COMENTÁRIO CRÍTICO DA AMIGA, ESCRITORA E POETISA ANA JÚLIA MACHADO AO TEXTO /**DA ALMA, CONFINS E ARRIBAS**/




DA ALMA, CONFINS E ARRIBAS
Manoel Ferreira Neto.


Mais uma vez, o escritor Manoel, enuncia seus sofrimentos…viver em um mundo que não lhe agrada…tudo envolto de farsa…Quem não sofre…se calhar só os que possuem sentimentos é que conseguem exorcizá-los através da escrita.


Se a espírito avulta na dubiedade
E os entendimentos imprecisos à escuridão vão
Afluem os macilentos espíritos da melancolia
Para indagar-te na pujança do retiro


Ressoando em plangência, lamentos e gemidos
Se abalas às mágoas dos teus ais
Nessa masmorra, sem ornatos e sem as consequências
Na labareda gélida, derramada dos padecimentos


Para cicatrizar teu espírito açoitado e melindrado
E reter os aljôfares misantropos, ácidos
Da tua quimera, mártires angustiadas,


Arvora ao paraíso que te hospeda em festejo
Com teu espírito recompensado, brumoso
Para a escuridão do bem-querer que te perfaz...


Ana Júlia Machado.


Hoje, os grandes problemas da Literatura, da Poesia são a hipocrisia, a farsa, a falsidade, a aparência. Pessoas sensíveis e artistas isolam-se diante desse quadro mais do que deprimente e buscam se salvar na Arte. São estes os males do século XXI. Psicólogos, Escritores e Poetas devem debruçar-se sobre estes problemas e mostrarem à humanidade outros horizontes e uni-versos.
Você, Ana Júlia Machado, sensibilizou sobremodo o meu texto e, no seu poema, ainda mais profundo revelou com excelência a profundidade dos males deste século XXI.


Manoel Ferreira Neto.


**DA ALMA, CONFINS E ARRIBAS**


Só, no silêncio cercado pelo sibilo de vento entre serras, quero re-colher-me tranquilo, sereno, quero dormir o sono profundo, gostoso, quero descansar de minhas buscas, questionamentos, indagações, quero repousar de minhas dúvidas, medos, incertezas, quero dormir na distância de um ser que jamais lhe pertenceu, quero alvorecer no tempo nublado do in-verno, quero sentir o friozinho agradável no corpo.


Silêncio cercado pelo sibilo de vento entre serras,
Solidão nas curvas de estradas a perderem-se de vista,
Sonhos de querências que são póstumos,
Oníricos entre-laçamentos entre o póstumo e o efêmero
Re-fazem as perspectivas da alma.
Perspectiva de horizonte longínquo,
Uni-verso distante das estrelas e da lua cheia.


Só, na solidão das curvas de estradas a perderem-se de vista, desejo sentar-me à margem delas, permanecer assim por tempo ilimitado, olhando ao redor a vida, a natureza, a essência de todas as coisas do mundo, da terra.


Sem pensamentos, sem idéias, sem razão, sem senso, do ec-sistir, vazio de mim, apenas a alma e o espírito, o corpo, a carne, os ossos, o sangue a percorrer as veias, quero sentir a presença do que me trans-cende nesta jornada sem principio, sem meio, sem fim, aberta a todos os horizontes, confins e arribas, absolutos e efêmeros; à noite, olhar o brilho das estrelas, a luz da lua, dormir no chão, sobre a terra, sobre a poeira, levantar-me, prosseguir a caminhada.


Dos verbos de vivência, re-fazer as perspectivas da alma, re-colher, a-colher no destino de minhas poeiras e metafísicas o que habita as sorrelfas desde tempos imemoriais, desde o gênesis à eternidade, o que a-nuncia os sonhos de querências que são póstumos, a perfeita espontaneidade do amor quer conduzir-me para a liberdade, a felicidade não seja unicamente instantes, seja a visão da divina trans-parência do Amor.


Minha própria alma é chama, é luz: insaciável de long-itudes novas, sonhos que não passam de ilusões [antes, e de maneira mais pura do que o poderia eu fazer, delineio esboços, o sentido e a imagem de um olhar, a miríade de uma perspectiva de horizonte longínquo, de uni-verso distante das estrelas e da lua cheia], entregar-me de corpo e alma aos desejos iluminados em seus valores eternos como imagem e como visão fugaz da própria divindade. quero uma flama! A eternidade não pré-ocupa, o póstumo se entrelaçou ao efêmero: cumprem a pena que sublima, cumprem a esfera que suprassume. cumprem a tinta que enfatiza os caracteres e símbolos. meneia o perplexo, o inusitado, o excêntrico, a insatisfação e o gozo. Nenhum perjúrio de encanto nem a vida do a-lumbramento, nem a morte do des-lumbramento. O calor das sinapses não en-velam, não escondem, não omitem, não mentem ou criam as expressões da tez, em dobras que prostram a dor e o riso.


Manoel Ferreira Neto.
(02 de junho de 2016)

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