**COMENTÁRIO DA POETISA ESCRITORA ANA JÚLIA MACHADO AO POEMA //**DEUS E MEFISTÓFELES**//


Quem não sabe soltar o Belzebu? Mas ao soltar que seja sem correntes.
Estes animaizinhos se são carinhosos quando abocanham-…
Muitas vezes gostava de soltar muitos demónios a muita gente.
Mas após uma meditação digo para mim. Para quê? Ser uma insciente como elas?
Elejo a lambada da luva branca. Já o fiz. Não vou endrominar. Mas a vida ensinou-me a labutar com os ignotos. Por muito que às vezes doa.
Escolho permanecer entre o satanás e o Divo. Não por dissimulação nem mendacidade, mas para me economizar a mim própria.
E como diz, nesta vida somos todos mesmo uns desacompanhados, residimos na insularidade
Jornadeamos ao lado de muita multidão, mas debulhamos entre eles e os obstáculos.
Não pretendo ser uma diocesana da manada, mas não deixo de estar inserida nela.
E o melhor é realmente o silêncio no meio do gado. Não vale a pena abocanhá-los, porque não sei quem sai a granjear, Com o meu silêncio ganho eu.
Com Mefistófeles (figura que surgiu na idade média, reencarnação do mal, aliado ao Lucifer, não deixou de ser uma personagem chave de um escritor Alemão von Goethe, portanto um adepto seu para se tornar um eminente escritor, e inclusive analista de pensamentos), ou com Deus, prefiro estar no meio. É que por vezes nem com o Satanás nem com Divo quero estar de mal. Assim quiçá, o nó nem ate nem desate…digo eu…



Ana Júlia Machado.



*DEUS E MEFISTÓFELES?*



Li com percuciência e contentamento na alma
Poema da amiga Maria Fernandes,
Dizendo que sabe soltar os cães
- não disse se com as correntes e tudo o mais -,
E afiar bem os dentes dos animaizinhos tão ternos.



Inspiro-me neste poema...
Por que é tão difícil às pessoas entenderem
Que somos todos solitários, vivemos a nossa solidão?
Ser homem é ser sozinho no mundo,
É andar solitário entre os homens,
No meio das coisas, dos objetos.
Nomeamos os amigos, os íntimos, os companheiros de estrada,
Mas por alguma identificação sensível com eles.



Quem não sabe na história
Todas as vezes que os intelectuais, artistas
Resolveram conviver com Deus e Mefistófeles,
Odiaram a humanidade, a raça humana?
Já dizia Nietzsche que os intelectuais
Não são ovelhas de rebanhos.
Os adeptos de Mefistófeles
Pensam que como eles somos quem não vive
Sozinhos,
Estão por sempre no rebanho, repetindo tudo que faz ele.



Não afio os meus dentes,
Afio o meu silêncio no meio dos adeptos de Mefistófeles
Isto deixa-os com nó górdio na garganta
À busca do que pensamos sobre eles
Por mim, não penso nada,
Não sinto que estão presentes onde estou.



Manoel Ferreira.


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