**ESTRELINHAS ABERTAS AO EFÊMERO - ELEGIA AO AMAR O VERBO DA VIDA** - Manoel Ferreira
O coração esteja aberto para sentir nas entrelinhas o meditar diante da
vida, o efêmero que con-ting-encia o vir-a-ser do nada, e este eleva o porvir
ao cume dos alhures do tempo, augures do vento, à busca da refinada beleza do
ser, do querer desejar ser, do expressar o verbo do espírito que retrata a vida
no per-curso das estrelas à margem do uni-verso esplendendo o lado outro da
lua, das constelações, a dimensão re-versa das emoções ad-versas do que há-de
se traduzir num estado de paz, alegria, que tem na sua certeza o encanto e
des-encanto do momento singular e sui generis do inaudito, imprescindível de
ser versejado às luzes numinosas da memória ensejando lembranças e
re-cord-ações a jornadearem pelos notívagos silêncios que ritmam dons e
talentos do litteris do que trans-cende a espiritualidade, além das essências
da peren-itude, onde só per-vagam miríades de luzes que velam as
in-congruências subjetivas das sorrelfas perdidas no per-curso das sarapalhas
da liberdade que inscreveram, epigrafaram, epitafiaram estrofes do longínquo
eivado de quaisquer possibilidades de aproximação do que tergi-versa o soneto
da com-pletude do impossível à lírica do ab-soluto executado nas cordas da
harpa e cítara, ritmo e acorde do som das ondas marítimas aportando na ilha
grega das sabedorias dos deuses olímpicos que perscrutam a solidão do tempo. A
alma se entregue, re-vele-se na amplidão de suas im-perfeições, na in-fin-itude
de suas decepções com o alvorecer que in-fin-itiva o outro do ser, mas opuscula
o solipsismo do eu do não-ser, a ipseidade perpétua do nada vazio de
perspectivas que trans-elevem o ab-soluto ao aquém do ab-surdo, em cujos
in-terstícios e re-cônditos deste habitam, são pedras angulares, húmus e
semente viçosas, o in-terdito que re-vela mistério, se manifesta enigma, se
mostra lenda, lenda do caos re-vestido de genesis do divino, as pers do nada
criando, in-ventando, artificiando com os vestígios de pretéritos das fantasias
da perfeição, verdades da im-perfeição, certezas da im-perfeição perfeita, o
in-finito de locuções pronominais do verbo que defectiva os modos das sombras
do eclipse da lua, na montanha que circunda a ilha lusitana dos sentidos,
dimensões do espírito de Castro as melancolias e nostalgias, in-estesias da
solidão, sin-estesias de angústias esplendendo inspirações das
"iéticas" cinzas da vida re-nascendo nas eiras e beiras dos
"emas" da sensibilidade, eivando e seivando de pós do efêmero o
desejo da a-nunciação do eterno sob as vivas cores do arco-íris que
espiritualizam céu, nuvens brancas e azuis de sonhos, fé e esperança, a tríade
sintética do efêmero que nadifica as simil-itudes das insolências contra a
verdade perpétua do verbo que solsticia a palidez do crepúsculo, do entardecer,
na noite que se dirige à madrugada, prenúncio do amanhã, de primevas letras que
libertam o ipsis do cogito cócito das águas límpidas e cristalinas das margens
do deserto habitado de nonsenses e in-verdades do ser que des-folha as flores
da primavera nos campos elíseos do verbo que se deita, aconchega-se no peito da
esperança, sonhando, idealizando a plen-itude da verdade que seiva a vida de
sensibilidade.
Manoel Ferreira Neto
(Rio de Janeiro, 04 de outubro de 2016)

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