Sonia Gonçalves ESCRITORA E POETISA COMENTA O AFORISMO 290 /**SOU A VOZ DA VIDA**/
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Scriptum: Em 06(seis) anos de críticas de Sonia Gonçalves, jamais houve uma que
obtivesse tantas visualizações, isto é, 516(quinhentos e dezesseis). Um marco
da crítica de minha amiga. Parabéns!
Éhh!
rsrsr Parabéns Manu por mais esse texto super agradável a leitura lembrando
algumas passagens bíblicas como Pedro que negou Cristo por três vezes com
cantarolar do galo e tal... Acho que você está com a sensibilidade aflorada,
não é para menos querido. De fato, a vida é bem à toa mesmo Manoel Ferreira
Neto, pena que só nos damos conta de quão ele é frágil quando já estamos na
metade do caminho.... Seus questionamentos com o rouxinol é bem válido, para
quê e por quê tanto sofrer né? Dizem para nos engrandecer como pessoa, ora isso
é bem vago e bem à toa, realmente tem coisas que não entendemos e nem sei se
iremos algum dia. Eu amei te ler Manu, apesar do sono que estou aqui... Bjos
Parabéns pelo texto e parabéns para Graça pela pintura...Tudo de bom!
Sonia
Gonçalves
#AFORISMO
290/SOU A VOZ DA VIDA#
GRAÇA
FONTIS: PINTURA
Manoel
Ferreira Neto: AFORISMO
Rouxinóis
em colóquios a intervalos, e ouço como voam sobressaltados de um lugar a outro.
Um rouxinol tentou instalar-se numa folha de mangabeira num terreno baldio
frente à minha residência, e, quando saí à porta, ouvi que se mudara para além,
numa antena de televisão, onde trinara uma vez e calara-se, igualmente em
expectativa. De que estava ele à espera?
Era em
vão que procurava acalmar-me: esperava e desejava algo, e não sabia, de antemão
e revezes, se seria realizado, até cria que havia possibilidade de não o ser,
por outras razões muito diferentes da que estava a imaginar; e isto me
exasperava sobremaneira, uma tristeza muito profunda perpassava-me as
entranhas, necessitando de algo que me despertasse a atenção para a vida, para
as coisas, para o mundo, enfim, para toda a eternidade.
Ao mármore,
pastas, sob o mármore, pasto serás, sobre o mármore, quanto tempo, não mais
sendo... quanto tempo, sob o sol, ficarás?
Entre
mármore, és, foste, serás: Com ele, por ele, nele, Os Extremos dos matizes
Esgotaste e esgotarás, Mesmo que in-vertas, Per-vertas, con-vertas... A ordem
natural das coisas...
Decorando-te
a noite o dia e enfeitando-se o dia a noite.
VERNEINUNG.
- “Ferirei o Pastor e as ovelhas se dispersarão”. - Ainda que todos se
escandalizem de ti, eu nunca me escandalizarei... - “Em verdade, eu te digo
que, nesta mesma noite, antes que o galo cante, três vezes, me negarás”. -
Ainda que me seja necessário morrer contigo, de modo algum te negarei... “E, da
mesma forma, diziam todos, também!”
Querendo
negar, não negou: Verneinung.
No
clímax da saudade alegria não há, prazer não há, felicidade não há, não há
sequer miríades de ínfimas alegrias. Não há pecados, nem recados.
Sem
querer negar, negou: verleugnung.
No
clímax da saudade longínqua, num lugar que não há, sem distância se estendendo,
se esconde a razão da saudade em espaços não conhecidos, sabidos.
No
entretanto, na ausência de vento, a nuvem desce cada vez mais; tudo se torna
mais quieto, mais cheiroso, um cheiro de mato, de serras, de terra, e de
repente cai uma gota e como salta sobre a vidraça da sala de estar, onde fumo
um cigarro.
O que é
isto? Será, de verdade, a voz da vida que me questiona. Talvez não. E a voz
interior responde-me: “... sim, é verdade, sou a voz da vida...” Seja sim a voz
da vida, gostaria que me respondesse a uma única questão que me venho fazendo
desde que me entendo por um indivíduo. Responde-me: para que o sofrimento?
Olhando-me de soslaio, um sorriso nos lábios, as faces límpidas, dir-me-ia
“...à toa, sem finalidade...”. Só poderia ser ironia, sarcasmo, cinismo da
parte da vida, com certeza estava a fazer menos de minha inteligência, um
destes pitis de homens que estão prontos e acabados para qualquer
eventualidade, para as grandes coisas, mas em se tratando das pequenas são uns
fracos e covardes, sabendo de antemão que a resposta não poderia ser outra, a
vida é à toa...
Dolmens,
menires, cavernas abrigavam o homem primevo. O civilizado erigiu seu teto, de
variada forma, palácios, arranha-céus...
Valia-se
o primevo da água do mar, do lago, da lagoa, do rio, do arroio, da catarata, da
cascata, da bica. O civilizado trouxe a água
para a
sua casa...
Lá
fora, de dia, arde o sol. De noite, a lua e as estrelas, Com sua vacilante luz.
O civilizado trouxe a luz para a sua casa...
Ao
amanhecer do devir distintas pétalas brotarão flores selváticas nas sêmitas e
trilhos por onde contundir...
(**RIO
DE JANEIRO**, 18 DE OUTUBRO DE 2017)

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