**BALADA DO # BALADEIRO# DA PERFEIÇÃO IMPERFEITA** - Manoel Ferreira
Sonhos de liberdade em olhos de brilho intenso
Visões de horizonte límpido na distância a-nunciadas
Retinas vislumbram desejos de amplitude e nitidez
De perspectivas solenes a cobrirem o vazio
De soslaio o silêncio mergulha infinitos em universos,
De esguelha a carência interpenetra infinitudes em Horizontes
Ângulos soltos na luminosidade
Raios de sol incidem confins em verbo de
Pretéritos imperfeitos,
A vontade da perfeição imperfeita.
Sem itinerário a per-seguir
Sombras re-fletidas nos raios de sol
Melancólicos, nostálgicos pensamentos
À luz do aqui-e-agora
Imagens dis-persas, pers de fantasias inomináveis.
Em verdade miríades de lúdicos idílios
Verbalizá-las, antes visualizá-las
Nítidas, transparentes,
Intenção des-provida de quaisquer pers de pectivas,
Vontade destituída de quaisquer linguagem e estilo
Palavras vazias, vácuos de sentidos,
Abismo de incompreensões...
Uni-versos de sentimentos de amor e ternura
(Minh´alma há de sair versando vozes em pleno azul celeste
Tecendo na nudez de paisagens o sono de silvestres eternos,
Minha língua há de dizer as palavras que expressem
As alamedas por onde trilhei os passos dos sentimentos de mim
Em metáforas da balada que me leva a sobrevoar o mundo
que vou ainda viver; hei-de vert-ensejar sussurros mínimos aos auspícios
do que é isto - a liberdade de criar e inventar, re-criar a vida a todo
instante vivido e sentido)
Abrem de outrora a alegria de êxtases
De vontades longínquas e perdidas a nostalgia
Alça vôos crepusculares e milenares,
Alça vôos noctívagos e "corujantes", ouvindo sons
Ao redor do universo.
Sentimentos manifestam-se, ocultam-se
Emoções mostram-se, escondem-se – que verbo
De a-nunciação
Seria que alcançasse o interstício da alma?
Ventinho ameno, suave, delicado – o tempo virou.
Perder-me – deixar os olhos à distância, longínquois
Por que o pensamento de pensar este momento
Inusitado,
Se entregue ipsis litteris à solidão do vazio,
Ao silêncio do nada, ao murmúrio do descabido,
À algazarra imperiosa do nonsense?
A alma sedenta de emoções outras silencia dores
Sofrimentos calados re-fletem no espaço nuvens
Níveo sudário agasalha a melancolia do espírito
Debaixo do sol re-criando o mundo de páginas literárias
O amor cultivado em benditos contornos,
Ornamentos,
Nos interstícios da alma a a-nunciação das imagens,
Tornam-se uma peça de pintura,
Vida de cores e letras...
Magia...
Prospectiva – ponteiro único do relógio
Posterga
A passagem do tempo.
Ainda que as palavras fluíssem livres e leves,
Pronunciadas com espontaneidade,
Tecendo dimensões lingüísticas e semânticas,
Nada significariam, nada re-presentariam,
Não fossem os in-trans-itivos con-sentimentos
De “Tudo passa... tudo passa... tudo passa”
Só não passa o carro à frente dos bois,
Só não passa o camelo no buraquinho da agulha de
Costura
Só não passa a aboiada na passarela do abismo
Rumo ao vale onde pastores conduzem as ovelhas
In-trans-itivas regências
In-trans-itivas concordâncias
Nonadas de travessias
Veredas, sendas de passagens para os vedas
Do in-fin-ito.
Fumaças de quimeras, fantasias con-templadas
Comungam solidões seculares, medos milenares
De esquecimentos de pleno e eterno em dias ensimesmados
Em horas de etéreas linhas o diamante risca no horizonte o efêmero
O coração pulsa os fugazes idílios do instante
O sangue corre nas veias do tempo,
Os ouvidos ouvem canção advinda de algum sítio
De alhures, e os olhos perambulam desnorteados
Pelo panorama do chapadão a perder de vista.
