**RIBALTA DA QUERÊNCIA DE ILUMINAÇÃO** - Manoel Ferreira
Sentado no tapete silvestre do universo, observando o tempo, que se
esvaece na ampulheta dos vazios seculares e milenares, e o vento, que sibila
altissonante, levando os pretéritos in-fin-itivos das dimensões sensíveis para
o além onde as nonadas deixaram sombras pálidas do efêmero e a música dos
boêmios românticos sonoriza melancolias, nostalgias, saudades plenas do cosmos.
Sintetizados tempo e vento, à luz, inda que sem muito brilho, fraca, do efêmero
que pervaga no espaço, ao redor do sol, solitário e carente de suas travessias
ao nada, quando esplendia os indicativos dos sonhos e esperanças à mercê da fé
no eterno sarapalhados de conquistas, glórias, realizações, verbo e ser do
inaudito.
Sentindo o ar frio perpassar-me o corpo, tremblar-me a médula espinhal,
a alma se aconhegando nas bordas de seus abismos, medo e insegurança das
dimensões sensíveis que afloram, outros "outro" da espiritualidade,
sendas e veredas de seu alcance, sou quem retira o chapéu branco de listras
pretas, abaixo a cabeça, em sinal de reverência, tecendo de idéias e
pensamentos, inda que breves, esvaecentes, a ribalta da querência de iluminação
para sentir "o nada que ainda existe além do desejo trans-cendental",
aldravia da plen-itude do vir-a-ser de estrelas à margem do amora-nunciado na
modura do arco-íris que risca o céu do eterno à eternidade.
Perscrutando folhas e flores primaveris, orvalhadas da alma, pressinto
em mim miudezas de sensações que de pers em pers, iríadas em iriadas, éresis em
éresis do nã-ser nasce o in-verso precedendo o verso, é concebido de gerúndios,
particípios, in-finitivos das ilusões e idílios a-temporais a perfeita leveza
do ser .Quê sujeiras o vazio deixou nas b Ventoordas do perpétuo!
Inimaginável!... Indescritível!... Inconcebível!!! Vento algum vindo de algures
leste digna-se a soprá-las aos confins.dos horizontes. É entregar-me solene e
solícito nos braços parnasianos das insolências de saber-se desprovidos,
destituídos de essências.Entrega que não tem fin-itude.
Seria que a imperfeição perfeita alucinasse, fascinasse, extasiasse por
a perfeição ser mera quimera, imaginação fértil?
Manoel Ferreira Neto
(04 de outubro de 2016)

Comentários
Postar um comentário