*AUSÊNCIA DE UM AMIGO* -Título: Graça Fontis​/Poema: Manoel Ferreira Neto​


Amigo é nada
Amigo é vazio
Amigo é vácuo
Amigo é abismo
Amigo é ponte partida
Amigo é estrada de poeira,
Mata-burros, pinguelas,
Amigo é nonsense,
Amigo é despautério.
Amigo é absurdo.

Amigo ser, amigo viver
Amigo vivenciar, amigo ec-sistir
O nada é senda para o eterno
O vazio re-colhe, a-colhe o múltiplo
O vácuo é visão do pleno
A ponte partida é semente da travessia
A estrada de poeira, mata-burros, pinguelas
O nonsense é origem da inteligência,
O despautério é húmus da percepção da sabedoria
O absurdo é sêmen da verdade que inda não despetalou.

Amigo é náusea
Amigo é angústia
Amigo é solidão
Amigo é tristeza
Amigo é mudez
Amigo é desconsolo.

A náusea é o desejo contundente da liberdade
A angústia é o sonho manifesto da entrega
A solidão é a utopia da consciência.
A tristeza é a esperança da compreensão e entendimento
A mudez é o princípio do volo da palavra que expressa a vida
O desconsolo é a espera da verdade abraçar o silêncio.

Amigo é dor.
Amigo é sofrimento.
A dor deseja a felicidade, prazer, clímax das projeções ao futuro
O sofrimento aspira a con-tingência da criação, re-criação,
Re-nascimento do vir-a-ser. 

Manoel Ferreira Neto

(*RIO DE JANEIRO*, 04 de dezembro de 2016)

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