O calor sobe, a face ruboriza de pretéritos
Imperfeitos verbos de sonhos
Perfeitas palavras de desejos e vontades de celestes paraísos
Horizontes e uni-versos indicativos à luz de sentidos amores e Carícias,
gestos e carinho, toques e ternura
À sombra do sono que ad-virá de imagens outras
Re-fletidas na superfície de espelhos côncavos
Nos desertos de ilusões múltiplas.
Horizonte e uni-versos
Sem ritmos que adornem a música do eterno
Melodia que embeleze a estrofe lírica da liberdade
Para sonhar lágrimas e emoção de esperança
O espírito con-duz as estações de paz
Re-nasce da fé o esplendor de magias
Compõe a alma, no seu leve e suave silêncio,
Perspectivas de outros momentos, ad-vir
À forja do tempo de outras vivências, experiências,
Ao silêncio do ouvido, a balada folk do eterno
À frente, no seu joguinho bastardo de revelar-se e esconder-se
Compasso que ritme o verso de verbos ocultos
Em madrugadas frias de amor e espírito
Sem lírica que a língua prescreva as efusões
Da palavra que trans-cende, ascende a pena
Que retira do arco-íris as cores da tinta fresca
Que embelezará as linhas sinuosas de tempos e outrora
palavra que os sonhos mostram na sua escrita, no seu sarapalhar as
circunstâncias e situações, avante... - escrita que seguirá os seus caminhos,
traços e passos,
qual andarilho à busca de suas arribas - as experiências,
os rituais da continuidade do tempo tecem a alegria e felicidade
por vezes de metáforas, por vezes de realidade,
a beleza é a síntese das metáforas e da realidade
qual o mito dos mistérios do Rio Santa Maria.
Uni-versos e horizontes
Sem in-versa razão a modular os princípios
Da alma que geme de pecado os sofrimentos
Grita de dores as culpas de imperfeitos sonhos
Sofre de medos as dúvidas de enganos
A modelarem os inícios do espírito
Que forjam a esperança de novos crepúsculos
Pretéritos ocasos...
Raios de ínfimas partículas espalham a luz viva
A-nuncia a vida o sagrado espectro visível
Permanece da sabedoria a claridade intensa
Infinito de luzes incandescentes ilustra esperanças
Com vontade de realizar a longa espera
De horizontes e uni-versos de ilusões que traz
O mar da vida, o espelho de cristal que re-flete
Diademas de luz na rua infinita.
Poesia é isto:
Adulterar as in-versas razões em sentimentos de verbos
Falsificar as re-versas emoções em versos de sentimentos
Racionalizar a poética do espírito nas líricas solenes de estrofes
Em busca da Vida.
Que importa aos versos
As coordenadas do tempo e espaço?
Que importa aos verbos
Os uni-versos de atitudes e ações puras?
Que fio de linha tece de verbos os versos
Imperfeitos da beleza ao divino da forma?
Beber água da fonte na concha das mãos
Sacia a sede da sagrada esperança
De tudo trans-luzir, de tudo iluminar
O perfil do céu no desenho das nuvens
Que passam, repassam o sono milenar de folhas amarelas
No tapete de terras fecundas, de solos profundos.
Sem trajetória a per-correr
À parte isto, com a alma no vazio,
Devaneada a utopia
Expressionista, ainda que paradoxal e hilária,
De a náusea do mundo re-colher e a-colher
O prazer, gozo, clímax de sofrimentos e dores da Contingência
A vida corre
Abre sobre o Nada o olhar sonâmbulo
A flor silenciosa de mil e uma pétalas concêntricas
Pelos céus perdida re-flete a erma planície nua
O funéreo manto do luar se recorta na paisagem sensível
O silêncio que espairece no crepúsculo o sibilo de inquietos ventos.
Verbo de pretéritos imperfeitos
De sagrada esperança
De espírito em versos de infinita luz
De sentimentos divinos e esperanças
De líricas sagradas a fé trans-cende
A rua infinita de esplendores e folhas
De sonhos múltiplos o amor ilumina
A grimpa de árvores à espera da primavera
De flores e plenitude.
Liberdade – o que é isto?
É isto o quê – liberdade?
Manoel Ferreira Neto
(*RIO DE JANEIRO*, 03 de dezembro de 2016)

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