CRÍTICA DA ARTISTA-PLÁSTICA(PINTORA) Graça Fontis AO TEXTO /**VENTO SILVESTRE DO HÁ-DE VIR**/
VENTO SILVESTRE DO HÁ-DE VIR
Manoel Ferreira Neto.
Magnífico! Esse antes do porvir é assim mesmo, pois
nunca em todos os anos anteriores estive à frente de tanta falta de
sensibilidade quanto à minha arte, e você Poeta com uma descrição sem igual me
levou às lágrimas por constatar sem sombra de dúvidas que em pleno século XXI
ainda somos vítimas de pessoas hipócritas e insensiveis quanto à criação de uma
obra de arte que nada mais é que uma inspiração divina. Estou uma emoção
pura... A arte seja onde ou em que área se apresente é e sempre será um dom
sublime com a única finalidade de sensibilizar e humanizar tornando a vida
sempre melhor, predominando o amor. Seu texto soa como um grito. ..Não queremos
censuras e sim mais discernimento quanto à Arte e o que o amante das artes faz
em prol da só cidade . Obgd.que continue sempre com toda essa
iluminação...bjsss. .
Graça Fontis
**VENTO SILVESTRE DO HÁ-DE VIR**
A hipocrisia e a insensibilidade reinam nas Artes
hoje. A Arte mesma se perdeu no tempo. Ainda sou da velha geração, escritor
erudito, clássico. Escrevi este texto para chamar a atenção quanto ao valor das
Artes, da Literatura, da Poesia, e todas em geral, na vida dos homens, da
humanidade.
Epígrafe:
"Antes do depois do porvir" (Graça
Fontis)
Ser re-verso e in-verso de idéias e sentimentos
vislumbrados à luz de ilusões eleva os ideais de liberdade aos auspícios da
plen-itude, os verbos de amor e felicidade aos picos do sublime e eterno,
quando de estrelas e brilhos, de luas iluminadas e resplandecentes, sente-se o
espírito vagar e perambular nas belezas e esplendores da vida, emoções,
sensações que habitam nas dimensões sensíveis, que a habitam, que dela são
essências, que nela são sementes e raízes de outros horizontes e uni-versos em
busca do verbo, em busca de torná-lo carne, em busca do ser, em busca do pleno
e eterno; eleva os anseios dos verbos e sonhos, con-templados à luz dos raios
de sol a incidirem em todas as coisas, a criarem e re-criarem as sendas e
ilusões do ser e do sublime, fantasias do eu e do absoluto, quimeras dos
desejos e vontades, quando a vida se a-presenta em todos os prismas e
perspectivas a verdade que habita os interstícios, e que é o verbo da
felicidade e alegria de buscar a carne de todos as utopias e sonhos de
conhecimento do que está dentro, muito dentro do espírito, do que lhe
transcende, e atinge o cume do divino e da divinidade, e é o “deus” de todas as
coisas outrossim às sendas e ilusões, às sendas e fantasias, outrossim aos
versos da “res” e do “in”, o que não pode ser sentido nas suas profundidades, o
que não pode ser vislumbrado nas suas espiritualidades, o que não pode ser
con-templado na essência, outrossim aos ideais do pleno e do eterno que se
a-nunciam na visão-de-mundo, na visão-de-vida-e-plen-itude.
Re-traço o retrato,
emolduro na imagem do infinito a poética do espaço.
Evoco o abstrato,
sonho o vago e etéreo.
Con-templ-oro o vento silvestre do há-de vir.
Faço da sombra minha raiz.
Farto de mim, afasto-me e constato em êxtases:
na arte ou na vida, em carne, osso, lápis ou giz,
onde estou não é sempre e o que sou é por um triz.
A lua desliza sob as sombras do sol que não há.
