ANTONIO SALES E A ESPERANÇA LUSITANA - COMENTÁRIO AO POEMA //*ESPERANÇA*// - Manoel Ferreira
Antônio Sales não revela ser este poema uma
"Ode" - poderia intitular ESPERANÇA - ODE A PORTUGAL
-, mas em toda a sua estrutura poética a alma lusitana, a alma do povo
português é representada, representa-se.
O mundo conhece e re-conhece os pilares da alma
portuguesa, SAUDADE, MELANCOLIA, NOSTALGIA, pilares estes cantados e decantados
em versos e prosas ao longo de toda a História Literária de Portugal. Mas
Antônio Sales acrescenta com sua alma e espírito poético, à excelência de dons
e talentos, mais um pilar da alma lusitana, a ESPERANÇA.
Interessante observar que Saudade, Melancolia, Nostalgia
são dimensões intrinsecamente relacionadas ao passado, mas que no interstício
da síntese delas projeta-se ao futuro, e essa projeção é a Esperança.
Portugal de glórias, Portugal de grandes feitos,
Portugal de grandes ideais, Portugal da grande Literatura, Poesia, Portugal dos
valores estéticos e éticos, Portugal de Camões, Fernando Pessoa, Virgílio
Ferreira, Guerra Junqueiro, Mário de Sá Carneiro e tantos outros. Imagino os
portugueses nos seus momentos de introspecção, contemplando o passado, estando
presente em todas essas glórias de sua Nação, olhando o presente. Presente de
grandes problemas sociais, econômicos, políticos, individuais, dificuldades e
dores, até mesmo certo pessimismo diante do futuro. Melancolias, nostalgias,
saudade não resolvem esta situação, não despertam nos lusitanos o espírito de
luta - a luta é o espírito lusitano do passado de tantas glórias.
Mas Antônio Sales mergulha fundo na alma lusitana e
revela a Esperança, que é o Verbo da Ação. Nestes versos ",
Com a intemporal fé
de nossos ideais,
Aqui estamos pois,
nem um nem dois,
mas todos neste chão
que foi de Pedro e sua Inês
Neste País de amor cantado a rodos,
Nem um, nem dois, nem três..." sentimos os lusitanos, sentimos Antônio
Sales conclamando o seu povo ao espírito de luta, reconstruir a Nação
Portuguesa, a resgatar todas as suas glórias, que poderão ser hoje ainda
maiores. "Por mares de esperanças" todos navegarem, não importando as
tempestades, não importando a braveza do mar e todos os seus habitantes perigosos.
A esperança, a fé são o Nacionalismo contemporâneo do povo lusitano. Neste
maravilhoso e profundo poema de Antônio Sales descobrimos com veemência o novo
Nacionalismo, não de glórias políticas, sociais, econômicas, mas de glórias dos
valores humanos, humanitários, glória dos ideais da solidariedade, compaixão,
glória da liberdade.
A cada dia que passa vou-me aprofundando mais e mais na alma lusitana através
da amizade com os poetas e escritores portugueses, através de suas obras
poéticas e prosaicas, filosóficas(como é o caso de Ana Júlia Machado). E
Antônio Sales neste poema ESPERANÇA reúne toda a obra dos poetas e escritores,
seus ideais, seus sonhos, suas utopias, sintetiza todos e revela a Esperança
que em todos eles está presente, e também reúne cada um dos portugueses que ele
com o seu olhar de lince observa, a esperança de um futuro promissor para a
Nação Portuguesa.
Manoel Ferreira.
ESPERANÇA - Antônio Sales
Por mares de esperanças,
Pinheiros e areais.
vejo farrapos do meu Céu
entre dunas e canaviais
Virados para a velha fábrica de naus,
ruína esventrada de calhaus,
rezamos para sulcar de novo,
nós que somos Povo
,
os Mares dos Nossos Sonhos Cruciais,
com ondas de alegria e menos ais
Ao som das harpas
ou das Celestiais liras
tirando farpas e mentiras,,
entre marés e temporais.
Com a intemporal fé
de nossos ideais,
Aqui estamos pois,
nem um nem dois,
mas todos neste chão
que foi de Pedro e sua Inês
Neste País de amor cantado a rodos,
Nem um, nem dois, nem três,
Mas todos, nós, todos vocês
Barcas, naus, batéis, caravelas,
umas melhores outras mais belas
vogando em brancos-espuma
enfunando velas na esperançosa bruma,
em cofres de agua reinventados,
pintados por sois,
riscando a Boa Esperança,
em finos bordados,
de mágicos lençóis
de branco alinhavados
Apoiados agora e sempre nelas,
nas nossas penas,
grandes, pequenas,
loiras,amarelas
vermelhas, morenas,
Sem cor, a tirar a dor,
a escrever amor,
na rosa dos melhores ventos
gravando fundo
os mais altos pensamentos.
Para que eles se cumpram,
Para que eles floresçam
como jardins e permaneçam
em novos e mais belos Mundos
e tenha valido a pena
estas sentidas preces,
estes desejos profundos
contidas nos poemas
que agora e sempre
graças a todos,
aqui sempre acontecem!

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