**O TEMPO E O VENTO - IV PARTE** - Manoel Ferreira
Ideais que são flores silvestre para o
Prolongamento da vida em brancas nuvens
Bem-aventurados os que semeiam
Falsidades na pele dos divinos cânticos dos medos do inferno.
Assim, no Juizo Final, não terão de apresentar
Ritmos, melodias e acordes das intenções malignas
Para a sabedoria de plantão.
Mesmo no além de pers dos solstícios
Do eterno que se consuma com a última esperança,
Bem-aventurados os que espalham e sarapalham
As in-verdades e mentiras da felicidade
Assim, no instante limite da morte,
Sentirão a caliência das chamas
Que acenderão pela eternidade a volúpia das viperinidades.
Se, ao vento, solicito, diplomata, pura finesse, sussurra o tempo não
tergi-versar as lídimas perspectivas absolutas das nonadas que semeiam nos
caminhos do vazio os grãos das utopias, ideais que são as flores silvestres
para o prolongamento da vida em "brancas nuvens", não ter qualquer
compromisso com os pretéritos, melancolias, nostalgias, saudades, angústias,
náuseas, que servem de pedra angular, se se quiser, de toque para projetar as
ilusões e quimeras do eterno, alfim nas suas bordas, algibeiras, alforjes,
frontispícios, não traz o saber dos pretéritos, nele nada habita, passado,
presente, futuro não habitam o seu eidos, não lhe são estruturas, não lhe são
utensílios, não lhe são cartas que possa jogar sobre a mesa, e ele o vento
espalhar todas a seu bel-prazer, nem ser culpado, não é pecado capital o
paraíso perdido se encontra adiante, ele, o tempo, é o que torna realidade todas
as esperanças e sonhos - para ele tudo isso são puros idílios, sorrelfas,
simplesmente segue o seu itinerário livre, leve para o abismo, onde se atirará,
se possível, na queda, bailar, como ele, o vento, faz, quando contorna as
curvas das estradas, à busca insolente e meiga do fundo, fico a tecer
elucubrações sobre a resposta que o vento quiça desse ao tempo, de que pectivas
de pers dos solstícios do eterno que se consuma com a última esperança que é o
substrato de que a vida permanece, mesmo no além os desejos e vontades
con-tingentes são passíveis de realização, e ela ser a dimensão divina da
felicidade.
Creio que tanto o vento, quanto o tempo, ririam de orelhas a orelhas com
tais elucubrações ad-vindas das pré-fundas de minh´alma, nauseabunda de todas
as coisas que se perdem ao longo dos caminhos da roça povoados de mata-burros,
simplesmete rumina no seu cantinho, talvez à espera do espírito que lhe conceba
no útero das reminiscências genéticas as éresis da con-templação do espelho na
face imagística da moldura do nada no seu resplendor absoluto. Diriam ambos,
frente a mim, sentado na rampa de meu casebre, noite de céu esplendido de
estrelas mais que cintilantes, lua em seu máximo de brilho, ínfimas lembranças
e re-cordações de sentimentos e emoções que se a-nunciaram nos
"éritos" das utopias fúteis e que neste momento são a alegria,
saltitância de verbos que me habitam, sou um romântico que subjetiva as
ipseidades do efêmero que iluminam o nada, in-jeta-lhe na veia o líquido da
etern-idade, que se faz na continuidade do verbo defectivo que re-nasce
perfeito em cada alvorecer, quando a primeva luz dos sonhos ilumina a terra, o
mundo na travessia de um dia para o outro, um romântico que cria, re-cria,
in-venta, re-in-venta o "eu poético" à luz do não-ser e ser, com
aquela expectativa de que miríades das efemer-itudes irão arco-irisar as vivas
cores de sendas e veredas dos cataventos, redemoinhos e elas esplenderem a
todos os horizontes e uni-versos, confins e arribas o espírito da compl-etude,
sintese do vento e do tempo, nada e nonada, e aí o nada abrirá outras janelas,
portas, perspectivas para o efêmero, este irá ser a pedra no sapato das
quimeras, ilusões, fantasias, nonsenses, será a plen-itude do pleno.
Manoel Ferreira Neto
(Rio de Janeiro, 09 de outubro de 2016)
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