#O NADA E A ARTE LITERÁRIA# Manoel Ferreira Neto: GRAÇA FONTIS: PINTURA Manoel Ferreira Neto: FILOSOFIA
A Modernidade comeu o fígado da Arte Literária,
linguagem e estilo estéticos, visando a busca da beleza, com cebola e salsa,
mergulhando no abismo mais abissal do nonsense, do absurdo, do nada. O
Estruturalismo reza que o homem não existe mais, tudo são estruturas. O
Modernismo reza que a Arte Literária não existe mais, tudo são verborréias das
letras.
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Felizmente que o Nada, dimensão con-tingente da
Arte Literária em nossa modernidade, está presente em toda a sua eidética, é
uma pedra de toque para recuperar, resgatar os valores estéticos da Literatura
e Poesia.
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O nada tanto pode ser um atalho que conduz mais
rapidamente ao destino visado, a estética, a beleza, pois que ele, nos efêmeros
da linguagem e estilo dos tempos, períodos literários que serviram aos
interesses e ideologias, ligados à história em suas manifestações sociais,
econômicas, religiosas, que desembocaram nele, dando origem ao vazio, são
perspectivas lançadas ao In-finito, projetadas ao verbo Litteris da
visão-[de]-mundo, quanto pode ser um desvio strictu sensu, levando quem o
escolhe (ou nele simples cai) a perder-se sem que o destino intencionado jamais
venha a ser conhecido. Este caminho é o literário-filosófico e se encontramos
ao final um sujeito construído ele mesmo como forma amalgamada e metamorfoseada
em linguagens claras e distintas que se concebem nascidas e existentes como
sensibilidade, subjetividade, podemos imaginar, não apenas o que lhe teria
acontecido se houvesse encontrado um desvio, mas outros caminhos para a construção
da subjetividade que não re-presentassem apenas a chance de perdição. É o
"eu" literário, o "eu poético" ao final do caminho da
projeção do Nada para o In-finito poético. O sujeito iluminado, o "eu
poético" iluminado, produz-se no ato mesmo em que é posto um sujeito não
iluminado, o nada, constituído na sombra do vazio.
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Considere-se que, sob o sujeito moderno, o
"nada poético" ofuscado por sua luz e que ele possa ser descoberto
numa in-vestig-ação, análise e interpretação dos vestígios da linguagem e
estilo que se foram perdendo ao longo do tempo, ao longo dos períodos
literários, "às sombras", "às penumbras", aos
"crepúsculos". Se o "eu poético" é todo luz e está à luz da
literatura, da poesia, este sujeito está à sombra também da história da Literatura,
e da História da Subjetividade, da busca da Estética, da Beleza, da
Espiritualidade, da Sensibilidade.
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A imagem poética é uma emergência da linguagem,
está sempre um pouco acima da linguagem significante. Sine qua non criar,
in-ventar, re-criar os traços, um croqui da imagem poética, para sentir esta
emergência da Linguagem. Ao viver os poemas, tem-se pois a experiência salutar
da emergência. Emergência sem dúvida de pequeno porte. Mas essas emergências se
re-novam; a poesia põe a linguagem em estado de emergência. A vida se mostra aí
por sua vivacidade. Esses impulsos linguísticos que saem da linha ordinária da
linguagem pragmática são miniaturas do impulso vital.
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O nada, como já dissemos, é a pedra de toque para a
recuperação, resgate da imagem poética, o "eu poético". Neste nível
de nossa in-vestigação sobre o Nada e a Arte Literária, intencionamos a busca
do Verbo Poiético do Eu poético, para estabelecermos a Estética. Tudo o que se
é imaginado, tudo o que se é sonhado, toda a Liberdade entregue a Utopia da
Estética... Uh, uh...
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O nada de re-versos in-versos, avessas
ad-versidades, in-versos avessos re-versos agradam-me sempre... Tem por vezes,
o que fascina e extasia, o arzinho sem-vergonha, trigueiro, de que vai aprontar
alguma, mas não é para o ledor, é para mim mesmo este arzinho, seduz-se a
con-sentir os novos desafios, são sempre sen-si-bi-li-da-de, e a
"Gente" viajando na alma sente saudades do Espírito, no trapézio
sente saudades da rede, na rede sente saudade do trapézio.
#riodejaneiro#, 15 de outubro de 2019#

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