ANA JÚLIA MACHADO ESCRITORA E POETISA ANALISA E INTERPRETA O POEMA #BANHO EM VERBOS DE MORTE E VIDA#




Em relação ao texto do escritor Manoel Ferreira Neto, acerca da morte inicio esta análise com interrogações…pois para mim é um tema envolto de interpelações…


Mas o que é o fenecimento? Uma sombra preta que ameaça a existência humana? Uma circunstância ilusoriamente estranha, nos subúrbios de uma gaussiana (Nos séculos dezoito e dezanove, alguns matemáticos e físicos incrementaram uma função complexidade de viabilidade que relatava os enganos empíricos auferidos em dimensões físicas Caire, 2012. De certa forma todo e qualquer sistema de mensuração está obrigado a um engano de medida. Esse erro pode ter desiguais causas, desde a intercorrência de temperatura, tempo, entre infindas outras características não identificáveis?) Um bicho selvagem e infatigável circulando atrás de sua preia e essa percebendo que se embarrar, fatigar-se ou não for célere e espevitada o satisfatório, inevitavelmente será apanhada?


Willian Randolph Hearst impediu que se utilizasse essa locução, morte, na sua comparência. Filipe II, rei da Macedônia e pai de Alexandre, o Grande, ao inverso, acercou a denominar um subordinado para que todos os dias lhe verbalizasse: “recorde-se, Filipe, de que você vai morrer”.


Foi Quintana quem pronunciou: "Falecer, que me interessa? (...) O demo é ceder de habitar". Pois em sua conspeção, licenciar de habitar era seguramente um enigma superior que a inerente morte. Ideia partilhada por Niels Bohr (o mesmo do protótipo nuclear), quando anunciou que “o sentido da existência encontra-se em que não existe sentido uma vida sem sentido”.
Se Quintana encontra-se correto, muitos dos expedientes épicos para acautelar que um paciente faleça, seriam, na realidade, uma impetuosidade ao início do “deixar de viver”, pois existem sofrimentos que causam algum sentido, como as da paridela: uma existência nova desabrocha. Mas há sofrimentos que não se legitimam, como alongar a angústia de um paciente para sustentar a consciência pacífica do médico ou da linhagem, por haverem feito o que a prática sujeita, e que se faculta a esse hábito a designação de moral, sem se argumentar se de facto existiu “ética”, uma vez que "veneração pela vida" é o superior primórdio moral da querença.


É curioso constatar que na saúde como um todo, você possui livre um profissional para cada particularidade, mas não existe um “morteoterapeuta”, um profissional perito para zelar dos que encontram-se falecendo. Zelar da vida que se apronta para ir-se, para que seja de forma aprazível, sem sofrimentos e merecedora, distante de tubos, agulhas e meios que nos despertam calafrios.


Você nesse instante residirá verbalizando, bem pianinho, que é incumbência dos médicos fazer o exequível para que a existência permaneça. Eu pactuo, mas realço que não é incumbência restrita dos médicos, é nosso. Eu, a meu modo, pelejo igualmente pela vida. As letras mantêm vivo Machado de Assis, Camões, Pessoa, Renato Russo, Agostinho e tantos outros. O caso é até onde vai a existência e inicia a continuação da vida para além do presumível ou previsto?


O tema era efetivamente morte, mas não me enxerguei competente de descrevê-la modelarmente, quiçá descrevendo vida, possa aperfeiçoar um parecer mais rigoroso de morte. Mas o que é vida? Mais rigorosamente o que é existência de uma criatura? Provavelmente um caracol num ecrã cardíaco? Creio que seja algo mais do que um coração pulsando e afluxos intelectivos. Não creio ser a significação biológica a mais eficaz, quiçá a mais íntegra.


Já ouvi verbalizar que falece vagarosamente quem defende um encarniçamento, quem elege o escuro no alvo e as pingas nos “is” a um vórtice de sensações inexoráveis, precisamente as que recuperam fulgor nos olhos, encantares e suspiros, coração aos estorvos... Sensibilidades.


