**CROQUI DE UMA AUTO-ANÁLISE - NINGUÉM ME DISSE** - Manoel Ferreira


À luz platônica, consigo enxergar o sentido da própria existência como única, singular, a imagem dos desejos percucienciais do Ser e do Eterno, independente de correlações quaisquer com o universo. Tudo é, definitivamente, efêmero, fugaz, passageiro. Nada é absoluto! A verdade está nos olhos do conhecimento, do saber, da gnose, mas, até certo ponto, coloco-me numa postura de “cansaço” pela busca da verdade; não há verdades absolutas, concluo. Se verdades houvessem de contingenciar a vida de perfeição, felicidade, compl-etude, o sentido da existência como singular não ec-sistiria. No inter-dito do absoluto, alternativa não há senão a busca do "Ser", e ele se faz continuamente no tempo, com a entrega ao sonho do verbo.
Há, neste instante poético, um amainar dos ânimos aflitos, amenizar das compulsividades, agonias, angústias, ao longo da vida, no decorrer das situações e circunstâncias, à busca de alcançar a perfeição, a estética das experiências e dos sonhos do verbo.
Entendo isto de alcançar a perfeição o realizar a estética das experiências e dos sonhos do verbo no quotidiano das contingências e não apenas nas Letras, Poesia e Literatura, nelas tudo se transforma em "elucubrações", "fantasias"; a Existência sendo artífice da Arte é o projeto sine qua non do artista. Revelo minha dor no fazer dançar as palavras para me fazer compreendido. Conforme a música, ritmo, melodia, acorde, não se é possível fazer dançar as palavras, realiza-se apenas o ouvi-las, refletindo-as, meditando-as. O dançar das palavras, o baile delas no dito, interdito, é possível, se se sintetizarem as dimensões intelectuais e sensíveis, os interstícios da alma sedenta de compl-etude. A dor é imensa: há-de se iniciar no in-verso para atingir o verso verdadeiro das contingências. Para atingir um estado mais calmo diante da complexidade da existência, antes, revelo que passei pela ausência de sentido da vida, o que me fez suscitar o como lidar com esses desdobramentos em experiências: falo da ânsia do existir: o sentimento do vazio, do nada, da náusea... Então, o homem cansa... Por fim, após a dolorosa e infinita dor da existência, reajo: “...hoje, fecharia os olhos e esvaziaria a mente de idéias...” Numa entrega à leveza no existir, deixando o “Tudo” nas mãos do Tempo...



Manoel Ferreira Neto
(01 de outubro de 2016)


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