MARIA FERNANDES ESCRITORA E POETISA COMENTA O TEXTO /**CROQUI DE UMA AUTO-ANÁLISE - NINGUÉM ME DISSE**/
Extraordinário! O autor atinge o pleno da vida e deixa-se embalar por
ela. O não-ser deu primazia ao ser em plenitude. Estado de graça, de Felicidade
que transparece na escrita com mais leveza e maior fluidez. Parabéns. Um forte
abraço, escritor amigo Manoel Ferreira Neto.
Maria Fernandes
O auge da vida do artista, do escritor não é o seu renome,
reconhecimento, sua fama. O auge é a maturidade, quando o artista, o escritor,
a partir de quem se fez, o "Eu" que construiu com a Arte, com as
Letras, visualiza, con-templa a Existência à luz de outros horizontes, tendo em
mãos feitas concha clareza e transparência de seus projetos e ideais, suas
experiências com a Arte. Comum ouvirmos de um artista que falece
prematuramente: "Morreu no auge de sua carreira", referindo-se a
questão de no tempo de sua morte era o momento de realizar os seus sonhos mais
íntimos. A vida começa aos quarenta, isto é vero. O auge da vida do escritor é
aos sessenta anos, isto já de-monstrado por críticos literários, doutores,
ensaístas, especialistas: é o tempo de sua maturidade.
O caminho a ser seguido agora é justamente a busca desta plen-itude, que
já está sendo a-nunciada nos meus últimos escritos, desde há seis meses. É
seguir em frente...
Abraços, Maria Fernandes.
Manoel Ferreira Neto
**CROQUI DE UMA AUTO-ANÁLISE - NINGUÉM ME DISSE**
À luz platônica, consigo enxergar o sentido da própria existência como
única, singular, a imagem dos desejos percucienciais do Ser e do Eterno,
independente de correlações quaisquer com o universo. Tudo é, definitivamente,
efêmero, fugaz, passageiro. Nada é absoluto! A verdade está nos olhos do
conhecimento, do saber, da gnose, mas, até certo ponto, coloco-me numa postura
de “cansaço” pela busca da verdade; não há verdades absolutas, concluo. Se
verdades houvessem de contingenciar a vida de perfeição, felicidade,
compl-etude, o sentido da existência como singular não ec-sistiria. No
inter-dito do absoluto, alternativa não há senão a busca do "Ser", e
ele se faz continuamente no tempo, com a entrega ao sonho do verbo. Há, neste
instante poético, um amainar dos ânimos aflitos, amenizar das compulsividades,
agonias, angústias, ao longo da vida, no decorrer das situações e
circunstâncias, à busca de alcançar a perfeição, a estética das experiências e
dos sonhos do verbo. Entendo isto de alcançar a perfeição o realizar a estética
das experiências e dos sonhos do verbo no quotidiano das contingências e não
apenas nas Letras, Poesia e Literatura, nelas tudo se transforma em
"elucubrações", "fantasias"; a Existência sendo artífice da
Arte é o projeto sine qua non do artista. Revelo minha dor no fazer dançar as
palavras para me fazer compreendido. Conforme a música, ritmo, melodia, acorde,
não se é possível fazer dançar as palavras, realiza-se apenas o ouvi-las,
refletindo-as, meditando-as. O dançar das palavras, o baile delas no dito,
interdito, é possível, se se sintetizarem as dimensões intelectuais e
sensíveis, os interstícios da alma sedenta de compl-etude. A dor é imensa:
há-de se iniciar no in-verso para atingir o verso verdadeiro das contingências.
Para atingir um estado mais calmo diante da complexidade da existência, antes,
revelo que passei pela ausência de sentido da vida, o que me fez suscitar o
como lidar com esses desdobramentos em experiências: falo da ânsia do existir:
o sentimento do vazio, do nada, da náusea... Então, o homem cansa... Por fim,
após a dolorosa e infinita dor da existência, reajo: “...hoje, fecharia os
olhos e esvaziaria a mente de idéias...” Numa entrega à leveza no existir,
deixando o “Tudo” nas mãos do Tempo...
Manoel Ferreira Neto
(01 de outubro de 2016)

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