Vejo que também é complicada a tarefa de definir vida, será que é possível defini-la estando vivo? O que se dirá então, sobre a tentativa de definir morte estando vivo?


Mas e agora, será que conseguimos finalizar que livremente da erudição da morte e da contrariedade de se avaliar vida, de verdade vida merece vivê-la? Admito que essa questão não pertenceria a uma criatura, mas sim a um feto. E agora…conclusões…a cada um cabe tirar…se acha que vale a pena viver sabendo que vai morrer…ou que a vida perpetuar-se-á para além da morte…mas na mente dos que ficam…acho eu…e é um tema que por mais que se discuta ficará sempre uma dúvida a pairar sobre nós…


Ana Júlia Machado


Enviando-me esta SEGUNDA CRÍTICA de meu poema #Banho em Verbos de Morte e Vida", via Messenger, diz-me não haver gostado da primeira crítica. Para mim, o autor da obra, a sua crítica está de excelência, um primor, como sempre todas que compusera em nossas vidas de amigos e escritores.


Vida e Morte é um tema que jamais terá fim, e nunca que somos capazes de abarcá-las, sempre uma incógnita, um mistério, um enigma. Então, no concernente à morte, é complexo qualquer palavra a respeito. Haverá sempre questionamentos e indagações.


Qualquer obra possui centenas de milhares de interpretações, sob níveis diferentes. Esta SEGUNDA CRÍTICA vem a enriquecer ainda mais o meu poema, de excelência também. Aninha Júlia, minha inestimável amiga e companheira da intelectualidade, qualquer crítica sua publico-a de olhos fechados, sem ler. Pode crer piamente nisto.


Beijos a você e à nossa netinha Aninha Ricardo!


Manoel Ferreira Neto


BANHO EM VERBOS DE MORTE E VIDA
GRAÇA FONTIS: PINTURA
Manoel Ferreira Neto: POEMA


Morrer a morte
Não morre a vida
Viver a vida
Não morre a morte
Morte e vida
Vida e morte
Horizontes e universos
Esplendem o nada des-finito
Nada de sombras, brumas,
Nada de raios de sol, luzes
Fin-itudes e ad ribas
Buscas do verbo de além
De temas em temas, formando sementes e raízes,
Sementes e raízes que o tempo assegura os frutos,
De temáticas em temáticas, verbalizando as folhas
Que, sob a incidência do sol e luzes,
Permanecem verdes e viçosas,
À noite, à mercê dos ventos de leste,
Recebem a neblina a cobrir-lhes, beleza e vida,
Secam, caem, tornam húmus de outras folhas.


Morte e Vida
Vida e Morte
Trazei os vossos infinitos e sombrios
Qual profuso fanal, por sobre o meu gentio
E todos os rincões haverão de banhar-se em verbos de luz
Fiquei silente, oh vida, oh céus,
Ouvindo estranho canto, inédito, eloquente,
na grandeza sem fim dos pulcros avatares...
Não sinto mais o furor das tempestades,
Das ondas o rumor, o murmúrio, o sussurro,
Nem doutras potestades,
Dos surdos vendavais na vastidão dos mares.
Venho sussurrando os prados e cascatas,
Eu, o vento,
Penhascos e jardins, de onde brotam flores
Que trazendo da selva o perfume dos ramos,
Ao rosto levarei o mundo iluminado
Ao fogo da glória.


Vida, morrer
Morrer, vida
Quê estranho ocaso cuja luz difusa
Re-vela o tempo, a-nuncia o além só pela aparência,
Mostrando ao mundo sua lei confusa.
Inverno da vida é pó-ente
Primavera da vida é pó-esia,
Raios fundindo-se lentamente
À noite delirante e caprichosa.


#RIODEJANEIRO#, 01 DE ABRIL DE 2019#

Comentários