COVIL DE GÊNIOS GRAÇA FONTIS: PINTURA Manoel Ferreira: CRÍTICA
Post-Scriptum:
Esta crítica
fora publicada no RAZÃO-INVERSA - SUPLEMENTO-CADERNO LITERÁRIO-FILOSÓFICO, 26
Edição, Fevereiro/2010.
A crítica é
endereçada à Academia Curvelana de Letras. Em verdade, a grande maioria dos
membros são Políticos, ex-prefeitos, vereadores, quem jamais escreveu único
livro, e quanto aos demais, alguns tem livro publicado, mas não são obras que
possuem valores literários inestimáveis, a ostentação e a prepotência lá
imperam.
Aquando
publiquei esta crítica no tablóide E Agora?, em 2007, causei uma polêmica
daquelas, não se falava em outra coisa. Os curvelanos olhavam-me como o pior e
mais arbitrário dos homens. O mesmo tendo acontecido, aquando publiquei-a neste
Suplemento. Ninguém, nenhum membro desta Academia tomou da pena para responder
à crítica, obviamente ninguém tinha "pedigree" para responder, também
por ser verdade inconteste. Alguém tinha de mostrar o que esta Academia
significava/significa. Tive eu a coragem. Endosso por sempre o que penso dela.
Manoel
Ferreira Neto
A
genialidade outrora era conhecida fundamentalmente através de homens que
criaram, fizeram de seus patrimônios artísticos e culturais alimentos para os
homens de suas gerações, para a posteridade, obras que são raízes para a nossa
transformação cultural e humana, obras que engrandecem o mundo e a existência
humana, obras que são Vida.
Vivemos num
mundo onde os paradigmas sofrem mudanças, e por isso nos encontramos perdidos e
vazios, os valores essenciais aos homens e ás comunidades tornaram-se
desprovidos de senso.
Falando de
genialidade, de gênios que engrandeceram o mundo e a vida, a transformação é
sublime, numa palavra, “genial”. Se outrora os gênios tiveram de criar, fazer
suas obras artísticas, culturais, na música, nas artes-plásticas, literatura,
científicas, sofreram na carne o “diabo-que-o-pão-amassou-o-rabo”, sofrimentos
contundentes ne pujantes para revelarem seus valores éticos, morais, culturais,
artísticos, na atualidade a questão é outra. Que outra! - vale enfatizar,
ressaltar e sublinhar.
Dizendo respeito
exclusivamente à Literatura, a genialidade adquiriu mais força, mais êxito,
mais transparência. Não se é mais necessário escrever obras, expressar-se
através das letras, obras que engrandeçam o patrimônio, que revelem valores
morais e éticos que atendam às necessidades de nosso tempo, de tempos
vindouros. Suficiente ser membro de academia de letras e já são imortais,
eternos.
Há aqueles
que nada escrevem, não escrevem nem bilhetes, e ocupam cadeiras de escritores
sem o serem. Interessante é que não sofrem na carne problemas de toda ordem,
não têm visão de mundo, não sabem nem por onde passam os valores literários e
artísticos. Academias de letras têm como função e objetivos valores eternos,
valores que sustentem as necessidades estéticas, éticas, morais dos homens. As
academias imortalizam, eternizam tais valores.
Na
atualidade, esses são os “oportunistas da imortalidade”, ocupam lugares que não
são deles, imortalizam-se, eternizam-se pelo nada, nada deixaram de obras
literárias, nada deixaram de valores eternos nas letras, nada deixaram de visão
de mundo e de necessidade da humanidade no estilo e na linguagem. Tais
academias são os “covis de gênios”, usando metáfora sutilmente reveladora.
Bem, a
questão se fundamenta no concernente às gerações futuras, às gerações de todas
as épocas. Impossível saber o que outras épocas dirão a respeito de nossa
época. Mas, com certeza, dirão de nossa literatura atual que era uma verdadeira
farsa; referindo-se às academias, dirão que fulano, beltrano, cicrano eram
membros de “covil de gênios” – enquanto os verdadeiros gênios tiveram que
construir seus valores, estes já eram imortais sem qualquer construção.
Sugeriria eu que tais academias de gênios, que possuem sede, construísse um
cripta para eles serem enterrados nela, com uma placa de mármore suspense na
parede: “cripta de gênios” ou “cripta de oportunistas da imortalidade”. Isso é
bastante sério.
Muitas vezes
pensamos que isso acontece apenas em academias de cidades do interior, não isto
é uma realidade nacional e mundial. Quanto a mim, quem questiona isso com
incisividade, conheço essa realidade no Brasil inteiro. É a minha
responsabilidade com a comunidade que represento. Por exemplo, tenho notícias fidedignas
de que estudantes e professores de faculdade, de curso fundamental e médio,
quando se fala na nossa literatura curvelana, ambos viram os rosto e
desconversam, numa atitude clara e transparente de repúdio e preconceito. Não
lhes tiro a razão, ao contrário, parabenizo-lhes por essa atitude, pois que os
nossos verdadeiros artistas, escritores, artistas plásticos estarem
desconhecidos por que não se lhes valoriza, não se lhes reconhecem os méritos,
dons. No entanto, há os que nada escrevem e são conhecidos, adquiriram até
renome. Isso é um absurdo.
É necessário
que a nossa comunidade curvelana tome consciência dessa questão assaz
comprometedora para a nossa memória cultural e artística, interferindo,
exigindo responsabilidade e compromisso com a nossa cultura, com a nossa arte.
Cultura e arte são nosso patrimônio, o que temos a legar ás gerações futuras,
ao nosso patrimônio.
Infelizmente,
poucos são os que conhecem tal realidade, não por culpa ou responsabilidade
deles, mas por tal métier ser acessível só a alguns. Se a literatura está em
mãos de pequenos grupos, obviamente não é literatura, são ideologias e
interesses.
Quando se
fala de “escritores”, “artistas”, deixa-se logo revelar que são pessoas, homens
com valores éticos e morais que podem transformar a nossa realidade, pode
tornar nossa vida repleta de realizações não egóicas, egoístas, egocêntricas,
mas universais. Ser escritor é buscar, é desejar, é querer outra realidade que
não essa que estamos vivendo e, portanto, sofremos bastante. Ser escritor é
transformar, e trans-cender o meramente quotidiano.
Se estamos
questionando, é que sabemos o valor de um patrimônio cultural, estamos
preocupados com a nossa geração futura e não apenas com a nossa.
#RIODEJANEIRO#,
15 DE ABRIL DE 2019#
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