NADA DE ALMA NA TERRA BRASILIS# Manoel Ferreira Neto: DESENHO/GRAÇA FONTIS: PINTURA Manoel Ferreira Neto: POEMA



Nada de alma na terra brasilis,
nos becos sem saídas do abismo
entre o tempo e o vento.
Do saber, da virtude, logra fazer,
logra artificiar em prêmio dos trabalhos,
um manto de retalhos...
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Musa, depõe a lira.
Canções de amor, cânticos de glória olvide.
Que a consciência universal ilude.
Nada de baldio entre os éritos e o vir-a-ser,
há-de ser,
porvir do nada que posterga os finitos
em nome do ente que se prolonga nos campos
líricos e destituídos,
desprovidos de sementes,
húmus para a eidética poiética da poiésis
do pleno que con-templa a plen-itude do nada.
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Galgando a Musa minha aos céus não fosse,
a Sereia minha aos mares não fosse,
e se a nauseabunda epístola brotasse
dentre o lameiro das ideias, em regras,
em normas, que são mais ou que são menos
do que exigem do metro as leis d'Apolo.
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E enquanto o intelecto burila
Uma filosofia, pensamento que pensa
O pão de cada dia
A mão a labutar granjeia
E acha no suor da labuta
O prêmio eterno.
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Vazio do nada. Nada, que, na contra-dança do efêmero, re-vestido de éritos do absoluto, baila nas sinuosidades dos caminhos desérticos, ínterins das sombras e claridades, performance das estesias e êxtases, baile platônico do sensível sonhando o espírito estético do verbo regente das nad-itudes da imperfeição perfeita, perfeição imperfeita de cujos úteros nascem a fé con-ting-ente no espírito do verbo.
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Vazio irremediável. Silêncio pleno da vida. Olhos perdidos, frios nos universos das con-ting-ências.
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#riodejaneiro#, 15 de outubro de 2019#

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