORISMO 750 /**ÁDITO DA ENTRADA**/



Em perfeita e completa harmonia com o seu estado de alma e a vida que se apresenta calma, o escritor sente que atingiu o rumo certo do seu objetivo nas letras e, como tal, desprende-se do que o cerca e das gentes para degustar a sua solidão do sublime encontrado. Não se importa com os juízos do mundo e pensa até " edificar um lar para distinta génese " isto é agremiar-se aos que com ele se identificam nas letras. Agora , sente-se em estado de graça, que o cerca, estética e divinamente. Excelente. Parabéns. Um abraço, escritor, poeta e crítico Manoel Ferreira Neto.


Maria Isabel Cunha


Verdade sim: atingi o rumo certo do meu objetivo nas letras. O objetivo sine qua non é a verdadeira LITERATURA, a que ultrapassa os tempos e as gerações, e segue ensinando os caminhos da Humanidade do Ser. Desprendi-me das gentes sem Consciência, sem Idéias, sem Idéias, sem Projetos... Estou-me nas tintas com os juízos do mundo, a minha Consciência e Liberdade dos meus projetos são irrepreensíveis, implacáveis. Há os com quem me identifico na Literatura, os que comigo se identificam. Com eles, estou seguindo os rumos, sempre aprendendo novas lições.

Manoel Ferreira Neto
#AFORISMO 750/ÁDITO DA ENTRADA#
GRAÇA FONTIS: PINTURA
Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


Meu modo de agora, de instantânea dita, presenteia-me um deleite indomesticável como se apanhasse um escol de esquiva formosura, brotada em loco inconsolável, ao gosto da ventosidade. Meu estilo atual, de metafísicos dizeres, doa-me um refestelamento indescritível como se colhesse uma erudição de adjacentes esplendores, ao saber de chuviscos. Minha linguagem atual, de suspeitas falas, lega-me verbos suspensos no tempo, e com eles vou tecendo sentimentos e ideias do que precede a essência, a existência. O sigilo, enquanto assim possa ser designado, conceituado, retem-me num gênero de extasio, num isolamento entre os homens, num divórcio tão perfaço como o de um algar no meio da serrania.


O mundo me avalia esquivo, pérfido e adverso, errado, re-verso, in-verso, alheio, avesso, intransigente, prepotente, ovelha desgarrada(está no sangue andar sozinho por entre os homens) O meu transcorrido, isolado e sombrio. O vindouro, uma melancolia tosca que incumbia delinear em formatos toldados. Ultrapasso o ádito da entrada, importando fé, canícula e júbilo, exportando náuseas, vazios e nada. O instante travo converte-se, imediatamente, num instante bem-aventurado, num momento de júbilo.


A luz engolfa-se, condensa-se na borda fronteira do relógio - o mostrador escoa-se. No escuro, disco suspenso no nada. Caos. Som imerso no primitivo. Alucinante. Ritmos que não podem ser pensados, verbalizados.


Ando a vagar. Ventos percebidos no espírito. Palpitação de asas sobrevive no mistério, enigma. Dilatado. Esquecido de mim. Olvidado de lembranças, visões. Logo, não além da eternidade, sim aquém da contingência.


O universo imputa todo o seu progresso a sujeitos des-venturados. Os ditosos limitaram-se dentro de modelos clássicos, regressivos. Postam as mãos à terra, os pés ao céu, agradecendo a sublime inteligência e sensibilidade com que foram dotados. Possuo a intuição de que, daqui por defronte, a minha legação será cultivar sémenes de diferentes mastros, confeccionar vedações, e, quiçá mesmo no tempo propício, edificar um lar para distinta gênese, e, numa locução, conciliar-me aos preceitos e às praxes pacatas da agremiação. Meu comedimento será mais pujante do que qualquer propensão titubeante da minha parte.


Nesta hora tão repleta de receios e perplexidades, verifica-se o portento sem o qual toda existência humana é um vazio. A graça, que converte tudo real, divino e estético, descai sobre mim.


(**RIO DE JANEIRO**, 13 DE MAIO DE 2018)🦋

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