**RÉSTEAS DO HÁ-DE VIR** - Manoel Ferreira


Résteas... Por que não "réstias"?
Ocasos de pretéritos sob miríades de á-gonias
Gerúndio de tempos infinitos
Compondo
De lembranças e recordações
O verbo de apocalipses
Particípio de alegrias breves
Juncando
De questionamentos re-cordados
O simbolismo do re-nascimento;



Résteas... Por que não "réstias"?
Ocasos de imperfeições sob espectros de aspirações
Infinitivo de imperfeitos horizontes
Tecendo
De memórias e a-nunciações
As utopias místicas do pastoreio de ovelhas...



Verdejantes os campos de centeio, trigo
A esplenderem o espírito da beleza,
Pureza do belo aos auspícios do sublime,
Simples ornamento da perfeição
Arrebique do eterno a adverbiar o caos
De dimensões da náusea do nada
Pervagando no cata-vento das contingências
Da dúvida e do medo de o eidos
Da esperança ser apenas movimento
Inerente ao ser-para-a-morte.



O alvorecer se anunciando
No rio de águas cristalinas
Canoa solitária sendo levada às furtivas
Do tempo, aos antemãos e revezes
Re-versas, inversas, adversas
Às margens ao longo da estrada
Sendo con-templada pelos boêmios dos portos,
Nalguma taberna,
Boêmios do ocaso tomam a última
Dose de aguardente antes de refestelarem
Boêmios da madrugadas do nada,
Jovens, garrafa de whisky, cerveja na mesa,
Porta do "Bistrô da Nice" fechada,
O garçon pescando no seco,
Cotovelos no balcão, mãos amparando o queixo,
Bebendo, trocando questionamentos,
Indagações filosóficas,
Teatro da vida, vida artística,
O sono nos braços das imaginárias
Sereias que curtem o silêncio do mar,
O desejo da solidão nas areias do rio
A vigília dos gestos e querubins
Que performam e encenam a dança
Lúdica da pureza e estética do sublime.



Ópera do vazio
Sinfonia da náusea
Concerto de vazios-nadas
A representarem a completude absoluta
Das quimeras à luz do mais-que-perfeito
Infinitivo cristalizando as inspirações
Do nunca a versejar no eidos do obtuso
Os interditos do sempre que reluz
Ad-luz as sombras à soleira do particípio
Que trans-eleva o orvalho do efêmero
Às longitudes dos limites entre o não-ser
Dos idílios e o nada dos flúmens
Que eterizam o espírito da alma
Nas suas dissenções do prazer e glória
Audiência de melodias e ritmos
Da palavra sagrada a musicalizar
As notas da lenda e folk-lore
Das "Résteas do há-de vir..."



Manoel Ferreira Neto
(*RIO DE JANEIRO*, 01 de dezembro de 2016)


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