CRÍTICA LITERÁRIA DA AMIGA MARIA FERNANDES AO TEXTO //**RIBALTA DA QUERÊNCIA DE ILUMINAÇÃO**//
O narrador observa o mundo, estabelece um paralelismo entre o tempo e o
vento e constata que este último se esvaece no tempo. Tudo se dilui no tempo,
onde não restam senão vazios. Entregar-se no vento seria um contrassenso, pois
só o tempo se encarrega dessa tarefa e da transparência do ser que não tem
finitude. Um abraço, escritor Manoel Ferreira Neto..
Maria Fernandes.
Amiga Maria, permita-me dizer que, nesta crítica, você mergulha
profundamente no que trans-cente a alma e o espírito da fin-itude do efemero
que se eleva ao nada à busca da verdade. Poucas palavras que revelam essências,
eidos de minha obra.
Manoel Ferreira.
**RIBALTA DA QUERÊNCIA DE ILUMINAÇÃO**
Sentado no tapete silvestre do universo, observando o tempo, que se
esvaece na ampulheta dos vazios seculares e milenares, e o vento, que sibila
altissonante, levando os pretéritos in-fin-itivos das dimensões sensíveis para
o além onde as nonadas deixaram sombras pálidas do efêmero e a música dos
boêmios românticos sonoriza melancolias, nostalgias, saudades plenas do cosmos.
Sintetizados tempo e vento, à luz, inda que sem muito brilho, fraca, do efêmero
que pervaga no espaço, ao redor do sol, solitário e carente de suas travessias
ao nada, quando esplendia os indicativos dos sonhos e esperanças à mercê da fé
no eterno sarapalhados de conquistas, glórias, realizações, verbo e ser do
inaudito.
Sentindo o ar frio perpassar-me o corpo, tremblar-me a médula espinhal,
a alma se aconhegando nas bordas de seus abismos, medo e insegurança das dimensões
sensíveis que afloram, outros "outro" da espiritualidade, sendas e
veredas de seu alcance, sou quem retira o chapéu branco de listras pretas,
abaixo a cabeça, em sinal de reverência, tecendo de idéias e pensamentos, inda
que breves, esvaecentes, a ribalta da querência de iluminação para sentir
"o nada que ainda existe além do desejo trans-cendental", aldravia da
plen-itude do vir-a-ser de estrelas à margem do amora-nunciado na modura do
arco-íris que risca o céu do eterno à eternidade.
Perscrutando folhas e flores primaveris, orvalhadas da alma, pressinto
em mim miudezas de sensações que de pers em pers, iríadas em iriadas, éresis em
éresis do nã-ser nasce o in-verso precedendo o verso, é concebido de gerúndios,
particípios, in-finitivos das ilusões e idílios a-temporais a perfeita leveza
do ser .Quê sujeiras o vazio deixou nas bordas do Vento do perpétuo!
Inimaginável!... Indescritível!... Inconcebível!!! Vento algum vindo de algures
leste digna-se a soprá-las aos confins.dos horizontes. É entregar-me solene e
solícito nos braços parnasianos das insolências de saber-se desprovidos,
destituídos de essências.Entrega que não tem fin-itude.
Seria que a imperfeição perfeita alucinasse, fascinasse, extasiasse por
a perfeição ser mera quimera, imaginação fértil?
Manoel Ferreira Neto
(05 de outubro de 2016)

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