Ser de re-versas e in-versas idéias, de avessos
sentimentos, e de razões vistas e pensadas à luz das verdades cristalizadas,
diamantizadas, ao diamante podia ser dado o talento de riscar o éter, mas ele
apenas quebra com todas as dignidades e honras do ser, ao menos em certos
buracos de mundo onde a hipocrisia se faz presente em todos os níveis e
dimensões, onde a farsa e a falsidade são as deusas supremas e todos se
ajoelham e dão graças a Hades por tamanha felicidade e prazeres, rendem
tributos a Mefistófeles por lhes mostrar caminhos mais fáceis de aquisição de
bens e matérias di-versas – tudo o que está à luz dos diamantes é símbolo e
signo do mal, ideologias, escravidões e alienações, eleva as cretinices e
simulações ao topo das naturezas sensíveis, quando todas as satisfações da raça
e da estirpe re-velam o nada e o obtuso do ser, não esquecendo as laias, que a
todos consagram e são o último elemento da tríade da malign-itude, são
perfeitamente sentidas como sendo a luz de todas as trevas dos sofrimentos e
dores, como sendo salvação dos pecados e pecadilhos, como sendo ressurreição e
redenção dos erros e enganos da vida, quando tudo se torna permissível, e todas
as libertinagens são lícitas à luz das idoneidades do cretinismo e da
imbecilidade, e todas as suciedades se ajoelham aos pés do consumismo e
desperdício.
Ser de sentimentos re-versos na in-versão do
caráter e da dis-posição do ser às ridículas condutas e posturas do que é
eternamente visto e sentido como a perfeição do mal e suas diretrizes e veredas
para o arbitrário, gratuito, sobretudo para os despautérios todos da
viperinidade. Sente-se a construção e estabelecimento das estratégias para a
consumação do que é plenamente o ilícito, do que são em absoluto o ordinário e
imoral, ao longo das décadas e séculos assiste-se ao desenvolvimento e
progresso de todas as características e essências das idoneidades caguinchas.
Gotícula de veneno é a divina real-ização da natureza, fortalece-se e
cristaliza-se com pompas e propriedades as mais di-versas.
O infinito ou o Absoluto espera-me ainda do mesmo
modo, a Arte realiza ainda a presença deles no particular que os exprime, mas o
Absoluto é meu e a Infinitude. No estrito domínio humano nada do que o excedia
se perdeu e a Arte foi ainda o substituto divino. Emoção única, tão indizível,
nós compreendemos bem que o seu excesso apelasse para um mais do que ela e
irresistivelmente se desse um nome a esse excesso. Frêmito estranho, ele revela
o seu indício quando a obra não está ainda aí a justificá-lo e uma vasta
extensão dele re-entra assim no domínio artístico. Porque a obra de arte é a
corporização desse abalo original, a encarnação dele em realidade sensível, é a
verbalização dele em ser. Quando a obra surge, o frêmito condensa-se nela
própria e ela funciona assim como o ponto de partida para a sua recuperação.
Mas a emoção que está nela e nela se concentrou é uma possibilidade realizada
para outro arranque possível, porque a emoção é o próprio apelo do homem,
porque o sentimento é a própria evocação do indivíduo, do calor do seu sangue.
Eis porque, tocados do sopro humano, mil realidades da vida podem reerguer-se
ou aprofundar-se no que as habita. Ao olhar divino do homem, uma simples pedra
fala a voz da divindade. A um olhar humilde e profundo, a vida inteira pode
aceder à transfiguração.
Se é no meu corpo que sou presença a mim, estou
nele presente, com o absoluto que a determina, com a verdade suprema que a
solidifica e cristaliza, isto para amenizar a idéia, deveria ser “diamantiza”,
é nele também que sou presença ao mundo, no mundo estou presente até que a
morte registre o ponto final, o nada derradeiro, tudo deixando de ec-sistir, de
ser. Por presença a mim, entretanto, não entendo uma impossível coincidência de
mim comigo, do “eu” e do “mim”, mas a irredutível, categórica e absoluta
afirmação do “eu” que sou, a minha impossível separação dele em qualquer ato
que me afirme, em qualquer atitude que me endosse, em qualquer gesto que me
id-[ent]-“ifique” o bloqueio que o “eu” me instaura, estabelece a impossibilidade
de sair de mim, de me não ser, de não ser a mim, de outro ser não ser senão o
que sou de mim.
“(...)
Outro, sim, que não eu. – Bardo sem nome,
Com pouco vivo; - sobre a terra, à noite,
Meu corpo lanço, descansando a fronte
Num tronco ou pedra ou mal nascido arbusto.
(...)
Manoel Ferreira Neto.
(02 de junho de 2016)

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