ANA JÚLIA MACHADO ESCRITORA POETISA E CRÍTICA LITERÁRIA POETIZA O TEXTO #IPSIS LITTERIS#, DE AUTORIA DA ESCRITORA E PINTORA GRAÇA FONTIS
Amor
de Graça Fontis e Manoel Ferreira visto por Ana Júlia Machado
Gracioso
bem-querer dos teus olhos compõe poesias e telas!
Do
teu coração causo residência!
Da
sua alma minha expedição!
Dos
mélicos lábios teus nutre meus!
A
exalação seu minha existência preia esta!
Dos
lamentos teus meu respirar de existência!
Da
sua existência minha existência abrangida encontra-se!
Amor
dos astros das quimeras áureas extasiadas!
Arraigados!
Fixos como os andamentos teus!
Eles
são meus!
Cada
andar seu é uma fronteira que assinala
Me
extasia e entoa música a harmonia da existência!
Dos
astros! Eu contemplei a região entoar!
E entoei
com ela!
Alcei
meu som!
Sobressaltei
e entorpeci de tanto bem-querer!
Que
experimentei! Adorei – te mais até!
Cada
batimento do seu mélico coração!
Discursa
verbos que somente o meu entender sente
No
meu intelecto na sua extensão
Seu
coração, meu refúgio!
Seu
espírito, meu lar, que você indagou, depois de muito cogitar
E um
dia surgiu para comigo ficar
E
seus olhos são agora minha inspiração, para compor o livro da minha vida e
minhas telas
Agora
preenchida por seu amor….
Será
que por fim, a bela história de amor de Simone Beauvoir e Jean Paul Satre se
concretizou?
Sartre
sua mochila vai largar e deixar de deambular só e sem rumo.
Ana
Júlia Machado
IPSIS
LITTERIS
GRAÇA
FONTIS: TEXTO
Naquele
dia, solo de calor extremado, inusitado de inverno que se viu na gosma do que,
aos poucos, escureceu, sentiu medo no coração espaçado, apaziguou-se com um
grande ranger, borrifando-lhe intencionada certeza - "Não, não
voltarei". Assim, embrulhando os acontecimentos na palidez do rosto
desconhecido, como um fio a partir-se na tensão do breve gesto partiu no mesmo
silêncio regulador da sua sobrevivência na manhã triturada do assoberbado, no
mundo faiscante, sombrio de indecisas sombras ruidosas, no chão partido pelas
coisas passadas da vida.
A
mente crispada à aproximação de pretéritas verdades plantando no rosto horror
inexpressível e um gélido asco de indiferença ao meio sono, ardência dos olhos
nas últimas brisas na boca da noite. Transpassou ele seu inferno latente,
recolhendo-se na floresta interna, ao ermo, também no fogo que em si abrigava,
incendiando o vale da solidão.
Na
vida apaziguada na compreensão, com olhar de prazer um caminhar de humor, dando
ênfase à dança melancólica sem falas soberbas da mentira, mais certo de que
mentes não gravadas são mentes esclerosadas, então escreveria, escreveria para
que não caíssem seus pensamentos no esquecimento, mas sim que fizessem a
diferença através de outras palavras, rindo dos homens que em nada acreditam,
muito menos das coisas misteriosas e verdadeiras neste mundo ilusório só seu.
Integrados
aos olhos calientes e francos lábios interrogativos, leitores das próprias
inexperiências morais e práticas às deleitosas e sublimes intuições
incorporadas de odores e intimidades das coisas que o cercam, foi pisoteando
estrada a fora folgadamente, sobrepondo pedras, padecendo sublimadas saudades e
subjugado a um interesse especial, ativo e recente, no mais fundo, profundo
pensar... "que as letras não são uma ilusão; são reais ao extraí-las do
simples colorido a banharem interdições da alma, saciada das contingências do
dia a dia, resplendem imagens aquém, além e inauditas dos momentos mais
sensíveis de contemplação. Já o estalar de meus ossos nesta longa jornada
confirmam confidenciando no meu particular o que sou, como sou, neste misto de
querências utópicas e devaneicas, quiçá viáveis às palavras aludidas,
murmúrios, sons de mistérios adentrados, vindas de um outro, fantasma do
próprio tempo, ditando-me novo destino através do opaco véu expectivador do meu
futuro."
Aquando
na noite, entre os que dormem, e os poucos da madrugada que não dormem, há um
eco de passos descompassados na rua dos solitários, e um vento de procela
revelador da inquietude da alma cansada; já conturbado reflete "idealistas
não gostam de solitários! da vida e noites frustradas, o ímpeto da
transformação, resoluta desfiguração das contristadas escolhas seguiria no seu
implacável caminhar pelos labirintos futurais, desenhando com precisão a rota
imaginada, maturada com aspecto de sobrevinda felicidade. Néscio aventureiro
gritam-lhe dentro necessidades. Torrentes de amor jorram em abundância para a
nascente e poente. Também a precipitação das palavras pertencentes àquela
solidão, são torrentes em direção ao mar, onde haja o encontro da serenidade
ornamentando as bordas dos inauditos pós voo sobre montes e planícies, peregrinação
reverberada do extremo sol tendo abaixo absurdo silêncio diante dos homens. na
mala dos poucos bens, o maior de todos a esperança numa consolação nos olhos
fascinados, voluptuosos aos porvires a desbravarem na gravidade do novo tempo
em que a dor bastarda sem sonhos já cedia; também indiferenças e prazeres
efêmeros esvaeceram-se aos poucos por conta do domínio da grande lua sobre a
escuridão, iluminando seus sonhos sem o cobertor da ilusão. Há um breve
silêncio, luzes como olhos em lágrimas, espectros das sombras diluem-se com o
afastar-se do tripúdio cada vez mais que lhe calejou a vergonha, num átimo
sereno de promessas de mais belas estações. Então, numa contínua automática
pelos meandros dentre as esquinas da vida de encontro ao fluxo do mundo com
passos claudicantes e extraordinário esforço um querer de juventude cultural.
Por quanto a multidão? Apenas a absoluta ausência do outro tragado pelo ar.
Sim, recomeçar... por onde? Despedaçando em si mesmo a resistência entorpecida
para conservar seu poder cognoscível, sua liberdade e dignidade são razões de
volta a casa.
(**RIO
DE JANEIRO**, 20 DE MAIO DE 2018)


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